Por que a chegada de Rhaenyra ao trono deu gatilho em tantas mulheres

Rhaenyra chegou ao trono, mas não ao poder

Em teoria, este deveria ser o momento de vitória de Rhaenyra Targaryen. Depois de anos sendo contestada, traída, afastada e humilhada, ela finalmente retorna a Porto Real, entra novamente na Fortaleza Vermelha e se senta no Trono de Ferro. A imagem que esperou praticamente a vida inteira finalmente se concretiza, mas o episódio não oferece qualquer sensação real de alívio ou triunfo. Pelo contrário. A chegada de Rhaenyra ao poder provoca uma ansiedade imediata e profundamente reconhecível. Deu gatilho em mim, deu gatilho na minha irmã e, certamente, em muitas mulheres que já ocuparam ou ainda ocupam posições de liderança no mundo corporativo.

Isso acontece porque Rhaenyra não chega exatamente ao poder. Ela chega à responsabilidade por tudo aquilo que os homens antes dela destruíram. Quando finalmente assume o lugar que sempre lhe disseram que seria seu, encontra uma cidade faminta, uma corte dividida, um Tesouro vazio, uma administração desorganizada, ratos circulando pelo castelo, aliados pouco confiáveis e um inimigo capaz de infiltrar um impostor dentro de sua própria casa.

Rhaenyra recebe o título, mas não recebe a estrutura necessária para governar. A coroa está em sua cabeça, o trono está sob seu corpo, mas os recursos, as informações, a confiança e a estabilidade que deveriam sustentar sua autoridade simplesmente não existem.

A CEO que finalmente abre o balanço

Emma D’Arcy encontrou a comparação perfeita ao falar sobre o episódio. Para a atriz, Rhaenyra vive algo equivalente ao primeiro dia de trabalho de uma CEO que finalmente pode abrir o balanço da empresa que acabou de assumir. A metáfora corporativa não poderia ser mais clara. Ela entra na sala da presidência, abre as contas e descobre que os números não fecham, o caixa está vazio, os recursos desapareceram, a equipe não é confiável e todos esperam uma solução imediata para problemas que começaram muito antes de sua chegada.

Existe, porém, um agravante importante. Rhaenyra não herda apenas uma estrutura que entrou em crise por acaso. Ela recebe uma administração que foi enfraquecida por uma sucessão de decisões ruins, vaidades pessoais, disputas internas e estratégias deliberadas de sobrevivência. O estado de Porto Real não é fruto de uma fatalidade administrativa. É consequência direta das escolhas feitas por homens que, no momento em que ela assume, já não estão mais ali para responder por elas.

Esse cenário não pertence apenas à ficção. Com frequência, é exatamente isso que muitas mulheres encontram quando finalmente chegam a uma posição de liderança. Há muita expectativa, mas pouca informação; muita responsabilidade, mas pouca autonomia; muita cobrança, mas quase nenhuma confiança. Espera-se segurança de alguém a quem não forneceram os dados necessários, exige-se rapidez de quem ainda tenta compreender o que foi escondido, retirado, sabotado ou destruído antes de sua chegada, e cobra-se liderança de uma mulher que ainda não sabe exatamente quem está ao seu lado, quem apenas a tolera e quem espera silenciosamente que ela fracasse.

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A maior falha de Viserys não foi escolher Rhaenyra: foi nunca prepará-la para governar

Se conseguir recuperar a estrutura, provavelmente ouvirá que apenas cumpriu sua obrigação. Se fracassar, porém, o fracasso ganhará seu nome. Poucos se lembrarão das decisões tomadas antes de sua chegada, dos recursos retirados, das alianças destruídas ou dos erros acumulados. A crise passará a ser narrada como prova de sua incapacidade, e não como consequência do cenário que ela recebeu.

O desastre que os homens deixaram para trás

Aegon tomou o trono sem qualquer preparo e passou a governar movido por uma necessidade permanente de provar que era rei. Incapaz de aceitar que Otto Hightower compreendia mais do que ele sobre política, administração e opinião pública, afastou o homem mais experiente de seu conselho. Otto era ambicioso, manipulador e diretamente responsável pela usurpação, mas entendia os mecanismos do Estado. Sabia que governar exigia mais do que usar uma coroa, ocupar uma cadeira ou impor medo.

Aegon o dispensou porque não suportava ser contrariado e, no lugar dele, escolheu Criston Cole. Criston podia ser um guerreiro eficiente e um comandante útil no campo de batalha, mas não era um administrador. Não possuía a experiência, a inteligência política ou a capacidade de articulação necessárias para conduzir um governo. Aegon confundiu lealdade pessoal com competência e habilidade militar com capacidade de gestão, repetindo um erro dolorosamente familiar no mundo corporativo.

O executivo experiente é afastado porque incomoda o chefe, enquanto o funcionário mais fiel é promovido a uma função para a qual não está preparado, não porque seja a melhor escolha, mas porque concorda, admira e obedece. A vaidade começa a corroer a estrutura, enquanto as pessoas encarregadas de sustentar a organização são substituídas por aquelas que apenas confirmam as certezas de quem está no comando.

A vaidade de Aegon não destrói apenas a estrutura política. Ela também o leva a se expor pessoalmente em batalha porque ele se sente diminuído dentro do próprio governo. Aegon quer demonstrar coragem, autoridade e utilidade, mas volta literalmente queimado, mutilado e incapaz de exercer plenamente o poder que insistiu em tomar. O homem que assumiu a coroa para provar que poderia governar termina deixando o reino sem um rei funcional.

Enquanto isso, Larys Strong observa o colapso com a frieza de quem já está preparando a própria sobrevivência. Astuto, maligno e sempre vários passos à frente, ele percebe a queda de Porto Real antes dos demais e começa a agir antecipadamente. Não está interessado em preservar a cidade, proteger a população ou garantir a estabilidade do governo. Seu compromisso é com a própria posição e com a manutenção de Aegon como uma peça que poderá recolocá-lo no centro do poder no futuro.

Larys retira informações, reorganiza o tabuleiro e se prepara para deixar que os outros se destruam. Quando Rhaenyra chega, portanto, os principais responsáveis pelo desastre não estão mais ali. Otto foi afastado, Aegon fugiu, Larys desapareceu com suas informações e seus planos, e Criston está longe, conduzindo a guerra. O dinheiro sumiu, a comida acabou, a população está revoltada e a administração anterior abandonou o prédio antes que alguém pudesse cobrar explicações.

É nesse momento que a mulher entra. Rhaenyra é quem abre o balanço e encontra o caixa vazio. É ela quem precisa explicar a falta de recursos, embora não tenha gastado o dinheiro. É ela quem precisa alimentar uma população que não foi ela quem deixou passar fome. É ela quem deve reconstruir a confiança em uma instituição que os homens antes dela desmoralizaram.

Eles tiveram o direito de errar, de agir por vaidade, de escolher aliados incompetentes e de abandonar a estrutura quando tudo começou a desmoronar. Ela terá a obrigação de reparar aquilo que recebeu destruído.

Quando a insegurança é produzida pelo próprio ambiente

O terceiro episódio se torna ainda mais desconfortável porque a série não mostra apenas uma mulher assumindo uma organização destruída. Mostra o que esse ambiente começa a fazer com ela. A fraude de Ormund inaugura, segundo Emma D’Arcy, uma espécie de paranoia em Rhaenyra. Ele se transforma em uma presença imprevisível, quase um monstro sem rosto, capaz de plantar um impostor dentro da Fortaleza Vermelha e converter a própria corte em palco de uma encenação.

O golpe não apenas a engana. Ele comprova que Rhaenyra não possui todas as informações, não controla completamente o próprio castelo e não sabe quem está mentindo, quem está omitindo, quem é leal e quem apenas espera o momento certo para traí-la. Ela está no centro do poder, mas não encontra segurança em lugar algum. Quanto mais percebe que outros possuem informações que ela desconhece, mais sente a necessidade de controlar o ambiente, e quanto mais tenta controlar o ambiente, mais sua atitude pode ser interpretada como desconfiança, autoritarismo ou paranoia.

Essa instabilidade não é apenas política. Ela também é emocional. Rhaenyra retorna à Fortaleza Vermelha não apenas como rainha, mas como filha. O palácio é a sede do governo e, ao mesmo tempo, a casa onde cresceu, o lugar em que buscou a aprovação do pai, foi observada pela corte, teve sua sexualidade julgada e aprendeu que sua posição dependia da disposição dos homens de respeitar a palavra de Viserys.

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Emma D’Arcy fala sobre essa regressão provocada pela volta à casa da família, lembrando que nem mesmo uma rainha está imune ao efeito de retornar ao espaço onde sua identidade foi formada. Rhaenyra chega ao ponto mais alto de sua vida política e, simultaneamente, volta a tentar dormir na cama do pai morto. Precisa imaginar que tipo de governante deseja ser enquanto é cercada pelas memórias do homem cujo modelo ainda procura seguir.

O pessoal e o político tornam-se inseparáveis, e a experiência de assumir o governo também significa confrontar a filha que ela foi, as expectativas que carregou e a promessa que Viserys nunca conseguiu transformar em segurança concreta. Rhaenyra deseja governar como o pai. Quer ser moderada, conciliadora, pacífica e racional, mas Viserys podia demonstrar moderação sem que sua legitimidade fosse questionada diariamente.

Ele era um homem e, por isso, sua bondade podia ser interpretada como virtude, sua hesitação como desejo de preservar a paz e seus erros como falhas individuais. Ninguém usava suas limitações para concluir que homens não serviam para governar. Com Rhaenyra, a mesma moderação é interpretada como fraqueza.

Quando tenta negociar, parece indecisa; quando demonstra misericórdia, é acusada de não ter pulso; quando escuta os conselheiros, parece insegura; quando ignora os conselhos, torna-se arrogante; quando endurece, é chamada de cruel; quando expressa raiva, sua estabilidade emocional entra em julgamento. Não existe uma resposta inteiramente segura porque qualquer característica pode ser reorganizada para funcionar contra ela.

Quando uma mulher recebe pouca informação, poucos aliados, pouca autonomia e nenhuma margem para errar, ela pode se tornar insegura, defensiva, impulsiva ou desconfiada. Pode começar a enxergar ameaças em todos os lugares e sentir que qualquer falha será usada para retirar-lhe o cargo. Nem todas reagem assim, evidentemente, mas muitas vezes o ambiente é construído justamente para produzir esse tipo de instabilidade. Depois, a própria instabilidade é utilizada como argumento contra elas.

A cautela vira indecisão, a desconfiança vira paranoia, a firmeza vira autoritarismo e a necessidade de controlar informações passa a ser interpretada como obsessão. Quase ninguém pergunta quanto daquela reação foi produzida pela sabotagem, pelo isolamento, pela ausência de confiança ou pela certeza de que qualquer erro será transformado em prova de incompetência.

É isso que acontece com Rhaenyra depois da fraude de Ormund. Ela não foi apenas enganada; foi publicamente lembrada de que não controla a própria corte. Descobre que um estranho pode entrar em sua casa, manipular seus conselheiros e expor sua falta de informação. A partir daquele momento, manter a serenidade deixa de ser apenas uma questão de temperamento. Torna-se uma tarefa quase impossível dentro de um ambiente que oferece motivos reais para a desconfiança.

Há ainda o luto por Jace. Rhaenyra não perdeu apenas o filho mais velho. Perdeu o herdeiro, o aliado e talvez a pessoa que poderia fazê-la se sentir verdadeiramente amparada naquele lugar. Emma D’Arcy sugere que a obsessão crescente de Rhaenyra por legitimar sua posição pode ser também uma manifestação desse luto. Se Jace estivesse ao seu lado, talvez ela se sentisse mais estável, mais protegida e menos sozinha.

Mas Jace não está, e Rhaenyra precisa continuar trabalhando. Ela atravessa os corredores da infância, vê o filho morto onde ele deveria estar e, ainda assim, precisa abrir as contas, administrar a fome, enfrentar os nobres, controlar o conselho e parecer absolutamente segura. Não existe licença para o luto. Existe apenas a exigência de que esconda a dor para que ninguém a interprete como incapacidade.

Essa também é uma experiência conhecida por muitas mulheres no mundo corporativo. A mulher chega a uma reunião depois de atravessar uma crise pessoal e sabe que qualquer demonstração de fragilidade poderá ser usada como prova de que não suporta o cargo. Precisa continuar produtiva, objetiva, disponível e equilibrada, mesmo quando não existe qualquer equilíbrio em sua vida.

O jantar com os ratos nasce desse cenário. Emma D’Arcy descreve o banquete como o primeiro exercício de propaganda do governo de Rhaenyra. Sem dinheiro para demonstrar riqueza e sem recursos para resolver imediatamente a fome, ela transforma a humilhação dos nobres em uma ação de comunicação. É uma jogada de relações públicas criada por uma líder sem caixa que precisa controlar a narrativa porque não consegue demonstrar poder por meio da estabilidade, da abundância ou da eficiência administrativa.

O gesto é inteligente, cruel, teatral e impulsivo ao mesmo tempo. Mostra que Rhaenyra compreende a importância da imagem, mas também revela o quanto seu governo já depende da encenação. Quando a estrutura concreta não sustenta a autoridade, a líder precisa produzir símbolos capazes de convencer os outros de que ainda possui algum controle.

Homens são questionados; mulheres são desautorizadas

Essa é uma armadilha conhecida por praticamente qualquer mulher que tenha entrado em uma sala de reunião ocupando uma posição de autoridade. Os homens também são pressionados, desafiados, traídos e questionados, mas os desafios não são iguais. Nunca são.

Jon Snow teve decisões contestadas, Robb Stark foi confrontado por seus próprios aliados e até Joffrey, embora rei, era desprezado por quase todos ao redor. Ainda assim, a natureza da contestação era diferente. Jon, Robb e Joffrey eram julgados por decisões específicas, por erros estratégicos ou por conflitos políticos. Mesmo quando alguém elevava a voz contra eles, sua masculinidade não era usada como prova de que não poderiam governar. Talvez Joffrey…

Robb poderia ser a exceção mais evidente, porque foi enfrentado publicamente, teve sua autoridade desafiada e pagou caro por escolhas pessoais que comprometeram a guerra. Mesmo assim, era tratado como um rei que estava errando. O problema era Robb, não a capacidade dos homens de governar, mas a mulher que o tirou do caminho.

Quando uma mulher “erra”, o erro raramente permanece individual. Ele rapidamente se transforma em prova de que mulheres são emocionais, instáveis, frágeis ou inadequadas para o poder. O fracasso deixa de pertencer à personagem e passa a ser usado como argumento contra todas as mulheres que desejam liderar.

Cersei foi subestimada durante praticamente toda a vida. Os homens ao seu redor acreditavam que poderiam controlá-la, usá-la, casá-la ou descartá-la. Quando ela passou a exercer o poder com a mesma violência dos homens de sua família, sua ambição foi tratada como uma monstruosidade especialmente feminina. Cersei era cruel, paranoica e responsável por decisões terríveis, mas sua crueldade parecia confirmar algo sobre mulheres no poder, enquanto a violência de Tywin, Robert ou Joffrey dizia respeito apenas a eles.

Daenerys conquistou cidades, libertou escravizados, comandou exércitos e trouxe dragões de volta ao mundo, mas precisou provar repetidamente que era capaz de governar. Seus conselheiros não apenas discordavam de suas decisões; frequentemente agiam como se tivessem a obrigação de controlá-la. Homens destruíam cidades e eram chamados de conquistadores. Quando Daenerys ameaçava fazer o mesmo, sua sanidade inteira entrava em julgamento.

Sansa passou boa parte da história sendo ignorada. Sobreviveu a reis, guerras, manipulação, violência e casamentos forçados, mas sua inteligência só começou a ser reconhecida quando aprendeu a demonstrá-la dentro dos códigos que os homens respeitavam. Ela precisou conquistar um respeito que personagens masculinos recebiam simplesmente por nascerem com o sobrenome correto.

Rhaenyra reúne algo dessas três experiências. É subestimada como Cersei, vigiada como Daenerys e obrigada a conquistar respeito como Sansa. House of the Dragon, porém, acrescenta uma dimensão especialmente moderna ao mostrar não apenas a resistência externa à sua liderança, mas o impacto psicológico provocado por essa resistência.

Até Daemon, que finalmente parece reconhecer Rhaenyra como rainha, permanece uma presença ambígua. Quando Emma D’Arcy foi questionada se ela agora aceitava completamente sua autoridade, respondeu com cuidado que existem disputas de poder em todas as relações e que a deles não é diferente.

Daemon pode amá-la, desejá-la, lutar por ela, falar alto valiriano e propor que conquistem o mundo juntos, mas continua sendo um homem acostumado a comandar, ocupar espaço e acreditar que sabe melhor do que os outros o que precisa ser feito. Rhaenyra não precisa negociar sua autoridade apenas no conselho. Precisa negociá-la dentro do próprio casamento.

Homens entram em suas reuniões, interrompem suas falas, elevam a voz, explicam a guerra que ela própria está vivendo e cobram dela rapidez, misericórdia, violência e prudência, muitas vezes ao mesmo tempo. Ela precisa tomar a decisão, administrar a discordância e ainda absorver a agressividade dos homens que teoricamente deveriam servi-la.

É claro que reis homens também foram enfrentados publicamente, mas basta comparar a frequência, o tom e a naturalidade com que isso acontece com Rhaenyra. Jon podia ser contestado, mas sua posição não precisava ser reafirmada em cada frase. Robb foi confrontado, mas não tinha de provar que os homens eram capazes de liderar. Joffrey podia ser incompetente, cruel e infantil, mas continuava sendo tratado como rei.

Rhaenyra não tem o direito de simplesmente liderar. Precisa provar que merece liderar enquanto lidera.

O teto de vidro termina em um penhasco

É claro que Rhaenyra erra. Hesita quando deveria agir, age quando talvez devesse esperar, ignora conselhos, toma decisões contraditórias e começa a ser consumida pela necessidade de legitimar a própria posição. A questão nunca foi transformá-la em vítima perfeita ou explicar todos os seus erros através do machismo. A questão é reconhecer que os desafios enfrentados por homens e mulheres nunca são os mesmos.

Homens sempre tiveram o direito de ser líderes ruins, vaidosos, impulsivos, inseguros, medíocres ou desastrosos sem que seus fracassos fossem usados para questionar a capacidade masculina de governar. Uma mulher raramente recebe esse mesmo direito à individualidade. Quando acerta, é tratada como exceção. Quando erra, confirma a regra.

É por isso que o terceiro episódio de House of the Dragon provoca uma reação tão forte em mulheres que conhecem o mundo corporativo. Não porque todas tenham vivido exatamente a mesma situação, nem porque toda mulher em posição de poder seja sabotada da mesma forma, muito menos porque mulheres sejam sempre líderes melhores. A identificação nasce do reconhecimento de uma sensação muito específica: a promoção que chega acompanhada de um problema impossível, a responsabilidade sem autonomia, a informação incompleta, a equipe que não confia, o homem menos preparado que fala mais alto, o aliado que guarda dados para si, o antigo gestor que sai antes de responder pelo desastre e a cobrança para parecer segura quando não existe qualquer segurança.

Muitas mulheres reconhecem também o medo de demonstrar dúvida e, ao mesmo tempo, o medo de demonstrar certeza. Reconhecem a sensação de que todos estão observando não apenas a decisão que será tomada, mas também procurando uma confirmação de que aquela mulher nunca deveria ter recebido o cargo.

Rhaenyra finalmente atravessa o teto de vidro e descobre que, do outro lado, não existe estabilidade. Existe um penhasco. Ela chega ao Trono de Ferro, mas encontra uma empresa falida, uma equipe dividida, um caixa vazio, adversários infiltrados, um sócio que disputa suas decisões e uma corte que ainda a trata como se estivesse em período de experiência.

Os homens antes dela produziram o desastre, mas ela terá de consertá-lo. Enquanto tenta fazer isso, ainda precisará convencer todos os dias aqueles mesmos homens de que merece continuar sentada na cadeira. Rhaenyra é rainha, mas ninguém permite que ela simplesmente seja.


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