Star City e For All Mankind: o que sabemos e o que falta

Com a primeira temporada chegando ao fim, Star City já deixou claro que não nasceu apenas para mostrar o lado soviético da corrida espacial. A série funciona como uma peça complementar de For All Mankind, preenchendo lacunas que existiam desde a primeira temporada da produção original e dando novo significado a personagens e acontecimentos que, até então, pareciam apenas notas de rodapé.

Ao mesmo tempo, o spin-off também abre novos mistérios. Sabemos mais sobre a União Soviética do que nunca, mas ainda conhecemos muito pouco sobre o outro lado dessa guerra silenciosa de espionagem.

A seguir, veja o que Star City já explicou e o que ainda falta explicar.

Arseni Vetrov: o cosmonauta morto finalmente ganhou uma história

Um dos maiores mistérios da primeira temporada de For All Mankind era o corpo do cosmonauta soviético localizado na Lua pelos americanos. A série original nunca explicou por que aquela missão fracassou.

Star City muda completamente essa perspectiva. Descobrimos que Arseni Vetrov morreu após a KGB ordenar um reboot completo da nave ao detectar um sinal na frequência americana, consequência do transmissor secretamente instalado por Valya Mironov. O acidente deixa de ser apenas uma falha técnica para se transformar em uma tragédia causada pela espionagem e pela paranoia da Guerra Fria.

Anastasia Belikova deixa de ser apenas um marco histórico

Em For All Mankind, Anastasia era apenas “a primeira mulher na Lua”, conquista que força os Estados Unidos a acelerar seu programa feminino e acaba abrindo espaço para Danielle Poole.

O spin-off dá rosto, personalidade e conflitos à personagem. Descobrimos como ela foi escolhida, a pressão política que sofreu, o preconceito dentro do programa espacial soviético e até a censura de seu discurso histórico na superfície lunar.

A origem de Irina Morozova

Quando aparece em For All Mankind, Irina já é uma figura fria e experiente do aparato soviético.

Star City mostra exatamente como essa transformação começou. A jovem agente ainda acredita que existe espaço para ética dentro do sistema, mas cada episódio demonstra como a KGB vai moldando sua personalidade.

É uma típica história de origem.

Sergei Nikulov antes de Margo Madison

O mesmo vale para Sergei.

Os fãs já conheciam o cientista brilhante que mais tarde viveria um relacionamento secreto com Margo Madison. Agora vemos um jovem engenheiro curioso, criativo e disposto a desafiar métodos tradicionais, muito antes de se tornar um dos personagens mais importantes de For All Mankind.

O roubo dos planos da base lunar

Logo no primeiro episódio, descobrimos que os americanos já tinham acesso aos planos da futura base lunar soviética.

Essa informação nunca havia aparecido em For All Mankind.

Ela ajuda a explicar por que a inteligência americana parecia conhecer detalhes importantes do programa espacial soviético, mas ainda deixa uma pergunta enorme: aqueles documentos chegaram à NASA ou permaneceram apenas dentro da comunidade de inteligência?

Valya Mironov muda tudo o que sabemos sobre a espionagem

Talvez a maior revelação da temporada seja Valya.

Sabemos agora que ele trabalhava secretamente para os Estados Unidos e que instalou o transmissor responsável por desencadear a sequência de eventos que terminou com a morte de Arseni. Mas, curiosamente, o spin-off mostra quase exclusivamente o lado soviético dessa operação.

É aí que começam os maiores mistérios da franquia.

O que Star City ainda precisa responder

Quem recrutou Valya?

Sabemos que ele trabalha para os americanos, mas nunca vemos quem conduz essa operação.

Quem recebia as informações?

Os relatórios iam para a CIA? Para a Casa Branca? Ou chegavam diretamente à NASA?

Até agora, a série mantém essa resposta escondida.

O transmissor era espionagem… ou sabotagem?

Tudo indica que o objetivo era apenas coletar telemetria, mas os roteiristas nunca confirmaram isso. Se o dispositivo tinha outra função, toda a responsabilidade americana pela morte de Arseni muda de tamanho.

Como nasce Zvezda?

For All Mankind mostra a base lunar soviética já estabelecida. Star City ainda está construindo esse caminho.

Talvez seja o maior arco narrativo das próximas temporadas.

O que acontecerá com o projeto Vênus?

Logo no piloto, o Chief Designer deixa claro que seu verdadeiro sonho não é apenas voltar à Lua. Ele quer chegar a Marte ou a Vênus.

Enquanto For All Mankind concentrou sua narrativa na Lua, em Marte e, depois, nos asteroides, o spin-off coloca Vênus no centro das ambições soviéticas. Resta descobrir como esse projeto se encaixará na cronologia maior da franquia.

Onde tudo isso cruza com Apollo-Soyuz?

Sabemos que Sergei, Irina e a própria Star City terão papel importante quando americanos e soviéticos começarem a cooperar.

Mas ainda falta mostrar como essa transição acontecerá e de que forma os acontecimentos vistos agora influenciarão um dos momentos mais importantes de For All Mankind.

Onde está Mikhail Vasiliev?

Um dos soviéticos mais importantes da primeira temporada de For All Mankind ainda nem apareceu. É Mikhail Vasiliev, o cosmonauta que mais tarde será capturado por Ed Baldwin em Jamestown e que, antes disso, envia suas condolências pela morte de Shane, mostrando que os soviéticos já acompanhavam de perto até acontecimentos pessoais da vida dos astronautas americanos. Como Star City ainda está em 1971, sua ausência faz sentido, mas sua introdução parece inevitável quando a série avançar para a construção de Zvezda e a presença permanente dos soviéticos na Lua.

Valery Kostikov ainda pertence ao futuro

Outro nome ausente é Valery Kostikov. O personagem só passa a ser mencionado alguns anos depois na cronologia de For All Mankind, já em meados da década de 1970. Por isso, sua ausência não representa uma lacuna do spin-off, mas apenas um reflexo da decisão dos produtores de permanecer nos primeiros anos da década antes de avançar para os acontecimentos conhecidos pelos fãs da série original.

O mistério de Jack McManus continua sem resposta

O mesmo vale para Jack McManus. Em For All Mankind, o engenheiro americano entra na mira do FBI por suspeitas de estar vendendo informações aos soviéticos, mas a série nunca confirma se as acusações eram verdadeiras ou fruto da paranoia típica da Guerra Fria. Até agora, Star City também não abordou esse episódio. Como a investigação acontece mais tarde na cronologia, ela pode se tornar uma oportunidade interessante para mostrar a mesma história pelo lado soviético e, finalmente, responder a uma dúvida que For All Mankind deixou em aberto.

Ainda estamos só em 1971

Talvez essa seja a informação mais importante.

Ao contrário de For All Mankind, que avançava cerca de uma década a cada temporada, os criadores de Star City já confirmaram que pretendem permanecer nos anos 1970.

Isso significa que a série ainda tem muito espaço para explorar a construção de Zvezda, a expansão da KGB dentro do programa espacial, a missão a Vênus, a evolução de Sergei e Irina e, principalmente, responder às perguntas que ainda ligam — ou separam — as duas séries.

No fim das contas, Star City não existe apenas para contar o outro lado da corrida espacial. Ela está transformando acontecimentos que pareciam simples referências em For All Mankind em peças fundamentais de um universo muito maior. E, se a primeira temporada respondeu perguntas que os fãs carregavam há cinco anos, também deixou claro que os maiores mistérios talvez ainda estejam por vir.


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