Eu acompanho Slow Horses desde o começo, quando ainda parecia que pouca gente estava prestando atenção naquela série estranha da Apple TV sobre um grupo de agentes fracassados do MI5, trabalhando num escritório decadente e comandados pelo homem mais desagradável — e irresistível — da televisão. Seis temporadas depois, finalmente todo mundo descobriu o que estava diante de nós desde 2022: Slow Horses é simplesmente uma das melhores séries em exibição.
Inteligente, engraçada, cruel, tensa, brilhantemente escrita e liderada por um Sir Gary Oldman que transformou Jackson Lamb em um dos grandes personagens da TV contemporânea, a série foi crescendo sem perder praticamente nada daquilo que a tornou especial. E agora o trailer da sexta temporada conseguiu fazer algo que eu realmente não esperava: além de me deixar contando os dias para voltar àquele escritório imundo, trouxe Olivia Cooke de volta. Sim. Sid Baker. Viva. E aquele simples “Hello, River” no final do trailer é uma pequena bomba para quem acompanha Slow Horses desde a primeira temporada.

Sidonie Baker foi uma das primeiras personagens de quem aprendemos a gostar naquele grupo. Competente demais para estar em Slough House, inteligente, rápida e claramente escondendo alguma coisa, ela tinha com River Cartwright, de Jack Lowden, uma combinação de competição, cumplicidade, atração e desconfiança que parecia destinada a crescer. Até que levou um tiro na cabeça no segundo episódio e desapareceu.
Slow Horses seguiu em frente. Nós também. Vieram outros agentes, outras conspirações, outras mortes e incontáveis humilhações distribuídas por Jackson Lamb. Olivia Cooke também foi para outros lados. Mais especificamente, foi parar em Westeros, onde se tornou Alicent Hightower em House of the Dragon. E agora, taram: Sid está de volta.
O melhor é que não se trata de ressuscitar uma personagem querida porque Olivia Cooke ficou ainda mais famosa depois de deixar a série. A possibilidade sempre esteve ali. A sexta temporada adapta dois livros de Mick Herron, Joe Country e Slough House, e é justamente no segundo que a história de Sid volta a ganhar importância.
Para quem acompanhou apenas a adaptação, a primeira temporada deliberadamente deixou tudo numa zona nebulosa. Sid foi levada ao hospital em estado crítico depois do tiro. Mais tarde, quando River tentou descobrir o que havia acontecido com ela, seus registros haviam desaparecido dos sistemas. Não havia corpo, funeral ou confirmação que encerrasse definitivamente a história. Ela simplesmente sumiu.

Nos livros, sabemos que Sid sobreviveu, passou por uma longa recuperação e reapareceu carregando as consequências físicas e cognitivas daquele trauma. Portanto, o reencontro com River não é apenas o retorno de alguém que ele julgava morta. É o reencontro com alguém que, provavelmente, não é exatamente a mesma mulher que ele conheceu. E isso é muito Slow Horses.
Esta nunca foi uma série sobre espiões impecáveis. É sobre pessoas quebradas, falhas, frequentemente humilhadas, tentando continuar trabalhando apesar do peso daquilo que fizeram, perderam ou não conseguiram impedir. River passou temporadas acumulando fantasmas profissionais e pessoais. Agora um deles simplesmente reaparece diante dele. O rosto de Jack Lowden no trailer diz praticamente tudo.
Olivia Cooke também nunca esqueceu Sid. Ao falar sobre a volta, contou que, desde os primeiros anos da série, sabia que existia nos livros uma possibilidade de retorno. Ao longo do tempo, a produção continuou verificando sua disponibilidade, até que finalmente conseguiu encaixar novamente a personagem em sua agenda. Cooke filmou a sexta temporada no fim de 2024, durante cerca de cinco semanas, mantendo o segredo enquanto seguia trabalhando em outros projetos. E existe algo particularmente divertido em vê-la retornando depois de tantos anos como Alicent.


Cooke passou esse intervalo imersa em outra das grandes séries da televisão, como rainha, mãe de reis e uma das figuras centrais da guerra civil dos Targaryen. Agora volta ao humor seco, ao sarcasmo e à velocidade de Slow Horses, um registro que combina maravilhosamente com ela.
E ainda há uma coincidência deliciosa para quem acompanha as duas séries. Olivia Cooke não foi a única a sair de Slow Horses e acabar em Westeros. Freddie Fox, que interpretava o inesquecivelmente insuportável James “Spider” Webb, reapareceu na segunda temporada de House of the Dragon como Ser Gwayne Hightower, justamente o irmão de Alicent. Por alguns anos, portanto, dois personagens que começaram juntos no universo de Jackson Lamb acabaram reunidos como irmãos Hightower no meio da Dança dos Dragões. Agora apenas Sid consegue fazer a viagem de volta.
Spider teve um destino bastante mais definitivo em Slow Horses, morto na terceira temporada durante o confronto com Sean Donovan e lançado depois na calçada diante do restaurante onde Lamb estava. Sid, que também parecia ter se tornado uma das primeiras baixas da série, afinal, tinha apenas desaparecido. E sua volta acontece quando a própria sexta temporada parece pronta para mexer novamente em antigas feridas.

A trama coloca os Slow Horses em fuga e os envolve em mais um jogo mortal ligado a Diana Taverner. Frank Harkness, o pai de River, continua presente. E juntar Joe Country e Slough House em apenas seis episódios indica que teremos uma temporada particularmente intensa. É curioso pensar no caminho que Slow Horses percorreu.
Quando estreou em 2022, parecia uma daquelas séries excelentes que algumas pessoas descobriam e imediatamente passavam a recomendar para todo mundo. A Apple lançava temporadas num ritmo quase absurdo, e durante algum tempo existiu a sensação de que a série era muito melhor do que o tamanho da conversa em torno dela.
Aos poucos, isso mudou. As pessoas descobriram Jackson Lamb. Descobriram Jack Lowden. Descobriram aquele humor britânico perverso. Descobriram que uma série de espionagem não precisava transformar todos os seus agentes em versões de James Bond para ser eletrizante. E Slow Horses deixou de ser um pequeno segredo para se tornar uma das produções mais celebradas da televisão. Para quem estava lá desde o começo, existe um prazer especial nisso. Mas existe algo ainda melhor em olhar novamente para Sid Baker.
Enquanto nós continuávamos acompanhando River, Lamb, Diana Taverner, Catherine Standish e companhia, acreditando que aquele capítulo tinha acabado, Olivia Cooke atravessou outra das grandes produções da TV, tornou-se Alicent Hightower e passou anos em meio a dragões, coroas, filhos impossíveis e uma guerra civil. E então volta para Slow Horses com duas palavras: “Hello, River.” Pronto.
Já me ganhou. 16 de setembro não chega rápido o suficiente.


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