The Shards (Recap Ep. 8): Bret escolhe acreditar em Robert

Faltando apenas um episódio para o fim, The Shards finalmente coloca Bret diante da pergunta que vem evitando desde que Robert Mallory entrou em sua vida. Não é mais apenas “Robert é o Trawler?”. A pergunta agora é bem mais perigosa: e se Bret estiver tão obcecado por Robert porque, em algum nível, deseja exatamente aquilo que teme?

“Hamlet”, o oitavo e penúltimo episódio da temporada, tenta organizar todas as suas histórias em torno de Shakespeare. É uma ideia tão Ryan Murphy que quase dispensa explicação: a professora de literatura, vivida por Noma Dumezweni, discute Romeu e Julieta, Macbeth e finalmente Hamlet, enquanto cada peça passa a comentar — às vezes de maneira extremamente literal — o que acontece na vida dos alunos.

Antes disso, estamos novamente no Hamburger Hamlet. Susan já saiu da cadeia porque Rhonda retirou a acusação que havia feito contra ela, encerrando em minutos um dos grandes cliffhangers do episódio anterior. O grupo joga uma espécie de eleição particular para decidir quem é o mais pobre, o mais sexy e, inevitavelmente, quem seria o Trawler. Bret escreve a pergunta e olha diretamente para Robert. Alguém, porém, vota no próprio Bret. Enquanto todos brincam, ele conta que Matt está morto e que foi ele quem encontrou sua cabeça dentro da vitrine de troféus da escola.

É aí que Romeu e Julieta entram na história de Susan e Thom. Susan não acredita mais em amores destinados a durar para sempre simplesmente porque parecem absolutos aos 18 anos. Thom, ao contrário, transforma o relacionamento dos dois praticamente em uma questão de sobrevivência. Quando ela finalmente termina com ele no Hamburger Hamlet, ele pega uma faca e ameaça se matar, chegando a sugerir que os dois morram juntos.

É emocionalmente violento, manipulador e patético, mas finalmente Susan recusa o papel de responsável pela existência de Thom. Ela quer crescer, sair daquele mundo, descobrir quem será depois da escola. Thom parece incapaz de imaginar qualquer identidade que não dependa dela. A comparação com Romeu e Julieta é óbvia demais, mas funciona para deixar claro algo que Susan já entendeu: intensidade não é necessariamente amor.

Depois vem Macbeth, usado por Liz Schaffer e Steven Reinhardt. Steven revela que sabe do filme pornográfico que Liz fez e que conseguiu comprar os negativos. Poderia estar protegendo-a. Naturalmente, não está. Ele transforma o segredo em moeda de troca e quer que Liz convença Terry a produzir a adaptação do ainda inédito Less Than Zero, de Bret.

Aqui a série volta ao seu modo mais camp, mais Murphy e menos Ellis. Liz vira praticamente Lady Macbeth por encomenda, encarregada de plantar a ideia na cabeça do marido. É divertido, mas também reforça um problema que The Shards carrega desde o começo: às vezes parece existir uma outra série inteira disputando espaço com a história do Trawler.

É quando chegamos a Hamlet que o episódio realmente encontra alguma força. A polícia começa a olhar para Bret. Os detetives descobriram que ele esteve na casa de Matt no dia de seu desaparecimento e sabem que Robert revelou informações sobre a relação dos dois. Também lembram a promessa que Bret fizera de ajudar Debbie na competição em que Cha Cha morreu. A obsessão em esconder sua sexualidade, portanto, começa a produzir exatamente aquilo que Bret mais teme: lacunas, mentiras e contradições que o transformam em suspeito.

Então alguém invade sua casa. Bret encontra um envelope com fotografias e uma fita VHS. O vídeo mostra seu encontro sexual com Terry, pai de Debbie. E talvez seja a cena mais importante do episódio porque, pela primeira vez, Bret adulto consegue olhar para aquilo que o Bret de 18 anos interpretou como escolha e reconhecer o desequilíbrio que existia ali. Terry era o adulto, poderoso e experiente, elogiando justamente a suposta maturidade de um garoto que queria desesperadamente acreditar que já entendia o mundo. Bret achava que estava no controle. Não estava.

E a frase que resume tudo talvez seja também a mais triste da temporada: naquela Los Angeles de 1981, Bret acreditava que seria menos aterrorizante ser identificado como um assassino serial do que ser revelado como homossexual. O Trawler pode destruir corpos. A vergonha está destruindo Bret por dentro. Mas ainda falta Robert.

A tia dele, Abigail, procura Bret e finalmente acrescenta uma peça importante ao quebra-cabeça. Depois da morte da mãe, Robert foi internado pelo pai. Foi ele quem encontrou o corpo dela. Mais inquietante ainda: no verão de 1980, Robert foi ao cinema assistir a The Shining acompanhado por Katherine Latchford, justamente a garota que depois se tornaria a primeira vítima conhecida do Trawler.

Para Bret, acabou. A equação está resolvida. Robert é o assassino. Só que então Robert aparece esperando por ele em seu quarto. E The Shards faz sua melhor escolha: não resolve absolutamente nada.

Robert pergunta por que Bret precisa tanto acreditar que ele seja um monstro. Admite depressão, ansiedade, os traumas relacionados à mãe, mas insiste que jamais machucou alguém. Bret olha para o homem que passou a temporada perseguindo, investigando, desejando e temendo e o beija.

Os dois terminam juntos na cama. Ou talvez não. O episódio deliberadamente deixa uma pequena rachadura entre aquilo que vemos e aquilo que realmente aconteceu. Até Igby Rigney e Homer Gere deram interpretações diferentes sobre a realidade da cena. Robert acorda ao lado de Bret e pronuncia justamente a frase inevitável de Hamlet: “To be or not to be.” E é aí que a escolha de Shakespeare finalmente deixa de parecer apenas um truque.

Bret é Hamlet porque vive preso entre certeza e dúvida. Ele quer provas, mas também quer Robert. Quer descobrir quem é o Trawler, mas talvez esteja usando o Trawler para não precisar descobrir quem ele próprio é. E, acima de tudo, é um narrador que está tentando transformar lembranças em história décadas depois, quando desejo, culpa, medo e memória já se misturaram demais para serem separados.

Essa sempre foi a parte mais fascinante de The Shards: não necessariamente descobrir quem matou quem, mas perguntar se Bret Easton Ellis consegue nos contar o que realmente aconteceu.

Murphy ainda explica demais. Ainda transforma subtexto em espetáculo e silêncio em cenas enormes. O recurso shakespeariano é, em vários momentos, tão óbvio que quase parece uma legenda piscando na tela. Mas Hamlet, curiosamente, funciona. Porque quando Bret finalmente consegue tocar o homem que passou a temporada inteira transformando-o em monstro, a pergunta deixa de ser “Robert é o Trawler?”. Passa a ser outra: quanto do monstro foi Robert e quanto dele Bret precisou inventar?

O final, “Stairway to Heaven”, chega em 9 de setembro. E agora The Shards tem apenas um episódio para decidir se pretende responder à pergunta ou fazer algo potencialmente mais interessante: deixar que nunca saibamos completamente a verdade.


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