Existe uma enorme expectativa em torno de Da Magia à Sedução 2, mas ela não pode ser explicada apenas pelo amor a Nicole Kidman, Sandra Bullock ou às irmãs Owens. As fãs querem voltar àquela casa, à cozinha, ao jardim, às poções, às margaritas da meia-noite e à fantasia de uma família de mulheres que enfrenta a violência masculina com magia e solidariedade. Querem saber o que aconteceu com Sally e Gillian, naturalmente, mas também desejam recuperar a sensação que tiveram quando as conheceram.
É justamente aí que começa o problema. Hollywood promete devolver personagens, roupas, músicas e cenários, mas o que parte do público procura não está dentro do filme. Está na mulher que cada espectadora era quando assistiu ao original pela primeira vez.

O fenômeno não começou agora. And Just Like That… mostrou como o reencontro pode ser simultaneamente prazeroso e desconfortável. As fãs queriam Carrie, Miranda e Charlotte de volta, mas desejavam, em algum nível, que elas permanecessem exatamente como haviam sido em Sex and the City. O problema é que Nova York mudou, as personagens envelheceram e as espectadoras também. Algumas mulheres que haviam acompanhado a série procurando amor, sexo e realização profissional agora estavam lidando com casamentos longos, divórcios, menopausa, filhos crescidos, perdas e a descoberta de que a vida adulta não terminou com o casamento de Carrie e Mr. Big.
É evidente que And Just Like That… teve problemas de roteiro, tom e caracterização. Nem toda resistência do público pode ser explicada como rejeição ao envelhecimento. Ainda assim, parte do choque veio de uma promessa que nenhuma continuação seria capaz de cumprir: reencontrar as personagens sem confrontar o tempo que passou.
O Diabo Veste Prada enfrenta uma expectativa semelhante. Basta colocar Meryl Streep novamente com os óculos escuros de Miranda Priestly, Anne Hathaway diante de um armário impecável e a trilha sonora certa para que milhões de mulheres sintam que estão voltando a 2006. Mas não estão. A relação com moda, trabalho, poder, ambição e abuso profissional mudou profundamente desde o primeiro filme.
Em 2006, Andy Sachs precisava escolher entre a carreira e a mulher que temia se tornar. Hoje, talvez olhássemos para sua jornada com perguntas diferentes. Miranda continua fascinante porque é brilhante, poderosa e cruel, mas a admiração contemporânea por mulheres difíceis já não deveria eliminar a discussão sobre as estruturas que elas reproduzem. O desafio da continuação será permitir que Miranda permaneça Miranda sem simplesmente tratar sua violência profissional como uma sucessão de frases divertidas e roupas maravilhosas.
Com Da Magia à Sedução, a nostalgia é ainda mais íntima. O filme de 1998 não foi um fenômeno imediato de crítica ou bilheteria. Sua verdadeira vida começou depois, na televisão, no vídeo, no DVD e nas incontáveis reprises que o transformaram em objeto de culto. Ele passou de uma espectadora para outra quase como uma herança afetiva. Muitas mulheres não apenas assistiram ao filme, mas cresceram com ele.

A história das irmãs Owens também ganhou novos significados com o tempo. Por trás da estética confortável, das velas e da casa dos sonhos, sempre existiu uma narrativa sobre violência doméstica, medo, culpa, independência e uma linhagem de mulheres punidas por serem consideradas diferentes. Sally tenta construir uma vida normal porque acredita que a normalidade poderá protegê-la. Gillian transforma liberdade em fuga. As duas descobrem que não sobreviverão sozinhas, mas também que a comunidade que antes julgava as Owens poderá ajudá-las quando finalmente reconhecer o perigo diante delas.
Por isso, reduzir Da Magia à Sedução a uma coleção de referências visuais seria trair aquilo que fez o filme sobreviver. As fãs querem rever a casa, o jardim e as tias, mas o cenário só importa porque um dia representou a possibilidade de existir fora das regras. A magia nunca esteve apenas nos feitiços. Estava na ideia de que mulheres consideradas estranhas, excessivas ou inadequadas poderiam criar seu próprio espaço de proteção.
É claro que Hollywood compreendeu o valor comercial desse vínculo. Durante décadas, os estúdios perseguiram a juventude como se mulheres maduras desaparecessem culturalmente depois de determinada idade. Agora descobriram que essas mesmas mulheres formam um público fiel, emocionalmente envolvido e disposto a pagar para reencontrar histórias que marcaram sua formação. O avanço é relativo, porque, em vez de criar muitas narrativas novas para elas, a indústria frequentemente prefere devolver versões cuidadosamente embaladas de sua juventude.
A nostalgia funciona porque oferece reconhecimento imediato. Não é necessário apresentar personagens, construir universos ou convencer o público a se importar. O afeto já existe. Sandra Bullock e Nicole Kidman não precisam explicar quem são Sally e Gillian. O simples reencontro das duas já carrega quase três décadas de memória emocional.
Mas esse também é o perigo. Uma continuação não pode ser apenas um museu no qual as personagens entram para repetir gestos conhecidos. Sally e Gillian envelheceram. As filhas cresceram. As mulheres que amaram o primeiro filme também enfrentaram perdas, transformações, relações difíceis e a descoberta de que nenhum feitiço impede o tempo de passar. Se o novo filme compreender isso, poderá falar sobre herança, envelhecimento, maternidade, irmandade e aquilo que transmitimos às mulheres que vêm depois de nós.
Se não compreender, restarão a casa, as velas, os figurinos e a satisfação momentânea de reconhecer cada referência. Será agradável, talvez emocionante, mas não necessariamente mágico.
Porque as fãs não estão voltando apenas para descobrir o que aconteceu com as irmãs Owens. Elas querem reencontrar as mulheres que eram quando acreditaram, pela primeira vez, que aquela casa existia em algum lugar. Hollywood pode reconstruir o cenário, reunir o elenco e tocar novamente a música certa. O que não pode fazer é devolver a ninguém a própria juventude.
Talvez a verdadeira magia de Da Magia à Sedução 2 esteja justamente em não tentar.

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