Lioness T.3, Ep.7 (Recap): Joe é resgatada e surge uma nova ameaça

Atenção: este texto contém spoilers completos do episódio 7 da terceira temporada de Lioness, “Kiss the Girls”.

Depois de passar praticamente a temporada inteira construindo o sequestro de Joe, Lioness toma uma decisão inteligente em “Kiss the Girls”: não espera a finale para resgatá-la. Joe volta para o seu time relativamente cedo no episódio. Babat tem o destino que estávamos esperando e, quando parece que finalmente podemos respirar, Taylor Sheridan muda a pergunta. O problema já não é mais “quem levou Joe?”, mas algo potencialmente muito maior: e se toda essa guerra entre russos, iranianos e americanos tiver sido manipulada por alguém que aparentemente estava do lado dos Estados Unidos?

O episódio começa exatamente onde “Sugar Land” nos deixou. Com o avião que deveria retirar Joe dos Estados Unidos inutilizado, Babat precisa improvisar. Em vez de uma operação discreta, começa a transportar a agente por estradas do Texas, em comboio, enquanto Kaitlyn, Byron, Kyle e o restante da equipe mobilizam praticamente tudo o que podem para encontrá-la. Pela primeira vez nesta temporada, aliás, Lioness abandona a estrutura de duas linhas temporais e permanece no presente. E faz diferença. A urgência finalmente deixa de ser interrompida por flashbacks.

O resgate de Joe

A situação explode quando policiais tentam interceptar o comboio e aquilo que deveria ser uma abordagem se transforma rapidamente em um tiroteio. É a espécie de sequência que Lioness sabe fazer muito bem: confusa, barulhenta, cheia de gente tentando entender quem está atirando em quem, enquanto Joe percebe imediatamente que o caos pode ser sua única oportunidade.

Ela consegue sair do veículo e corre. Há algo particularmente importante nisso. Joe não é simplesmente “salva” pelos homens e mulheres que chegaram para buscá-la. Mesmo machucada, depois de seis dias em cativeiro, torturada e com um dedo do pé amputado por Babat, ela ainda participa ativamente da própria fuga. Mas também não surge dali como a supermulher indestrutível que tantas vezes vimos na série. Ela precisa de ajuda.

E antes que essa ajuda chegue, Joe consegue uma pequena e extremamente satisfatória vingança: ela mata Babat. Depois de todas as ameaças que ele fez, de tudo o que prometeu fazer com ela quando chegasse ao Irã e da brutalidade do episódio anterior, sua passagem pela série acaba sendo surpreendentemente curta. Joe atira nele antes de finalmente ser alcançada pelo próprio time.

Então vem, para mim, a melhor cena do episódio. Cruz chega até Joe e Joe desmorona. Não é a agente da CIA, não é a chefe que sempre tem uma ordem para dar, não é a mulher que entra em qualquer sala lembrando a todos que é a oficial de patente mais alta presente. É simplesmente uma mulher que passou seis dias acreditando que seria levada para o Irã, torturada publicamente e morta. Ela cai nos braços de Cruz chorando, enquanto Bobby e os outros finalmente conseguem diminuir a tensão ao redor dela. É uma cena curta, mas talvez uma das mais humanas que Zoe Saldaña teve em toda a série.

Mas então quem organizou tudo?

É aqui que “Kiss the Girls” fica realmente interessante. Até agora fomos conduzidos por várias respostas sucessivas. Primeiro, Rússia. Depois percebemos que russos e bielorrussos estavam executando a operação, mas talvez não fossem os mandantes. Oleksandra ajudou Kyle a identificar o método de extração e concluiu que o Irã estava pagando para levar Joe para fora dos Estados Unidos. Babat confirmou que os iranianos queriam Joe por tudo o que ela havia feito contra os interesses do país. Parecia resolvido. Não está.

Kaitlyn e o marido começam a olhar para a operação de outra maneira. Quem ganhou com tudo isso? A Rússia perdeu agentes, viu sua rede americana destruída e criou uma enorme crise diplomática com Washington. O Irã gastou uma fortuna, perdeu seus operadores e não conseguiu levar Joe. Os Estados Unidos tiveram seu sistema de inteligência praticamente aberto diante dos inimigos.

Mas há um país que potencialmente se beneficia do enfraquecimento das relações entre Washington e Moscou e que, ao mesmo tempo, tinha acesso a informações suficientes para colocar as primeiras peças em movimento: a Ucrânia. E então voltamos inevitavelmente a Oleksandra Balakin.

A hipótese levantada no episódio é perturbadora justamente porque Oleksandra foi fundamental para que os americanos chegassem até Joe. Ela forneceu as pistas, explicou os procedimentos russos, identificou as rotas e praticamente desenhou para Kyle como a extração funcionaria. Mas e se ela soubesse tudo isso porque, de alguma forma, estava ligada à operação desde o início?

Kiss the Girls não confirma isso. É importante deixar claro. O episódio transforma Oleksandra na principal suspeita e apresenta uma teoria segundo a qual ela poderia ter usado russos, bielorrussos e iranianos para criar uma enorme crise entre potências enquanto protegia os interesses ucranianos. Mas ainda é uma teoria — e justamente por parecer tão conveniente, desconfio que a finale ainda tenha outra camada escondida.

E nossa teoria sobre Aaliyah?

Confesso que aqui Lioness me pegou. Nas últimas semanas, todas as pistas iranianas pareciam nos levar de volta à primeira temporada. A russa que reconheceu Cruz, as referências à operação em que o pai e o marido de Aaliyah morreram e, principalmente, o fato de Cruz ter sido efetivamente a Lioness daquela missão tornavam possível imaginar que o sequestro de Joe fosse finalmente conectar a terceira temporada à primeira.

“Aaliyah está viva?” continuava sendo uma pergunta deliciosa. “Kiss the Girls” aparentemente nos afasta dessa resposta. Babat morre; o Irã parece ter sido mais uma peça do tabuleiro e a história se desloca para Oleksandra e a Ucrânia. Ainda assim, existe uma frase que continua me incomodando: Joe é tratada como a Lioness original. Se Sheridan está voltando à origem do programa e às consequências de tudo o que Joe fez ao longo de tantos anos, talvez a primeira temporada ainda não tenha desaparecido completamente dessa história. A própria reação dos fãs ao episódio já está dividida entre quem aceita Oleksandra como a grande arquiteta e quem acha essa solução simples demais.

Joe volta, mas não volta para casa

E talvez a cena mais importante para entender Joe venha depois do resgate. Neal e as filhas estão esperando. Kaitlyn promete que Joe voltará para casa. Ela realmente chega até lá, mas não entra. Depois de tudo o que aconteceu, a casa deixou de representar segurança para Joe. A guerra chegou à sua porta, seus filhos foram colocados em risco, ela foi sequestrada da própria vida e, quando finalmente pôde voltar, sua reação foi procurar novamente aquilo que sabe fazer: trabalhar. Joe prefere retornar à CIA.

É uma escolha devastadora para Neal, mas completamente coerente com a personagem. Durante três temporadas, Lioness vem perguntando se Joe conseguirá algum dia separar a agente da mulher, da esposa e da mãe. “Kiss the Girls” talvez finalmente dê a resposta: ela não sabe mais como.

Até o título dói por causa disso. “Kiss the girls for me” é uma frase que Joe já usou com Neal antes de partir para missões. Na segunda temporada, houve inclusive o momento em que ele se recusou a fazer isso e respondeu que ela própria poderia beijar as filhas quando decidisse voltar para casa. Agora Joe sobrevive ao pior pesadelo possível, chega diante da própria casa… e continua sem conseguir entrar.

E existe ainda uma brincadeira irresistível: Kiss the Girls também é o título do thriller de 1997 protagonizado por Morgan Freeman, hoje Secretário Mullins em Lioness. Pode ser apenas coincidência, mas com Sheridan eu jamais descartaria completamente a piscadinha.

Resta apenas um episódio. A finale, “The Unraveling”, chega em 20 de setembro e o próprio título já sugere que tudo aquilo que parecia resolvido começará a desmoronar. Joe está viva. Babat está morto. O Irã foi exposto, mas agora talvez seja Oleksandra quem esteja no centro do alvo. E, conhecendo Lioness, provavelmente ainda estamos mirando a pessoa errada.


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