Lizzie Borden: o que a série acertou e tudo o que fantasiou

A história de Lizzie Borden chegou até nós na forma de uma cantiga infantil: Lizzie teria dado 40 machadadas no pai e 41 na madrasta. Oficialmente não é verdade: nem o número de golpes, nem a culpa de Lizzie, absolvida em 1893, mas a rima sobreviveu porque oferece aquilo que o caso real jamais entregou: uma resposta.

É justamente essa resposta que Monstro: A História de Lizzie Borden tenta construir. A série parte de personagens e acontecimentos verdadeiros, acrescenta rumores acumulados ao longo de mais de um século e finalmente apresenta sua própria solução. Nela, Lizzie não apenas comete os assassinatos, como também divide o crime com Bridget Sullivan, a empregada da família e sua amante. O problema é que isso é ficção.

Rebecca Hall está ótima como Abby, mas é Vicky Krieps quem imprime à série aquela atmosfera de drama de época na qual as mulheres parecem passar a vida tentando respirar dentro de roupas, casas e regras estreitas demais. A atriz interpreta Bridget e também a condessa Elizabeth Báthory, numa duplicação simbólica criada para aproximar mulheres acusadas de crimes brutais.

Funciona dramaticamente. Historicamente, é outra história.

O crime que realmente aconteceu

Andrew e Abby Borden foram assassinados dentro de casa, em Fall River, no dia 4 de agosto de 1892. Abby morreu primeiro, no quarto de hóspedes. Aproximadamente 90 minutos depois, Andrew foi atacado enquanto descansava no sofá da sala.

Os golpes foram numerosos e brutais, mas não chegaram aos 40 e 41 eternizados pela cantiga: Abby recebeu cerca de 18 ou 19; Andrew, dez ou 11. A série reproduz corretamente a localização dos corpos, a ordem das mortes e boa parte da estranha movimentação daquela manhã.

Bridget Sullivan, a empregada irlandesa que os Bordens chamavam de Maggie, realmente estava lavando as janelas. O irmão da primeira mulher de Andrew, John Morse, havia dormido na casa e esteve entre as últimas pessoas a ver o casal vivo. Chegou a despertar suspeitas, embora apresentasse um álibi quase meticulosamente perfeito.

Lizzie afirmou que passara parte da manhã no celeiro, procurando chumbo para usar como peso numa linha de pesca e comendo peras. Disse ainda que Abby havia saído depois de receber um bilhete chamando-a para visitar uma amiga doente. O problema é que ninguém encontrou esse bilhete — nem a amiga.

Esses são elementos reais de um crime que já parecia escrito como ficção antes mesmo de Ryan Murphy chegar perto dele.

Lizzie tentou envenenar a família?

Pouco antes dos assassinatos, os moradores da casa passaram mal. A explicação mais provável foi uma intoxicação provocada por comida estragada, algo nada incomum numa época sem refrigeração adequada.

Também houve a alegação de que Lizzie tentara comprar ácido prússico numa farmácia, mas o farmacêutico se recusou a vendê-lo. A informação acabou excluída do julgamento porque os juízes consideraram que não havia ligação suficiente entre a tentativa de compra e mortes provocadas por golpes de machado.

A série junta os dois acontecimentos e transforma a indisposição dos Bordens numa tentativa deliberada de envenenamento promovida por Lizzie e Bridget. É uma boa preparação dramática para o crime. Como fato histórico, não se sustenta.

O mesmo vale para as ostras envenenadas: funcionam na narrativa, mas não provam que as duas mulheres já estivessem testando maneiras de se livrar da família.

O vestido queimado e outras suspeitas verdadeiras

Nem tudo precisou ser inventado para tornar Lizzie suspeita. Dias depois dos crimes, sua amiga Alice Russell realmente a viu queimando um vestido. Lizzie explicou que a roupa estava manchada de tinta. Para a acusação — e para todas as gerações que vieram depois —, parecia conveniente demais.

Emma, porém, confirmou no tribunal que o vestido já estava estragado e afirmou ter sido ela quem sugerira que a irmã se desfizesse da peça.

Também foram encontrados machados e machadinhas no porão da casa. Nenhum deles foi identificado de maneira conclusiva como a arma dos assassinatos.

A coleção de machados de Andrew, incluindo as ferramentas quase fetichizadas pela série, não existiu. Havia utensílios numa casa do século 19, não um arsenal particular cuidadosamente cultivado pelo patriarca.

Andrew Borden não era exatamente dono de uma funerária

A série utiliza um pedaço verdadeiro da biografia de Andrew e o amplia até transformá-lo numa história de horror. Quando jovem, ele trabalhou com móveis, caixões e serviços funerários. Em 1892, entretanto, já era um empresário muito rico, proprietário de imóveis, investidor e diretor de bancos e fábricas.

Não existe evidência de que ainda administrasse uma funerária na época dos crimes. Muito menos de que mutilasse cadáveres para fazê-los caber em caixões baratos.

A cena em que uma cliente o agride na rua também foi inventada. Serve para mostrar que a crueldade e a avareza de Andrew teriam produzido inimigos por toda Fall River, mas não há registro histórico desse ataque.

Andrew era abusivo?

Andrew tinha fama de avarento, controlava rigidamente o dinheiro da família e impunha às filhas adultas uma vida consideravelmente mais austera do que sua fortuna permitiria. A casa dos Bordens, por exemplo, ficava numa região comercial, distante do bairro elegante onde Lizzie gostaria de viver.

A série vai muito além dessas informações e sugere que ele engravidou a empregada, Maggie. Não existe evidência histórica para nenhuma dessas acusações.

Isso não significa que Andrew fosse um pai afetuoso ou um homem fácil. Significa apenas que uma coisa é interpretar a estrutura opressiva daquela família; outra é apresentar gravidez como fatos.

Lizzie e Abby realmente não se davam bem

A tensão entre Lizzie e a madrasta é um dos aspectos mais plausíveis da série. Lizzie não tratava Abby como mãe e se referia a ela como “Mrs. Borden”. Havia ressentimentos relacionados ao dinheiro de Andrew e às propriedades que ele destinava à família da segunda mulher.

Mas a produção transforma essa relação ruim numa guerra aberta. Não há prova de que Abby espancasse Lizzie, Bridget ou outras mulheres. Seu diário comprometedor também é uma invenção, assim como a ideia de que ela e Andrew estavam se separando. O médico da família descreveu o relacionamento do casal como cordial.

E Abby não matou os pombos de Lizzie. Quem matou algumas das aves foi Andrew, aparentemente por considerá-las um incômodo ou uma possível fonte de doença. O episódio aconteceu, mas não sabemos se os pombos eram os animais profundamente amados que a mitologia posterior transformou em mais um motivo para o crime.

Bridget existiu. A amante e cúmplice, não

Bridget Sullivan era a empregada dos Bordens e estava na casa no momento dos assassinatos. A família a chamava de Maggie, aparentemente repetindo o nome de uma funcionária anterior. É uma daquelas pequenas desumanizações domésticas que dizem muito sem precisar da ajuda de um roteirista.

Não existe, porém, evidência de que Bridget e Lizzie tenham sido amantes. Também não há prova de que Bridget estivesse grávida de Andrew, ajudasse Lizzie a envenenar a família ou participasse das mortes.

Na versão definitiva escolhida pela série, Lizzie mata Abby, Bridget ataca Andrew e as duas terminam juntas o serviço. Essa não é uma teoria histórica estabelecida: é a solução criada pelos roteiristas.

A liberdade representada pelos cabelos soltos de Bridget tem ao menos uma base cultural. Mulheres adultas respeitáveis costumavam usar o cabelo preso em público. Soltá-lo poderia sugerir intimidade, sexualidade ou rebeldia. Mas o simbolismo pertence à série; não há registro de que a verdadeira Bridget utilizasse o cabelo dessa maneira como gesto de emancipação.

Bridget foi embora logo depois?

Mais ou menos. Bridget não permaneceu ligada às irmãs Borden, mas também não desapareceu de Fall River imediatamente depois dos crimes.

Ela continuou na região durante a investigação e foi uma testemunha importante no julgamento de Lizzie, em junho de 1893. Somente mais tarde se mudou para Anaconda, em Montana, provavelmente por volta de 1897. Casou-se com John Sullivan em 1905 e levou uma vida discreta até morrer, em 1948.

Se a série sugere que Bridget partiu depois do julgamento, está condensando uma trajetória verdadeira. Se a impressão é de que fugiu imediatamente depois dos assassinatos, a cronologia foi acelerada.

Seu silêncio ajudou a alimentar teorias de que teria recebido dinheiro para desaparecer. Nenhuma prova desse pagamento foi encontrada. Segundo familiares, Bridget praticamente não falava sobre o caso.

Emma morava na casa e defendeu Lizzie

Emma, a irmã mais velha de Lizzie, nunca se casou e morava com a família. Apenas não estava em Fall River no dia dos crimes: encontrava-se visitando amigos em Fairhaven.

Ela realmente testemunhou a favor da irmã, mas seu depoimento foi muito menos emocionante — e mais estratégico — do que a série faz parecer.

Emma confirmou a história do vestido manchado de tinta e afirmou que ela própria aconselhara Lizzie a queimá-lo. Também negou o relato de uma funcionária da prisão segundo o qual Lizzie teria dito: “Emma, você me entregou, não foi?”. Emma ainda prestou informações sobre as propriedades da família e os presentes financeiros feitos pelo pai, ajudando a defesa a enfraquecer a tese de que Lizzie matara exclusivamente por herança.

Isso não significa que tenha feito um grande discurso sobre a inocência da irmã. Emma limitou-se a contestar elementos que poderiam ser utilizados pela acusação. Não disse possuir qualquer informação capaz de provar quem cometeria os crimes.

Publicamente, entretanto, Emma sustentou que Lizzie era inocente. Depois da absolvição, as duas compraram Maplecroft, uma casa muito mais elegante, e viveram juntas durante aproximadamente 12 anos.

Emma deixou a residência em 1905, alegando que as condições haviam se tornado “absolutamente insuportáveis”. Nunca explicou publicamente o que isso significava. As duas não voltaram a se falar e morreram com apenas nove dias de diferença, em 1927.

Portanto, Emma realmente defendeu Lizzie e o rompimento posterior também aconteceu. O que a série inventa são as falas, a cronologia e a ideia de que Emma soubesse exatamente o que havia acontecido e escolhesse mentir para salvar a irmã.

Nance O’Neil chegou mais de dez anos depois

Nance O’Neil existiu e foi uma atriz famosa. Também manteve uma amizade próxima com Lizzie, o que produziu rumores de que as duas fossem amantes. O romance é possível, mas jamais foi comprovado.

O problema é a cronologia. Nance conheceu Lizzie por volta de 1904, mais de uma década depois dos assassinatos e do julgamento.

Ela não jantou com Andrew e Abby. Também não esteve no julgamento e não preparou Lizzie para interpretar o papel de filha inocente. A cena em que ajuda a acusada a construir sua performance diante do júri é uma invenção completa.

Houve, sim, um jantar envolvendo Lizzie, Nance e integrantes de sua companhia teatral. Mas aconteceu em Maplecroft, muitos anos depois. A série transporta Nance para 1892 porque ela é boa demais como personagem para ser deixada no futuro.

A condessa sanguinária e o livro conveniente

Elizabeth Báthory, a chamada Condessa de Sangue, foi uma aristocrata húngara acusada de torturar e matar numerosas jovens. Não foi submetida a um julgamento formal e terminou a vida confinada.

A famosa história de que se banhava no sangue das vítimas surgiu posteriormente e não aparece nos depoimentos contemporâneos. O número de 650 mortas também deve ser tratado com cautela: deriva de um relato tardio, não de uma contagem comprovada.

Na série, Vicky Krieps interpreta tanto Bridget quanto Báthory, estabelecendo uma ligação simbólica entre as duas mulheres. É uma escolha de elenco interessante, não uma conexão histórica.

Não existe evidência de que Lizzie conhecesse profundamente a história da condessa ou encontrasse nela inspiração. O livro francês entregue a ela funciona como presságio, mas pertence à ficção.

Sim, houve outro assassinato a machadadas em Fall River

Bertha Manchester foi realmente assassinada com um machado em Fall River, em maio de 1893, cerca de nove meses depois dos Bordens e pouco antes do julgamento de Lizzie.

É um daqueles fatos tão perfeitos para uma série que quase parecem inventados. A produção, contudo, incorpora o caso à conspiração: Bridget teria sido “emprestada” para trabalhar na casa de Bertha, sofrido agressões e criado mais um elo entre as mulheres.

Não há prova de que Bridget tenha trabalhado naquela casa, de que tenha apanhado ou de que Bertha fosse amiga íntima de Abby. Lizzie tampouco poderia ter cometido o segundo crime: estava presa aguardando julgamento. José Correa de Mello, um trabalhador da propriedade, confessou e foi condenado.

Dois crimes com machado na mesma cidade em menos de um ano? Verdade. A ligação secreta entre eles? Fantasia.

As cabeças foram realmente cortadas

Esse é um dos detalhes mais macabros da série e um dos que aconteceram.

Durante uma segunda autópsia, realizada cerca de uma semana depois dos assassinatos, as cabeças de Andrew e Abby foram removidas. Os crânios foram preparados e preservados como evidência, permitindo que os médicos comparassem as marcas dos ferimentos com os machados apreendidos.

Em 5 de junho de 1893, eles foram apresentados no tribunal. Lizzie desmaiou ao vê-los.

O desmaio está registrado; sua motivação, evidentemente, não. Pode ter sido choque genuíno, horror diante dos restos mortais do pai e da madrasta, calor ou até uma reação teatralmente conveniente.

É um dos raros momentos em que Ryan Murphy não precisou aumentar o horror. O julgamento real já havia colocado sobre uma mesa, diante da acusada e do júri, as caveiras das vítimas.

Sem problema. Eu colocaria este trecho imediatamente antes de “As duas versões dos assassinatos”:

Lizzie foi realmente inocentada?

Sim. Lizzie Borden foi julgada pelos assassinatos de Andrew e Abby e absolvida em 20 de junho de 1893. O júri, formado exclusivamente por homens, levou cerca de 90 minutos para chegar ao veredicto de not guilty.

Mas existe uma diferença importante entre ser absolvida e ter a inocência comprovada. O julgamento concluiu que a acusação não demonstrara a culpa de Lizzie além de uma dúvida razoável. Não estabeleceu quem havia cometido os crimes nem apresentou uma prova positiva de que ela não os cometera.

O caso contra Lizzie era inteiramente circunstancial. Não havia testemunha dos assassinatos, sangue nas roupas que ela usava, confissão ou arma definitivamente ligada aos golpes. A investigação também havia sido conduzida de maneira confusa, com a casa cheia de vizinhos e pessoas circulando antes que a cena fosse devidamente preservada.

Além disso, duas peças potencialmente prejudiciais ficaram fora do julgamento. O júri não ouviu o depoimento contraditório que Lizzie dera durante o inquérito, porque ela havia sido interrogada sem advogado e numa situação considerada coercitiva. A suposta tentativa de comprar ácido prússico também foi excluída por não ter ligação direta com mortes provocadas por machadadas.

Sua posição social e seu gênero provavelmente ajudaram. Para muitos homens daquela época, era difícil imaginar que uma mulher branca, solteira, religiosa e de família respeitável fosse capaz de tamanha violência. O promotor precisava convencer o júri não apenas de que Lizzie matara duas pessoas, mas de que uma mulher como ela poderia ter feito aquilo.

Lizzie saiu livre do tribunal e declarou ser “a mulher mais feliz do mundo”. Fall River, entretanto, nunca lhe concedeu a mesma absolvição. Ela continuou socialmente marcada, foi evitada por parte da comunidade e permaneceu como a principal suspeita popular até sua morte.

Portanto, sim: Lizzie foi inocentada no sentido jurídico. No sentido histórico, o máximo que podemos afirmar é que foi absolvida. A Justiça encerrou o julgamento; o mistério continuou aberto.

As duas versões dos assassinatos

A série apresenta duas versões. Primeiro, recupera a imagem popular de Lizzie empunhando o machado sozinha. Depois oferece aquilo que considera sua revelação: Lizzie e Bridget cometeram os crimes juntas.

Nenhuma das duas foi comprovada.

Lizzie foi julgada e absolvida em junho de 1893 por um júri formado exclusivamente por homens. A deliberação durou cerca de 90 minutos. Ela jamais confessou, Bridget nunca foi acusada como cúmplice e a arma do crime não foi determinada com segurança.

A série não resolve um mistério histórico. Escolhe uma resposta e a encena com a autoridade de quem finalmente encontrou a peça desaparecida.

Aileen Wuornos: Paulson está ótima, mas o desvio continua forçado

Sarah Paulson está, mais uma vez, incrível. Isso não impede que a passagem de Aileen Wuornos pareça um desvio concebido para preencher a temporada e conectar duas mulheres transformadas em monstros pela cultura popular.

Não existe evidência de que Aileen se apresentasse como Lizzie Borden, fosse obcecada por ela ou mantivesse diálogos imaginários com a suposta assassina.

Já existiam muitos livros sobre Lizzie na época de Aileen — o primeiro relato importante foi publicado em 1893 —, portanto seria perfeitamente possível que ela conhecesse o caso. O que não existe é qualquer comprovação de que lesse esses livros ou se identificasse com Lizzie.

Também é impossível que tenha se hospedado na casa dos crimes como a série sugere. Aileen foi presa em 1991. A antiga residência dos Bordens somente abriu como pousada em 1996. People

Paulson salva Aileen como personagem. Aileen não salva a série do cheiro de enchimento.

A casa virou hotel?

A Casa dos crimes continua em Fall River e funciona desde 1996 como pousada temática e museu. Não é exatamente um hotel convencional, mas um bed and breakfast no qual visitantes podem dormir nos quartos históricos — inclusive naquele onde Abby foi encontrada —, fazer visitas guiadas e participar de experiências sobrenaturais.

De certa maneira, é o destino perfeito para a história de Lizzie Borden. A casa onde ninguém conseguiu provar o que aconteceu transformou a dúvida em atração turística. Lizzie Borden House

Entre o fato e a fantasia

Monstro acerta o cenário, a cronologia básica, os corpos, o vestido queimado, o bilhete desaparecido, o mal-estar da família, os crânios exibidos no tribunal, o apoio de Emma e a absolvição de Lizzie. Também compreende algo verdadeiro sobre aquela casa: era um ambiente sufocante, atravessado por dinheiro, ressentimento, hierarquia e mulheres sem autonomia.

O que a série não possui são provas para quase tudo aquilo que apresenta como explicação. O romance com Bridget, a parceria nos assassinatos, os abusos sexuais de Andrew, a gravidez, o diário de Abby, a intervenção de Nance, a inspiração em Báthory, a vingança contra Bertha Manchester e a identificação de Aileen com Lizzie foram inventados ou enormemente ampliados.

Talvez seja impossível contar essa história sem fantasiar. O próprio caso sobreviveu porque cada geração colocou dentro dele os seus medos e desejos: a filha monstruosa, a mulher reprimida, a amante secreta, a vítima que revida, a assassina que o patriarcado se recusou a condenar.

Ryan Murphy faz o mesmo. A diferença é que, desta vez, a fantasia chega vestida de verdade.


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