Youth: por que uma mulher de 50 anos tem pressa de amar?

O título Youth contém uma promessa que sua protagonista não consegue aceitar inteiramente. A série toma emprestada uma frase atribuída a Victor Hugo: se os 40 são a velhice da juventude, os 50 seriam a juventude da velhice. É uma maneira generosa de dizer que outra fase está começando. Alex, porém, faz uma conta bem menos generosa. Aos 50 anos, acredita que talvez lhe restem apenas dez como pessoa sexualmente atraente. A pergunta que move a comédia de Sharon Horgan não é apenas se ela encontrará alguém. É o que acontece com uma mulher quando começa a viver como se o próprio desejo tivesse data de validade.

Criada, escrita e protagonizada por Horgan, Youth estreou na HBO Max em 20 de setembro com dois episódios; os outros seis serão lançados semanalmente. Alex é uma agente literária divorciada que tenta trabalhar, cuidar dos pais idosos e acompanhar o filho, Ruari, justamente quando imagina que ele está prestes a sair de casa. É nesse espaço que ela espera recuperar uma vida amorosa própria. Só que Ruari volta inesperadamente da universidade, os pais precisam cada vez mais dela e o ex-marido oferece pouca ajuda. A liberdade pela qual Alex esperou não chega a durar nem uma semana.

Horgan conhece esse tipo de caos. A atriz, roteirista e produtora irlandesa ajudou a criar Pulling, escreveu e estrelou Catastrophe e construiu em Bad Sisters uma história de mulheres unidas tanto pelo amor quanto pela raiva. Suas personagens dizem coisas cruéis, fazem escolhas ruins e raramente encontram conforto nas frases edificantes que a televisão gosta de oferecer a mulheres maduras. Em Youth, ela volta a esse terreno, mas troca o crime e os grandes acontecimentos por uma pergunta cotidiana: quando todos continuam precisando de você, em que momento sua vida volta a lhe pertencer?

O elenco ajuda a impedir que Alex vire apenas “a mulher atrapalhada em busca de um homem”. Sharlene Whyte interpreta Sam, sua amiga e chefe, em uma relação em que intimidade e trabalho nem sempre cabem confortavelmente no mesmo lugar. Aran Murphy (filho de Cillian Murphy e seu xérox) vive Ruari, o filho cuja volta para casa interrompe os planos da mãe e sugere uma crise que ela ainda não compreende. Owen McDonnell interpreta Lorcan, o ex-marido e pai pouco presente. Rupert Friend é Patrick, parceiro de encontros e desencontros com quem Alex mantém uma intimidade que parece mais fácil de administrar enquanto ninguém exige definições. Tim McInnerny aparece como Michael, um homem mais velho apresentado por Sam. Damian Lewis faz uma participação como uma versão de si mesmo, um ator com pretensões literárias; Anne Reid interpreta uma escritora veterana com quem Alex precisa lidar profissionalmente.

É no encontro entre todas essas obrigações que a série encontra sua melhor comédia. Alex quer sexo e não há motivo para duvidar dela. Mas frequentemente parece anunciar que deseja apenas sexo para não precisar admitir que também quer ser escolhida, conhecida e amada. Dizer que não espera nada é uma proteção conveniente quando se teme ouvir que ninguém pretende ficar. Horgan é especialmente boa em mostrar a distância entre a mulher livre que Alex gostaria de ser e aquela que, depois de um encontro frustrante, ainda volta para casa perguntando o que fez de errado.

Isso não significa que Youth tenha inventado uma protagonista nova. A mulher inteligente, neurótica, verbalmente afiada e desastrosa no amor já é uma conhecida da televisão. O que torna Alex mais interessante é sua convicção de que agora cada erro custa mais caro. Um encontro ruim aos 30 pode virar uma história engraçada. Aos 50, para ela, parece significar uma chance a menos dentro de um prazo que ninguém além dela estabeleceu.

A série abre com imagens inspiradoras de mulheres que realizaram muito depois dos 50. Alex assiste, mas a mensagem de que ainda há tempo não parece produzir alívio. Ela vive o contrário da promessa: a sensação de que precisa aproveitar imediatamente o que lhe resta. É uma pressão reconhecível numa cultura que vende a maturidade feminina como libertação enquanto continua a medir o valor sexual das mulheres pela juventude. Alex pode dizer que não se importa com essa régua. Sua pressa mostra que ainda se importa.

Os dois primeiros episódios receberam uma acolhida predominantemente favorável. As críticas destacaram o humor incômodo de Horgan e sua capacidade de juntar sexo, menopausa, trabalho e cuidado familiar sem transformar Alex numa lição de vida. Houve também ressalvas: uma avaliação do Independent considerou que a produção suaviza parte da aspereza habitual da autora. É cedo, sobretudo para quem acompanha apenas os episódios já lançados, para decidir se a série irá desafiar de fato o medo de Alex ou se continuará a utilizá-lo como motor de situações engraçadas.

Por enquanto, gosto de Youth, mas é justamente essa dúvida que me faz querer continuar. Horgan permite que Alex seja sexual, carente, competente, ridícula e exausta ao mesmo tempo, sem exigir que uma dessas características anule as outras. Espero apenas que, antes do fim, ela comece a desconfiar da própria conta. Talvez os 60 não sejam o limite de sua atratividade. Talvez seja apenas a idade que Alex aprendeu a temer antes mesmo de chegar lá.


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