Nijinsky e o diário que transformou a psicose em lenda

Há noventa anos, em 1936, o público recebeu aquilo que parecia ser um acesso impossível à mente de Vaslav Nijinsky. O maior bailarino de seu tempo havia escrito durante seis semanas, em 1919, enquanto perdia progressivamente o contato com a realidade. Seus diários permitiam acompanhar quase em tempo real a entrada de um grande artista na psicose. O problema é que aquele não era exatamente o diário de Nijinsky. Era o Nijinsky que sua mulher, Romola, decidira entregar ao mundo.

Ela eliminou quase metade do material original, retirou referências sexuais a Sergei Diaghilev, suavizou críticas dirigidas a si mesma e reorganizou passagens que considerava inconvenientes. Em lugar do homem contraditório, sexual, ressentido, politicamente angustiado e muitas vezes hostil que emergia dos cadernos, Romola ajudou a construir uma figura mais palatável: o gênio puro, quase santo, cuja mente brilhante havia sido destruída pela esquizofrenia.

A versão integral dos diários só seria publicada em 1995. Até então, durante quase seis décadas, o mundo conheceu não apenas um texto censurado, mas uma doença editada. Ainda assim, mesmo mutilado, o livro teve enorme importância. Nijinsky era uma celebridade mundial e seu diário se tornou um dos primeiros documentos amplamente conhecidos a permitir que o público observasse a experiência da psicose por dentro, escrita não depois de uma recuperação, mas enquanto acontecia.

A publicação também ajudou a unir duas ideias que o século XX adoraria repetir: genialidade e loucura. Desde então, praticamente tudo em Nijinsky passou a ser relido à luz do diagnóstico. Sua timidez, sua sexualidade, o relacionamento com Diaghilev, a dificuldade de conversar, as coreografias revolucionárias, a última apresentação e até os famosos saltos ganharam retrospectivamente o peso de sinais que, supostamente, sempre estiveram ali.

Mas estavam mesmo?

Antes da doença, o Deus da Dança

Nijinsky não ficou famoso por ter enlouquecido. Quando sua saúde mental começou a se deteriorar, ele já era o bailarino mais celebrado do Ocidente. Com os Ballets Russes de Diaghilev, ajudara a devolver protagonismo ao bailarino masculino numa arte que, na Europa, havia passado décadas concentrada quase inteiramente nas mulheres.

Sua técnica parecia impossível. Os relatos falavam de saltos tão altos que criavam a ilusão de que ele parava no ar antes de descer. Mas sua singularidade não dependia apenas do virtuosismo. Nijinsky se transformava completamente em cada personagem. Foi o espírito trágico e grotesco de Petrouchka, a criatura sensual de O Espectro da Rosa, o Escravo Dourado de Scheherazade e, depois, o coreógrafo que começaria a desmontar a gramática do balé clássico.

Em L’Après-midi d’un faune, de 1912, trocou linhas elegantes por corpos achatados, braços angulares e deslocamentos laterais inspirados nas imagens da arte egípcia e grega. Em Jeux, rompeu novamente com o movimento acadêmico. Em A Sagração da Primavera, fez os bailarinos dançarem com os pés virados para dentro, os joelhos flexionados e o peso do corpo apontando para o chão. Aquilo que durante séculos o balé treinara para esconder — esforço, gravidade, instinto e brutalidade — passou a ser o centro da cena.

O público reagiu com escândalo. Depois do diagnóstico, porém, tornou-se tentador encontrar a esquizofrenia naquelas formas deformadas. Um artigo publicado pelo British Journal of Psychiatry sugere que os pulsos hiperestendidos, os pés invertidos e os pescoços retorcidos de suas coreografias poderiam ter sido influenciados pelos movimentos que Nijinsky via nos internos do hospital onde vivia seu irmão Stanislav. É possível. Mas influência não é sintoma. Um artista pode transformar a doença que observa em linguagem sem manifestar a mesma doença.

Reduzir Faune ou A Sagração da Primavera a prenúncios de psicose seria, na verdade, retirar de Nijinsky justamente aquilo que havia de mais impressionante nele: a consciência artística. Os gestos eram rigorosamente construídos, difíceis de ensinar e integrados ao modernismo que transformava simultaneamente pintura, música, literatura e dança. A estranheza não era desorganização. Era projeto.

O que é esquizofrenia?

A esquizofrenia não é uma “dupla personalidade”, embora a origem da palavra continue provocando essa confusão. Trata-se de um transtorno mental grave que pode afetar a percepção da realidade, a organização do pensamento, a linguagem, as emoções, a motivação, o comportamento e a capacidade de manter relações e realizar atividades cotidianas.

Os sintomas costumam ser divididos em três grandes grupos. Os chamados sintomas psicóticos incluem delírios, alucinações e desorganização do pensamento ou da fala. Os sintomas negativos não são comportamentos “ruins”, mas perdas ou reduções: diminuição da expressão emocional, dificuldade de sentir prazer, falta de motivação, pouca fala e retraimento social. Existem ainda alterações cognitivas, capazes de comprometer atenção, memória e tomada de decisões. Nem todas as pessoas apresentam os mesmos sintomas, com a mesma intensidade ou pelo mesmo tempo.

Também não existe um exame de sangue, uma imagem cerebral ou um teste isolado que confirme a esquizofrenia. O diagnóstico continua sendo clínico: depende da observação dos sintomas, de sua duração, do prejuízo causado à vida da pessoa e da exclusão de outras condições médicas, neurológicas, afetivas ou relacionadas ao uso de substâncias.

A doença costuma se manifestar entre o final da adolescência e o início da vida adulta, embora alterações mais graduais de humor, pensamento e funcionamento social possam aparecer antes do primeiro episódio psicótico. Atualmente, sabemos também que o curso não é inevitavelmente degenerativo. Há tratamentos eficazes e, segundo a Organização Mundial da Saúde, pelo menos uma em cada três pessoas com esquizofrenia pode alcançar recuperação completa. É uma realidade muito diferente da sentença praticamente definitiva recebida por Nijinsky em 1919.

Como nasceu a palavra

Antes da esquizofrenia, existia a dementia praecox, ou demência precoce. No final do século XIX, o psiquiatra alemão Emil Kraepelin reuniu sob essa classificação quadros antes tratados separadamente, como paranoia, catatonia e hebefrania. A expressão carregava uma hipótese e um prognóstico: seria uma doença iniciada cedo e destinada à deterioração mental progressiva.

Eugen Bleuler discordava de que todos os pacientes terminassem necessariamente dementes. Em 1908, apresentou publicamente a palavra “esquizofrenia”, que desenvolveria no livro Dementia Praecox ou o Grupo das Esquizofrenias, publicado em 1911. O plural era importante. Bleuler não acreditava necessariamente numa doença única, com uma só causa e trajetória, mas num grupo de condições.

O termo foi criado a partir das palavras gregas relacionadas a “dividir” e “mente”. Bleuler se referia a uma cisão entre diferentes funções psíquicas — pensamento, emoção, associação e relação com a realidade —, e não ao surgimento de duas personalidades dentro da mesma pessoa. Essa leitura popular equivocada sobreviveria por mais de um século.

Bleuler organizava os sintomas fundamentais em quatro grupos: alterações das associações, da afetividade, ambivalência e autismo. O “autismo” de Bleuler significava um afastamento da realidade externa em direção a um mundo interior e não correspondia ao transtorno do espectro autista como o compreendemos hoje. Alucinações e delírios eram considerados sintomas importantes, mas acessórios, porque não apareciam da mesma maneira em todos os pacientes.

O nome começava a circular entre médicos quando o paciente mais famoso da carreira de Bleuler chegou ao seu consultório.

A ruptura de Nijinsky

Não existe um único instante em que Nijinsky tenha “deixado a realidade” para nunca mais voltar. O processo foi gradual e irregular.

Depois de se casar com Romola de Pulszky em 1913, ele foi dispensado por Diaghilev, seu ex-amante, empresário e principal organizador de sua carreira. Pela primeira vez, Nijinsky precisou administrar contratos, dinheiro e uma companhia. Não estava preparado para isso. Uma tentativa de trabalhar como empresário em Londres terminou em desastre financeiro e, em 1914, ele recebeu o diagnóstico então impreciso de “neurastenia com estado depressivo”.

A Primeira Guerra Mundial agravou tudo. Como cidadão russo em território austro-húngaro, passou cerca de 18 meses em prisão domiciliar. Para voltar a trabalhar, dependeu da intervenção de autoridades, diplomatas e até integrantes da realeza — uma demonstração do tamanho de sua celebridade. Reintegrou-se temporariamente aos Ballets Russes, mas as relações com Diaghilev e Romola eram cada vez mais tensas.

Durante uma turnê pela América do Sul, em 1917, colegas perceberam mudanças mais graves. Nijinsky fazia longas pausas antes de responder às perguntas, olhava desconfiadamente para as pessoas e afirmava que seria assassinado. Imaginava danças fisicamente impossíveis e parecia convencido de que forças não identificadas o perseguiam. No final daquele ano, mudou-se com a família para St. Moritz, na Suíça. Estava isolado, impedido de dançar, abalado pela guerra e progressivamente afastado do mundo exterior.

Em 19 de janeiro de 1919, fez sua última apresentação pública, num hotel de St. Moritz. Sentou-se diante da plateia e permaneceu imóvel, encarando os convidados durante um período que pareceu interminável. Depois, estendeu no chão duas faixas de veludo, uma branca e outra preta, formando uma cruz, e anunciou que dançaria “a guerra que vocês não impediram”.

Aquela poderia ser uma performance modernista radical, uma acusação política contra a elite europeia que assistira à destruição do continente sem impedi-la. Mas também aconteceu no momento em que Nijinsky acreditava estar unido a Deus e encarregado de transmitir uma mensagem capaz de salvar a humanidade.

É justamente aí que arte e psicose se tornam impossíveis de separar com segurança. A dança não precisa deixar de ser obra porque seu criador estava adoecendo. Tampouco é preciso negar a doença para reconhecer a inteligência artística daquela acusação.

Naquele mesmo 19 de janeiro, Nijinsky começou a escrever seus diários.

O homem que queria provar que não estava louco

Durante seis semanas, até 4 de março de 1919, Nijinsky escreveu compulsivamente. Falava sobre a guerra, a pobreza, o dinheiro, o vegetarianismo, a sexualidade, Diaghilev, Romola, Deus e a falta de sentimento que, em sua visão, estava destruindo o mundo. Acreditava que o diário seria publicado e distribuído gratuitamente. Preferia que o manuscrito fosse reproduzido em fac-símile, porque considerava sua própria letra viva e capaz de transmitir diretamente aquilo que sentia.

Ao mesmo tempo, o texto registrava associações sonoras, repetições, contradições, pensamentos persecutórios e delírios de influência e grandeza. Nijinsky dizia que Deus guiava sua mão, falava por meio dele e interferia até em pequenos movimentos de seu corpo. Em determinadas passagens, afirmava ser operário, aristocrata, imperador, Deus, vida e eternidade. Também acreditava que poderia ser assassinado ou preso pelas verdades que revelava.

O diário parece ter começado como uma tentativa de demonstrar justamente o contrário daquilo que todos ao seu redor suspeitavam. Nijinsky queria provar que não havia enlouquecido, mas havia atingido uma forma superior de compreensão baseada no sentimento. O documento que deveria salvá-lo da psiquiatria acabou sendo usado pelos médicos como evidência de sua doença.

O médico Hans Curt Frenkel, que acompanhava Nijinsky em St. Moritz, havia estudado com Eugen Bleuler e pediu que o antigo professor o examinasse. Em 6 de março de 1919, no hospital Burghölzli, em Zurique, Bleuler encontrou um homem de inteligência anteriormente excepcional que agora descreveu como “um esquizofrênico confuso com leve excitação maníaca”.

Nijinsky não foi uma das primeiras pessoas diagnosticadas com esquizofrenia. O conceito já circulava havia mais de uma década. Mas foi uma das primeiras grandes celebridades a receber publicamente o novo diagnóstico — e pelas mãos do próprio médico que havia criado o termo.

Tratado por quase toda a história inicial da psiquiatria

Bleuler não recomendou imediatamente a internação. Mudou de posição dois dias depois, após uma crise. Nijinsky foi levado pela polícia ao Burghölzli e, pouco depois, transferido para o sanatório Bellevue, em Kreuzlingen, dirigido por Ludwig Binswanger.

Para os padrões daquele período, Bellevue oferecia uma abordagem relativamente humanizada. Funcionava como uma comunidade terapêutica, empregava recursos psicodinâmicos e buscava educação e reintegração, evitando contenções físicas e químicas. Isso não tornou a experiência menos traumática. Nos momentos de maior lucidez, Nijinsky perguntava por que estava preso, por que as janelas permaneciam fechadas e por que nunca podia ficar sozinho.

Nos primeiros meses, apresentou ideias persecutórias, alucinações, mutismo, alterações bruscas de humor, crises de violência e episódios de catatonia. Em alguns períodos, permanecia imóvel e inacessível; em outros, tornava-se agitado. Houve momentos em que dizia que seus braços e pernas pertenciam a outra pessoa. Recebeu então também o diagnóstico de catatonia psicogênica.

Passaria os 15 anos seguintes entrando e saindo de clínicas e hospitais. Foi levado ao Steinhof, em Viena, dirigido por Julius Wagner-Jauregg, que mais tarde ganharia o Nobel por tratar a paralisia causada pela sífilis por meio da indução de malária. Não existem registros de que Nijinsky tenha recebido esse procedimento, e os documentos de sua permanência ali foram destruídos.

Em Paris, há indícios de que tenha sido submetido à criação deliberada de um abscesso com terebintina, tentativa de produzir febre porque se acreditava que temperaturas elevadas poderiam aliviar a psicose. Alfred Adler o examinou em 1934, concordou com o diagnóstico e escreveu um prefácio para os diários. Romola rejeitou o texto porque não gostou da interpretação pela inferioridade e ele só seria recuperado décadas depois.

Em 1938, Nijinsky passou pelo tratamento mais brutal. Romola procurou Manfred Sakel, criador da terapia de coma insulínico. Altas doses de insulina provocavam hipoglicemia, convulsões e perda de consciência. Nijinsky recebeu 224 injeções. Houve melhora temporária da catatonia, mas ele voltou ao mutismo, à inibição motora, à desorganização e às crises violentas.

A trajetória médica de Nijinsky atravessou praticamente toda a história inicial do tratamento da esquizofrenia: a internação, a psiquiatria psicodinâmica, a comunidade terapêutica, a febre induzida e o coma insulínico. Os primeiros antipsicóticos, iniciados com a clorpromazina no começo da década de 1950, chegaram tarde demais para ele.

Atualmente, o tratamento combina medicamentos antipsicóticos, intervenções psicológicas, psicoeducação, apoio familiar e reabilitação psicossocial. O objetivo não é apenas eliminar delírios ou alucinações, mas permitir autonomia, vínculos, estudo, trabalho e participação nas decisões sobre a própria vida. A distância entre esse modelo e a sucessão de instituições impostas a Nijinsky mostra quanto a psiquiatria avançou — e também quanto sua história pertence a um tempo em que diagnosticar era muito mais fácil do que tratar.

Ele nunca voltou à realidade?

A resposta mais honesta é: não de forma permanente, mas também não permaneceu ausente durante trinta anos.

Depois de 1919, Nijinsky nunca recuperou autonomia suficiente para voltar à carreira, criar regularmente ou conduzir a própria vida. Passou longos períodos em mutismo, retraimento, catatonia e dependência de familiares, enfermeiros e instituições. Sua comunicação frequentemente se tornava desorganizada, e ele precisava de ajuda até para atividades básicas.

Mas havia oscilações. Em certos momentos, falava coerentemente, compreendia aquilo que acontecia ao redor e reagia quando alguém invadia seu espaço. O episódio mais comovente ocorreu em 1945, quando soldados soviéticos chegaram à região da Hungria onde ele vivia. Alguns o reconheceram. Cercado por homens que falavam sua língua e conheciam seu passado, Nijinsky tornou-se temporariamente sociável, conversou e chegou a girar e dançar com eles. A melhora não foi duradoura, mas impede que sua vida posterior seja resumida a trinta anos de vazio.

Nijinsky morreu em Londres, em 8 de abril de 1950, aos 60 anos, de uremia associada a nefrite crônica. Não morreu de esquizofrenia. Também não havia deixado de existir em 1919, embora sua carreira tenha terminado e a narrativa construída sobre ele frequentemente trate o diagnóstico como uma morte antecipada.

A fama que divulgou — e deformou — a doença

O diagnóstico de Nijinsky não criou nem legitimou cientificamente a esquizofrenia. Quando Bleuler o examinou, o termo já era discutido na psiquiatria europeia e começava a substituir a antiga dementia praecox. Sua fama, porém, deu rosto e narrativa à palavra.

O homem que parecia controlar o próprio corpo com perfeição tornou-se símbolo de uma mente apresentada como fragmentada. A história era irresistível: aquele que voava havia caído; o artista capaz de interpretar qualquer personagem já não conseguia se reconhecer; o “Deus da Dança” agora dizia ser Deus. A imprensa, os médicos, os biógrafos e a própria Romola ajudaram a organizar essas coincidências numa tragédia perfeita demais.

Os diários reforçaram essa leitura ao oferecerem algo raríssimo: a voz de alguém entrando em psicose. Mas a edição de 1936 também ensinou o público a olhar para Nijinsky de uma maneira específica. Sua doença foi usada para reinterpretar sua arte; sua arte passou a ser convocada como prova de que a doença sempre estivera ali.

Talvez seja essa a questão que continua atual, noventa anos depois. Ainda temos dificuldade em aceitar que uma pessoa possa ser simultaneamente artista e paciente sem que uma identidade devore a outra. Procuramos a esquizofrenia nos pés virados para dentro de A Sagração da Primavera, nos gestos eróticos de Faune e na dificuldade social do jovem bailarino porque conhecer o final nos dá a ilusão de que poderíamos ter previsto tudo.

Mas a doença não explica o gênio de Nijinsky, assim como o gênio não explica sua doença. Sua coreografia foi revolucionária porque havia pensamento, pesquisa, rigor e intenção. Sua psicose tornou-se reconhecível quando apareceram delírios, alucinações, paranoia, desorganização e catatonia — não quando decidiu desafiar as regras do balé.

Em 1936, Nijinsky desejava provar, por meio da própria escrita, que compreendia o mundo melhor do que os outros. Romola transformou essa escrita na história de sua loucura. Noventa anos depois, talvez seja possível devolver-lhe algo que tanto a psiquiatria quanto a lenda retiraram: o direito de não ser explicado inteiramente por seu diagnóstico.


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