A Diplomata: muita explosão e pouca diplomacia na 4ª temporada

Aqui é sobre spoilers

A quarta temporada de The Diplomat chegou à Netflix nesta quinta-feira (15) disposta a provar que ainda consegue nos surpreender. E consegue. Logo nos primeiros episódios, Debora Cahn sacrifica um dos personagens mais importantes da história, Austin Dennison (David Gyasi), secretário das Relações Exteriores britânico, morto em um acidente de helicóptero na Índia. Uma perda que não representa apenas uma reviravolta narrativa, mas também simboliza algo que venho observando desde a estreia da série: The Diplomat tem cada vez mais explosões, atentados e conspirações, mas cada vez menos diplomacia.

Dennison não era apenas um possível interesse amoroso de Kate Wyler (Keri Russell). Era um dos poucos personagens que efetivamente pareciam compreender a importância da contenção, do diálogo e da negociação. Sua relação com a embaixadora americana sempre foi marcada por uma combinação de respeito profissional, atração e conflitos de lealdade. Diferentemente de Kate, frequentemente incapaz de controlar as próprias emoções, Dennison entendia que nem toda crise precisava se transformar em confronto.

Sua morte, revelada no terceiro episódio, acontece fora de cena, durante uma viagem a Amritsar, na Índia. Não há uma despedida grandiosa, apenas a notícia de uma tragédia que altera mais uma vez o equilíbrio político da história. A decisão surpreende justamente porque elimina um personagem que funcionava como contraponto à impulsividade dos demais. E, de certa maneira, como uma das últimas referências ao significado do título da série.

Desde que Kate chegou à Inglaterra, tivemos um atentado contra um navio britânico, dezenas de mortes, explosões, conspirações internacionais, uma presidente envolvida em operações clandestinas, um presidente morto e seu próprio marido transformado em vice-presidente dos Estados Unidos. Agora, um míssil nuclear russo retirado secretamente do fundo do mar ameaça desestabilizar ainda mais as relações internacionais.

Tudo isso em apenas quatro temporadas. A quantidade de crises seria suficiente para provocar uma sucessão de guerras e quedas de governos. Entretanto, quase nunca vemos o trabalho paciente, silencioso e frequentemente frustrante que constitui a essência da diplomacia.

E é justamente a protagonista que mais me incomoda nessa equação. Kate deveria ser uma diplomata brilhante, experiente em situações de conflito, capaz de negociar com adversários e de encontrar soluções em circunstâncias extremas. Mas a personagem parece funcionar permanentemente à beira de um ataque de nervos. Grita, perde a paciência, confronta superiores, desafia protocolos e transforma praticamente qualquer conversa em uma disputa pessoal. É literalmente explosiva, e a série parece confundir essa intensidade com inteligência política.

Não significa que The Diplomat seja ruim. Pelo contrário. Keri Russell continua excelente, Rufus Sewell é irresistível como Hal Wyler e Allison Janney, acompanhada por Bradley Whitford, acrescenta ainda mais talento a um elenco excepcional. Debora Cahn domina o ritmo, os diálogos rápidos e as reviravoltas que nos fazem terminar um episódio imediatamente interessados no seguinte.

A crítica internacional está entusiasmada. O TV Insider concedeu cinco estrelas à nova temporada, enquanto o The Guardian e o The Times destacaram o entretenimento proporcionado pela mistura de caos político, humor e tensão. É compreensível. A série sabe exatamente como prender nossa atenção, especialmente quando transforma acontecimentos potencialmente absurdos em crises aparentemente urgentes.

Mas entretenimento e coerência não são necessariamente a mesma coisa.

Cahn trabalhou em The West Wing, e a comparação entre as duas séries é inevitável, especialmente agora que Janney e Whitford voltaram a dividir a cena. Entretanto, existe uma diferença fundamental. The West Wing também idealizava a política americana e frequentemente dramatizava seus conflitos. Mas seus personagens acreditavam no funcionamento das instituições, no diálogo e na possibilidade de construir consensos. Em The Diplomat, as instituições parecem existir apenas para serem contornadas, manipuladas ou ignoradas.

A situação se torna ainda mais evidente nesta quarta temporada. Grace Penn (Allison Janney) ocupa a presidência, Hal Wyler (Rufus Sewell) tornou-se vice-presidente e Kate precisa enfrentar as consequências de uma operação nuclear conduzida sem conhecimento dos aliados britânicos. O casamento dos Wyler continua tão turbulento quanto as relações internacionais que deveriam administrar, e a proximidade entre Hal e Grace acrescenta mais uma dimensão pessoal a uma crise que já deveria ser suficientemente complicada.

A morte de Dennison reforça essa escolha narrativa. Em vez de aprofundar uma das relações mais interessantes da história, a série prefere provocar outro choque. É uma decisão corajosa, sem dúvida, mas também reveladora de uma produção que parece precisar aumentar permanentemente a intensidade dos acontecimentos para manter seu público interessado.

Talvez seja exatamente isso que explique seu sucesso. The Diplomat encontrou uma fórmula eficiente de thriller político e melodrama conjugal, em que traições, ambições pessoais e disputas internacionais são tratadas com a mesma urgência. Para quem gosta de dramalhões, dificilmente haverá motivo para reclamar.

Eu continuo assistindo, naturalmente, e reconheço o talento envolvido. Mas sinto cada vez mais falta da série que poderia existir por trás de tantas explosões. Dennison era um dos poucos personagens que lembravam que a política internacional também depende de paciência, discrição e inteligência emocional. Sua ausência pode tornar a história mais imprevisível, mas dificilmente a tornará mais diplomática.

Kate Wyler chegou a Londres como uma profissional preparada para resolver crises. Quatro temporadas depois, parece incapaz de passar uma semana sem participar de uma nova catástrofe.

E eu continuo esperando que, algum dia, The Diplomat finalmente nos mostre sua protagonista fazendo diplomacia.


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