Em The Gilded Age, o dinheiro compra quase tudo, menos a felicidade. E se a terceira temporada terminou provando que nem mesmo os casamentos aparentemente mais sólidos estão protegidos, a quarta promete ir ainda mais longe. Às vésperas da estreia, marcada para 1º de novembro, a produtora executiva Sonja Warfield deixou um aviso que deve preocupar os fãs: todos os relacionamentos serão testados. E, segundo ela, vão sobreviver ou morrer. Uma maneira bastante dramática de anunciar que os problemas estão apenas começando.
A declaração foi feita durante um painel do PaleyFest, realizado em 13 de outubro, com a participação de Carrie Coon e Cynthia Nixon. Mas há uma distinção importante: Warfield não estava falando apenas de casais. Casamentos, romances, amizades e relações familiares estarão em jogo. E, quando olhamos para o encerramento da terceira temporada, percebemos que praticamente ninguém está em terreno seguro.

George e Bertha Russell: o casal que parecia indestrutível
Comecemos pelo maior problema. George (Morgan Spector) e Bertha Russell (Carrie Coon) sempre foram, para mim, um dos casais mais interessantes da televisão. Não porque concordassem em tudo, mas porque funcionavam como uma equipe. Ele construía o império financeiro; ela conquistava o império social. E ambos compreendiam perfeitamente a ambição um do outro.
Até que Bertha ultrapassou um limite.
O casamento de Gladys com o duque de Buckingham foi uma vitória social extraordinária, mas custou caro demais. George finalmente percebeu que a mulher que tanto amava estava disposta a sacrificar a felicidade dos próprios filhos para realizar suas ambições. Depois de sobreviver a um atentado, resolveu reconsiderar não apenas o casamento, mas também a vida que havia construído.
A separação no final da terceira temporada foi devastadora justamente porque não havia falta de amor. Havia uma diferença de valores que já não podia ser ignorada. E será que Bertha, acostumada a conquistar tudo o que deseja, sabe reconquistar alguém que não pode simplesmente controlar? Ou George também terá de reconhecer sua participação no império de ambições que os dois construíram?

Larry e Marian: será que o amor será suficiente?
Depois de uma reconciliação emocionante, Larry Russell (Harry Richardson) e Marian Brook (Louisa Jacobson) pareciam finalmente prontos para seguir em frente. Mas há um detalhe: os dois já descobriram como é fácil transformar insegurança e orgulho em obstáculos aparentemente intransponíveis.
Larry quer ser respeitado por suas próprias conquistas, enquanto Marian não pretende abrir mão da independência. E nenhum dos dois está completamente livre das expectativas familiares.
Existe uma complicação ainda maior. Agnes van Rhijn (Christine Baranski) e Bertha Russell estão prestes a intensificar a antiga rivalidade social. Como manter um romance quando as famílias continuam em lados opostos? E será que Larry e Marian conseguirão evitar os erros dos próprios pais?

Peggy e William: amar uma mulher independente é diferente de aceitar sua independência
Se existe um casal pelo qual estou realmente torcendo, é Peggy Scott (Denée Benton) e o Dr. William Kirkland (Jordan Donica). A proposta de casamento no final da terceira temporada foi um daqueles momentos em que The Gilded Age abraça completamente seu lado romântico. E funciona.
Mas a oposição da mãe de William, interpretada por Phylicia Rashad, continua sendo um problema. O passado de Peggy, sua experiência como mãe e a história de sua família foram tratados como obstáculos por uma mulher que deveria compreender melhor do que ninguém o peso do preconceito.
E existe uma observação reveladora feita pela própria Sra. Kirkland: ela poderia admirar as conquistas de uma mulher, mas uma esposa seria outra história.
Essa diferença resume perfeitamente o problema.
Sonja Warfield adiantou que Peggy enfrentará o dilema de conciliar a carreira com o amor. E isso me parece mais interessante do que simplesmente prolongar os conflitos com a futura sogra. Peggy não é apenas uma jovem apaixonada. É uma mulher inteligente, ambiciosa, determinada a construir seu próprio espaço como escritora e jornalista.

William admira essas qualidades. Mas continuará admirando quando Peggy for sua esposa? Ele é um médico respeitado, com carreira própria e ambições legítimas. Será capaz de aceitar que a mulher ao seu lado também tenha prioridades que não estejam subordinadas às dele?
Nas discussões entre os fãs, a possibilidade de Peggy escolher a profissão em vez do casamento já provoca debates. Alguns acreditam que ela poderá adiar a união; outros imaginam que William, apesar de progressista em teoria, não esteja preparado para conviver com uma mulher tão independente.
É uma hipótese interessante, especialmente porque estamos em 1885, quando as convenções sociais impunham limites bastante rígidos às mulheres casadas. Mas a história também oferece exemplos de mulheres que desafiaram essas expectativas. Nellie Bly, uma das jornalistas mais célebres de seu tempo, casou-se em 1895 com o industrial Robert Seaman e posteriormente voltou a trabalhar como jornalista.
Não seria maravilhoso se Peggy pudesse ter as duas coisas? Amor e carreira? Afinal, a independência feminina não deveria exigir a renúncia à felicidade afetiva.
Talvez o verdadeiro teste de William não seja enfrentar a própria mãe, mas compreender que amar Peggy significa aceitar a mulher que ela é, não aquela que a sociedade espera que se torne.

Gladys e Hector: a felicidade inesperada
O casamento entre Gladys Russell (Taissa Farmiga) e Hector, duque de Buckingham (Ben Lamb), começou como uma negociação social, não como uma história de amor.
Curiosamente, foi justamente Gladys quem terminou a terceira temporada em uma posição inesperadamente feliz. Adaptou-se à nova vida, encontrou maneiras de se impor e anunciou a gravidez.
Mas será que a felicidade vai durar? Gladys finalmente conquistou alguma autonomia longe da mãe, porém agora pertence a uma família aristocrática com regras e expectativas próprias. A maternidade poderá fortalecer sua posição ou criar novas formas de controle. E Hector, que parecia disposto a respeitá-la, continuará sendo seu aliado?
É uma inversão que adoro: Bertha conseguiu exatamente o casamento que desejava para a filha, mas perdeu o próprio marido no processo. Enquanto isso, Gladys, que parecia condenada à infelicidade, encontrou uma possibilidade real de amor.

Oscar e Enid: quando o casamento é um acordo
Oscar van Rhijn (Blake Ritson) e Enid Winterton (Kelley Curran) oferecem uma possibilidade fascinante: um casamento de conveniência entre duas pessoas que compreendem as vantagens de uma união estratégica.
Não existe ilusão romântica, e talvez essa seja justamente a força do acordo. Oscar precisa de segurança e de uma posição social que lhe permita preservar a vida privada. Enid conhece as regras daquele mundo e sabe utilizá-las.
Mas uma parceria construída sobre interesses comuns pode sobreviver quando esses interesses deixam de coincidir? E será que um casamento sem expectativas românticas pode acabar sendo mais estável do que aqueles construídos sobre grandes paixões?

Agnes, Ada e Marian: nem só de casamentos vive uma família
Aqui está a parte mais interessante da declaração de Warfield. Ela não estava falando exclusivamente de casais. Também serão colocadas à prova as relações familiares.
Ada (Cynthia Nixon) deixou de ser a irmã submissa e insegura que conhecemos na primeira temporada. Herdou uma fortuna, assumiu o controle financeiro da casa e começou a confiar nas próprias decisões. Agnes, naturalmente, precisou se adaptar.
E as novidades indicam que os conflitos não terminaram. Warfield promete uma verdadeira montanha-russa para Agnes, enquanto Cynthia Nixon revelou que Ada tomará uma decisão baseada em seu instinto que talvez não seja tão acertada quanto imagina: contratar um novo criado para substituir Jack.
Parece um detalhe doméstico, mas sabemos que, nas histórias de Julian Fellowes, os empregados raramente estão ali apenas para servir o chá.
Agnes e Ada passaram a vida juntas, sustentadas por uma relação de afeto, dependência e hierarquia. Agora os papéis se inverteram. Será que Agnes consegue aceitar uma irmã que já não precisa de sua proteção? E Ada saberá exercer autoridade sem reproduzir o comportamento controlador que tanto criticava?
Há ainda Marian, que continua sendo o elo entre diferentes gerações e famílias. Sua relação com as tias talvez seja tão importante para a quarta temporada quanto seu romance com Larry.


Mas Julian Fellowes gosta de finais felizes
Existe um detalhe que não podemos ignorar. Estamos falando de uma série criada por Julian Fellowes, que, apesar de apreciar tragédias ocasionais, também tem uma predileção por reconciliações, casamentos e soluções românticas.
Os fãs sabem disso. Nas discussões sobre a declaração de Warfield, há quem observe, com razão, que Fellowes costuma ameaçar seus personagens com grandes desastres antes de lhes oferecer uma saída relativamente feliz.
Talvez a ameaça de que todos os relacionamentos vão sobreviver ou morrer seja mais uma maneira de anunciar conflitos do que uma promessa de separações definitivas.
E nem todos precisam terminar juntos para ter um final feliz. Há até fãs brincando com a possibilidade de Peggy e Marian abandonarem os dramas românticos para viver como duas mulheres solteiras, independentes e profissionais em Nova York. Uma versão de Thelma & Louise na Era Dourada. Confesso que assistiria.


Sobreviver significa permanecer juntos?
É evidente que nem todos os relacionamentos precisam terminar em separação ou tragédia para serem colocados à prova. Às vezes, sobreviver significa aceitar que a pessoa amada já não é aquela que imaginávamos conhecer. Outras vezes, significa reconhecer que permanecer junto pode exigir sacrifícios grandes demais.
E esse talvez seja o verdadeiro tema da quarta temporada. Bertha terá de escolher entre vencer e preservar sua família. George precisará decidir se consegue perdoar. Marian e Larry terão de amadurecer. Peggy precisará defender o espaço que conquistou. E Agnes descobrirá que proteger uma família nem sempre significa controlar suas escolhas.
Sempre gostei de The Gilded Age justamente porque, por trás dos vestidos espetaculares, dos jantares impossíveis e da eterna competição por prestígio, existe uma história sobre poder, dinheiro, ambição e afeto. E porque Julian Fellowes sabe que as maiores batalhas sociais frequentemente são travadas dentro de casa.

A quarta temporada terá oito episódios. E, se levarmos a sério a promessa de Sonja Warfield, ninguém estará completamente a salvo.
Mas talvez a pergunta mais interessante não seja quais casais vão continuar juntos. E sim quais personagens conseguirão preservar a própria identidade dentro desses relacionamentos.
Porque amar alguém e abrir mão de si mesmo nunca deveriam ser a mesma coisa.
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