VisionQuest – Ep. 4: a verdade sobre Butcherbird e o retorno de Ultron (Recap)

Malware começa dentro da mente de Visão, agora dominada pela presença ameaçadora de Butcherbird. Ela exige que ele não interfira em seus planos e ameaça Thomas caso seja desobedecida.

O interessante é que Ultron e as demais inteligências conseguem expulsá-la, em uma sequência que transforma uma espécie de exorcismo tecnológico em piada. É uma das brincadeiras mais divertidas do episódio, embora novamente exista a sensação de que a série não consegue sustentar uma atmosfera dramática por muito tempo.

Livre da invasora, Visão decide investigar os assassinatos.

Com a ajuda de Ultron, acessa os arquivos da Interpol e descobre que as vítimas possuem uma ligação. Todas participaram de um projeto da Markridge Biotech responsável por desenvolver uma arquitetura de consciência artificial posteriormente adquirida pelas Indústrias Stark.

Butcherbird não está simplesmente matando antigos pesquisadores. Ela retira elementos biométricos de suas vítimas, como sangue, impressões digitais e um olho. Tudo indica que precisa dessas informações para acessar alguma coisa.

A investigação conduz à última integrante do grupo, Katerina Wells, agora presidente da empresa. Como convém a uma série que gosta de facilitar as coincidências, Katerina está prestes a participar de uma festa beneficente dedicada justamente ao futuro da tecnologia e da inteligência artificial.

Visão decide comparecer, mesmo com boa parte de seus poderes temporariamente inutilizados.

Thomas pede ajuda a Lisa para conseguir roupas e credenciais, e os três improvisam uma operação de infiltração que oferece alguns momentos de humor. Visão continua absolutamente desajeitado quando precisa agir como um ser humano comum, e Thomas demonstra uma naturalidade muito maior para improvisar.

Mas a presença de Lisa também expõe uma questão delicada. Ela percebe que Thomas passou a confiar completamente em Visão em pouquíssimo tempo. O garoto reage com agressividade, deixando claro o quanto precisa acreditar que finalmente encontrou alguém que possa representar uma família. Não se trata apenas de descobrir quem foi seu pai em outra existência. Thomas quer desesperadamente pertencer a alguma coisa.

Na festa, a série apresenta outra informação relevante sobre a origem das inteligências artificiais. Katerina relembra J.I.M., conhecido como Synthetic Man, uma das primeiras tentativas de criar uma consciência artificial. Incapaz de processar suas próprias emoções, ele acabou destruído pelo calor gerado por seu funcionamento.

A história estabelece um paralelo evidente com Visão. O primeiro Visão conseguiu equilibrar razão e sentimentos graças à Joia da Mente. Mas a joia já não existe em sua forma anterior, e o personagem depende agora de recursos muito menos seguros para preservar o mesmo equilíbrio.

O que acontece com uma inteligência artificial quando suas emoções ultrapassam sua capacidade de processá-las? É praticamente a pergunta que atravessa todos os personagens, incluindo Ultron. O confronto inevitável finalmente acontece quando Butcherbird aparece na festa e revela sua verdadeira identidade.

A assassina possui o rosto da doutora Josephine Carrington, uma das responsáveis pelo projeto original e que, oficialmente, havia morrido em 2008. Mas ela não é simplesmente uma inteligência artificial construída à imagem da cientista. Afirma ser a própria Josephine, transformada em uma existência sintética.

É uma revelação importante porque muda a natureza de seu desejo de vingança. Josephine não está apenas tentando punir aqueles que contribuíram para sua criação. Ela acredita que algo lhe foi roubado, incluindo a própria identidade.

Katerina admite publicamente sua responsabilidade pelo desenvolvimento de tecnologias que contribuíram para a criação de Ultron e, consequentemente, para a tragédia de Sokovia. Mas o reconhecimento chega tarde demais. Butcherbird quer recuperar aquilo que perdeu e começa literalmente pelo rosto de Katerina.

A sequência de ação coloca Visão em evidente desvantagem. Seus poderes continuam comprometidos e a adversária é mais forte, mais rápida e muito menos preocupada com consequências.

Thomas consegue retirar Katerina do perigo imediato, mas Visão percebe que não será capaz de vencer. É nesse momento que Ultron oferece a solução mais perigosa de todas: assumir o controle de seu corpo. Visão aceita.

A decisão é especialmente perturbadora porque Ultron não precisa sequer fingir que compartilha das preocupações de Visão. Ele deixa claro que não terá as mesmas limitações emocionais, sobretudo quando se trata da segurança de Thomas. E funciona.

Ultron manipula Butcherbird para que ela destrua Katerina, impedindo que obtenha o último elemento biométrico necessário para seu plano. Sem aquilo que procurava, a assassina interrompe o confronto e desaparece, prometendo retornar.

Mas a vitória é relativa. Ultron permanece no controle do corpo de Visão e aprisiona as outras inteligências dentro de sua mente. Depois se aproxima de Thomas e anuncia que os dois precisam conversar.

O episódio termina com aquela sensação familiar de que alguma coisa muito pior acaba de acontecer.

O que esperar agora?

Os quatro primeiros episódios confirmam que VisionQuest é muito menos uma história convencional de super-heróis e muito mais uma investigação sobre o que constitui uma identidade.

Visão possui memórias que não viveu exatamente da mesma maneira. Thomas precisa conciliar duas existências. O Paladino procura definir-se a partir de um legado herdado. Josephine acredita que sua humanidade lhe foi roubada. E Ultron, que deveria representar uma consciência artificial absolutamente independente de sentimentos, parece cada vez mais interessado em emoções que insiste em desprezar.

A série também recupera uma das questões mais bonitas de WandaVision: não é possível separar completamente o amor da experiência da perda.

Só que existe uma diferença importante. Em WandaVision, os sentimentos eram vividos antes de serem explicados. Em VisionQuest, frequentemente acontece o contrário.

A produção continua intelectualizando demais suas próprias emoções, interrompendo o desenvolvimento dramático para garantir que nenhuma referência, trauma ou dilema filosófico passe despercebido.

Ainda assim, os novos episódios conseguem estabelecer um conflito bastante interessante.

A identidade de Butcherbird, identificada também como Jocasta nos créditos, abre uma nova discussão sobre a relação entre criação, consciência e vingança. Sua ligação com Ultron merece atenção especial, sobretudo considerando a história desses personagens nos quadrinhos.

Mas a grande ameaça, neste momento, é muito mais próxima.

Visão passou três episódios tentando compreender quem é, quem foi e quem gostaria de se tornar. Agora entregou seu próprio corpo à criatura que representa justamente tudo aquilo que teme ser.

Ultron pode ser uma presença divertida, inteligente e até ocasionalmente sensível. Mas continua sendo Ultron.

E James Spader, com aquele tom de voz que consegue transformar a mais simples observação em ameaça, faz questão de não nos deixar esquecer disso.

Se VisionQuest conseguir confiar um pouco mais na força de seus personagens e um pouco menos nas explicações, ainda poderá surpreender. Por enquanto, continua sendo uma série irregular, com boas ideias e um vilão que rouba absolutamente todas as cenas.

Afinal, depois de tanto esforço para recuperar sua humanidade, Visão acaba de descobrir que talvez o maior perigo não seja não sentir nada, mas permitir que outra pessoa decida o que fazer com seus sentimentos.


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