Callum Turner ainda não foi anunciado como James Bond, mas sua presença entre os candidatos aos testes finais já permite uma segunda aposta: se ele ficar com o papel, será que Dua Lipa canta o próximo tema da franquia? Confesso que, enquanto ainda tento enxergá-lo como 007, consigo imaginar a voz dela nos créditos com bastante facilidade.
Turner está entre os nomes associados à seleção, ao lado de Jack Lowden e Josh O’Connor. Não há confirmação oficial sobre o escolhido, muito menos sobre quem interpretará a música. Mas a possibilidade de reunir o casal no mesmo projeto é daquelas que praticamente escrevem a própria campanha de divulgação. Ele na tela, ela na trilha. A estreia, as entrevistas, o tapete vermelho. Imagino que ninguém no marketing teria dificuldade para trabalhar com esse material. uol.com.br
O detalhe mais interessante, porém, é que a associação entre Dua Lipa e James Bond começou muito antes de seu relacionamento com Turner.

Uma vontade antiga
Em 2018, a cantora já dizia à GQ britânica que adoraria interpretar um tema de Bond. Naquele momento, seu nome circulava como uma possibilidade para o filme que viria a ser Sem Tempo para Morrer. A especulação ganhou força depois que Mikey Goldsworthy, do Years & Years, afirmou em uma entrevista ter ouvido que a música seria dela. Não foi o que aconteceu.
A canção acabou nas mãos de Billie Eilish e Finneas, que conquistaram o Oscar por “No Time to Die”. Dua, portanto, já estava nessa conversa anos antes de Callum entrar na disputa pelo smoking. Seu interesse tem uma história própria.
Essa cronologia importa porque seria bastante redutor apresentar uma eventual escolha como consequência de seu casamento. O relacionamento torna a hipótese mais chamativa, evidentemente. Mas Dua Lipa tem carreira, público e identidade musical suficientes para ser considerada independentemente de quem interprete Bond.
A voz combina com 007?
Para mim, combina. Dua tem um registro grave que poderia funcionar muito bem com a sensualidade e o mistério associados à franquia. Existe uma segurança em sua maneira de cantar que permite imaginar uma música mais insinuante, com espaço para a orquestra e para uma tensão que cresça aos poucos.
Isso não significa que ela precisaria abandonar o pop dançante que ajudou a definir sua carreira. Uma das graças dos temas de Bond é justamente observar como cada artista encontra seu lugar dentro de uma tradição tão reconhecível. Shirley Bassey, Paul McCartney, Duran Duran, Tina Turner, Madonna e Adele chegaram com personalidades muito diferentes. O encontro entre a assinatura do intérprete e o universo do filme é parte da expectativa.
No caso de Dua, eu gostaria de ouvir o que aconteceria com aquela voz em uma composição que explorasse mais a ambiguidade. Charme, desejo e uma sensação de perigo. Consigo imaginar sem esforço.
A questão seria encontrar a canção. Ter uma estrela mundial resolve a atenção inicial; sustentar a comparação com décadas de músicas de 007 exige algo mais.


O peso de cantar James Bond
A escolha musical também ajuda a apresentar a identidade de cada filme. Antes de a trama avançar, a canção dos créditos pode sugerir sedução, perda, ameaça ou vulnerabilidade. Ela participa da construção daquele Bond.
Na fase Daniel Craig, essa importância ganhou uma sequência particularmente expressiva de reconhecimento: “Skyfall”, “Writing’s on the Wall” e “No Time to Die” venceram o Oscar de canção original. É uma herança considerável para quem vier depois. ew.com
Por isso, a pergunta vai além de saber se Dua Lipa tem voz ou popularidade para o trabalho. Tem. O que ainda desconhecemos é o tom do próximo filme e qual música faria sentido dentro dele. Um novo protagonista também representa a oportunidade de repensar a relação entre o personagem, sua época e o público.
Um casal no comando da estreia?
Rumores sobre uma possível combinação entre Turner como Bond e Dua na música já circularam na imprensa, mas continuam sendo rumores. Não há anúncio que permita tratar os dois trabalhos como um acordo fechado e a eventual contratação de um não confirma a do outro.
Como hipótese, entretanto, é irresistível. A franquia ganharia uma história adicional para acompanhar sua renovação, e os dois participariam do mesmo acontecimento cultural por caminhos diferentes.
Ainda estou em dúvida sobre Callum Turner como James Bond. Sobre a possibilidade de Dua Lipa cantar o tema, sou mais facilmente convencida. E, se o papel acabar com Lowden, O’Connor ou outro candidato, minha curiosidade musical continua exatamente a mesma.
Ela já queria cantar Bond antes de se apaixonar por um possível 007. Seria divertido se os caminhos se encontrassem agora.
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