Todos somos personagens: quem somos de verdade?

Somos a mesma pessoa em casa, no trabalho, entre amigos ou diante de desconhecidos? Provavelmente gostamos de acreditar que sim, embora saibamos que nossa maneira de falar, agir e até expressar sentimentos muda conforme o ambiente e as pessoas com quem nos relacionamos. Há comportamentos que reservamos à intimidade, opiniões que evitamos manifestar profissionalmente e características que procuramos destacar quando desejamos causar uma boa impressão. Isso significa que estamos fingindo ser alguém que não somos ou que construir diferentes versões de nós mesmos faz parte da experiência de viver em sociedade?

A pergunta nos leva a uma questão ainda mais complexa: existe uma versão verdadeira de nós, escondida por trás das diferentes imagens que apresentamos ao mundo? E, se existe, como saberemos reconhecê-la?

A psicologia analítica de Carl Gustav Jung oferece um caminho para compreender essa construção por meio do conceito de persona, a máscara social com a qual nos apresentamos aos outros. Jacques Lacan, por sua vez, aprofunda o problema ao discutir como o próprio eu se constitui por meio de identificações e imagens exteriores. Embora suas teorias partam de fundamentos distintos, ambas permitem investigar nossa relação com aquilo que acreditamos ser, aquilo que desejamos representar e a necessidade de sermos reconhecidos.

Jung: a persona não é uma mentira

Jung recuperou a palavra latina persona, associada às máscaras utilizadas pelos atores no teatro antigo, para descrever a face que apresentamos ao mundo. A comparação é interessante porque uma máscara não serve apenas para esconder. Ela também permite representar um papel, estabelecer uma identidade reconhecível e participar das relações sociais.

A persona desempenha uma função necessária de adaptação. Não nos comportamos exatamente da mesma maneira com nossos filhos, superiores, amigos ou desconhecidos. Um médico, um professor, um jornalista ou um executivo desenvolve formas de comunicação e comportamento associadas às responsabilidades de sua profissão. Seria praticamente impossível circular entre diferentes ambientes sem algum grau de adaptação às expectativas daqueles com quem convivemos.

Isso não significa que cada papel seja falso. A persona é uma construção legítima, formada na relação entre nossas características individuais e as exigências coletivas. Ela permite que sejamos reconhecidos em determinados lugares e facilita nossa integração à sociedade. O problema começa quando passamos a confundir essa representação com a totalidade de nossa identidade.

Uma pessoa que construiu sua imagem em torno da competência pode ter dificuldade para admitir insegurança. Alguém reconhecido por sua força talvez não consiga demonstrar fragilidade, enquanto aquele que sempre desempenhou o papel de conciliador pode sentir culpa ao expressar raiva. Quanto mais dependemos de determinada imagem para conquistar reconhecimento, mais ameaçadora pode parecer a possibilidade de agir de maneira incompatível com ela.

Jung descreveu os riscos de uma identificação excessiva com a persona, quando o indivíduo passa a se confundir com o papel social que representa. A máscara deixa de funcionar apenas como recurso de adaptação e começa a limitar aquilo que a pessoa consegue reconhecer em si mesma. Aspectos da personalidade incompatíveis com a imagem desejada podem ser rejeitados, negados ou mantidos fora da consciência.

É nesse ponto que surge uma questão importante: se aprendemos a desempenhar determinado papel durante tanto tempo, como distinguir o que fazemos para corresponder às expectativas externas daquilo que reconhecemos como parte de nós mesmos?

Como aprendemos a ser quem os outros esperam?

A construção dessa imagem começa muito antes da vida profissional. Desde a infância, percebemos quais comportamentos despertam aprovação, conquistam atenção ou provocam rejeição. Uma criança elogiada constantemente por ser responsável pode aprender a valorizar essa característica, enquanto outra, reconhecida por sua alegria, talvez encontre dificuldades para expressar tristeza. Essas experiências não determinam mecanicamente a personalidade, mas participam da formação de nossas identificações e expectativas.

Na vida adulta, continuamos sujeitos a esse processo. Mudamos de profissão, assumimos responsabilidades, iniciamos relacionamentos e procuramos pertencer a diferentes grupos, adaptando nossa apresentação às exigências que identificamos em cada ambiente. Muitas vezes, acreditamos estar fazendo escolhas inteiramente pessoais quando também respondemos a modelos de sucesso, aceitação e reconhecimento que incorporamos ao longo da vida.

A adaptação não é necessariamente problemática. Ela se torna uma questão quando sentimos que não podemos mais nos afastar da imagem construída sem perder nosso lugar no mundo. O indivíduo passa a sustentar um personagem não apenas porque deseja representar determinado papel, mas porque teme o que poderá acontecer se deixar de representá-lo.

Jung relaciona essa dificuldade ao processo de individuação, pelo qual procuramos reconhecer e integrar diferentes dimensões de nossa personalidade. Individuar-se não significa eliminar a persona ou descobrir uma identidade perfeita e definitiva, mas compreender que somos mais complexos do que os papéis que desempenhamos.

Lacan: o eu também é uma imagem

Se Jung nos ajuda a compreender a máscara social, Jacques Lacan propõe uma questão anterior: de onde vem a própria imagem que temos de nós mesmos?

Na formulação do estádio do espelho, Lacan descreve como a criança se identifica com uma imagem de unidade corporal que contrasta com sua experiência ainda fragmentada do próprio corpo. Essa identificação participa da formação do eu, mas envolve também uma forma de desconhecimento, porque o sujeito passa a reconhecer-se numa representação exterior que não corresponde à totalidade de sua experiência.

O conceito não se limita ao encontro literal com um espelho. Sua importância está na compreensão de que o eu se constitui por meio de identificações e permanece atravessado pela relação com os outros. Aquilo que percebemos como nossa identidade não se forma isoladamente, mas a partir de imagens e referências que encontramos fora de nós.

A persona de Jung e o eu imaginário de Lacan não são conceitos equivalentes. Jung está interessado na função social da máscara e nos riscos de nos identificarmos excessivamente com ela. Lacan investiga a própria constituição do eu, mostrando que nossa experiência de identidade já depende de identificações exteriores.

Existe ainda outra dimensão importante. Não construímos apenas uma imagem de quem acreditamos ser, mas também de quem gostaríamos de nos tornar. Freud, em Introdução ao Narcisismo, de 1914, desenvolveu a discussão sobre os ideais diante dos quais o indivíduo avalia a si mesmo. Lacan posteriormente estabeleceu distinções entre o eu ideal, relacionado à imagem de completude com a qual nos identificamos, e o Ideal do Eu, associado ao lugar simbólico a partir do qual buscamos reconhecimento.

Isso ajuda a compreender por que determinadas imagens podem se tornar tão exigentes. Não queremos apenas ser vistos pelos outros. Queremos ser reconhecidos de determinada maneira e, frequentemente, passamos a avaliar nosso próprio valor a partir dessa expectativa.

Mas o que acontece quando uma imagem que nos trouxe reconhecimento deixa de funcionar? Podemos abandoná-la? E, ao construir outra, estaremos revelando quem realmente somos ou apenas procurando uma nova maneira de sermos reconhecidos?

Elizabeth Holmes: de uma personagem à outra

Poucas histórias recentes ilustram tão bem essa discussão quanto a de Elizabeth Holmes, a fundadora da Theranos, empresa que prometia revolucionar os exames de sangue e acabou se tornando um dos maiores escândalos do Vale do Silício.

Durante anos, Holmes cultivou uma imagem cuidadosamente reconhecível. A voz artificialmente grave, as blusas pretas de gola alta inspiradas em Steve Jobs, o batom vermelho, os olhos muito abertos, o olhar fixo e a segurança com que apresentava uma tecnologia supostamente revolucionária compunham a figura de uma jovem visionária que parecia destinada a transformar a medicina. A empresária não vendia apenas uma inovação tecnológica. Sua própria imagem fazia parte da promessa.

Quando as alegações sobre a tecnologia da Theranos foram desmentidas e Holmes acabou condenada por fraude contra investidores, aquela personagem adquiriu outro significado. A mulher antes celebrada como exemplo de liderança e inovação passou a representar, para muitos, a capacidade de manipulação de uma cultura empresarial fascinada por promessas grandiosas.

Agora, o documentário You Can See Everything, dirigido por Nathan Fielder e Lance Oppenheim, apresenta uma Elizabeth Holmes aparentemente diferente. Filmado durante as semanas que antecederam sua prisão, o projeto foi realizado com acesso à intimidade da empresária, de seu companheiro, Billy Evans, e da família. A proposta defendida pelo casal era permitir que o público finalmente conhecesse a mulher por trás das manchetes.

A empresária de gola alta preta e voz autoritária dá lugar à mãe de duas crianças pequenas, à companheira afetuosa, à mulher que manifesta preocupação com a separação dos filhos e insiste em sua própria sinceridade. A voz já não é a mesma, o cenário mudou e a narrativa procura destacar uma dimensão humana que a imagem pública anterior parecia excluir.

Mas aqui está o aspecto mais fascinante: ao tentar abandonar uma personagem, Holmes não estaria construindo outra?

A pergunta não significa que suas emoções sejam falsas ou que seu sofrimento não exista. A maternidade, o medo da prisão e a vida familiar são experiências reais que não precisam ser colocadas em dúvida apenas porque pertencem a alguém condenado por fraude. A questão é compreender como determinadas características passam a ocupar o centro de uma nova apresentação pública e como o desejo de ser reconhecido de outra maneira pode participar dessa construção.

Na primeira versão, Holmes precisava ser vista como uma executiva extraordinária, capaz de desafiar o mundo. Na segunda, parece desejar que o público reconheça a mulher comum, sensível e incompreendida por trás da imagem que se tornou conhecida. Em ambas, existe uma relação entre a imagem apresentada e o olhar daquele que a recebe.

Quem criou Elizabeth Holmes?

Uma das controvérsias levantadas pelo documentário torna essa questão ainda mais interessante. Em 2023, poucas semanas antes de começar a cumprir sua pena, Holmes concedeu uma entrevista à jornalista Amy Chozick, do The New York Times. Ao comentar as atrizes que haviam sido escolhidas ou cogitadas para interpretá-la, entre elas Amanda Seyfried, que viveu a empresária em The Dropout, e Jennifer Lawrence, que esteve ligada a um projeto cinematográfico, teria declarado que elas não estavam interpretando a verdadeira Elizabeth Holmes, mas uma personagem que ela própria havia criado.

No documentário, porém, Holmes e Billy Evans contestam a frase. Segundo eles, a empresária teria dito que as atrizes estavam interpretando uma personagem criada por outras pessoas, e não por ela.

O New York Times reafirmou a precisão da reportagem em 22 de outubro de 2026. Chozick explicou que anotou a declaração durante uma caminhada com Holmes na praia, mas não gravou aquela conversa e já não possui o caderno original. A gravação apresentada pelo casal também não contém a passagem contestada, de modo que não existe um registro público conclusivo que encerre a divergência.

O detalhe mais revelador é que Holmes reconheceu à jornalista ter modificado deliberadamente sua aparência e sua maneira de falar para ser levada a sério como executiva. Segundo ela, a construção dessa imagem também teria sido incentivada por seu ex-companheiro e sócio, Sunny Balwani, que a pressionava a abandonar características consideradas inadequadas para uma liderança poderosa. Em seu relato, ele teria utilizado a expressão “matar Elizabeth”, versão contestada pelo advogado de Balwani.

A frase é simbolicamente poderosa porque sugere que, para assumir determinada identidade social, seria necessário renunciar a aspectos de si. Mas também nos devolve à questão proposta por Jung: até que ponto somos capazes de distinguir aquilo que construímos para corresponder às expectativas dos outros daquilo que efetivamente reconhecemos como parte de nossa personalidade?

Holmes pode ter escolhido a voz, as roupas e o comportamento, mas não inventou sozinha o modelo de executiva que procurava representar. A cultura empresarial já valorizava a figura do líder visionário, incansável e aparentemente inabalável. Da mesma maneira, a imagem que circula nos filmes, nas reportagens e nos documentários não depende exclusivamente da maneira como ela gostaria de ser reconhecida.

A disputa sobre quem criou a personagem, portanto, não é apenas uma questão de autoria. Ela nos conduz à dificuldade de separar a imagem que procuramos construir daquela que os outros constroem a nosso respeito.

A necessidade de descobrir quem está mentindo

É nesse ponto que o documentário acrescenta outra dimensão ao problema. Nathan Fielder não se limita a observar Holmes. Ele a questiona insistentemente, confronta suas declarações e procura descobrir se está diante de alguém que acredita na própria inocência ou de uma pessoa capaz de manipular deliberadamente aqueles que a escutam.

Holmes insiste que não mentiu, embora tenha sido condenada por fraude e mesmo diante de perguntas que evidenciam contradições em suas explicações. O espectador acompanha essas conversas tentando identificar algum sinal capaz de revelar o que realmente se passa. Um olhar, uma hesitação, um sorriso, uma mudança de expressão ou uma resposta inesperada parecem adquirir importância desproporcional, como se fosse possível encontrar neles a chave de uma personalidade.

Quem é a verdadeira Elizabeth Holmes? A executiva ambiciosa que enganou investidores? A mulher que afirma ter acreditado sinceramente em sua tecnologia? A mãe que teme separar-se dos filhos? Uma pessoa que continua mentindo deliberadamente ou alguém que construiu uma narrativa na qual ela própria acredita?

Essas perguntas são fascinantes, mas não podem ser respondidas por meio de uma observação à distância, muito menos por um diagnóstico improvisado a partir de um documentário. A condenação de Holmes estabelece responsabilidades por atos concretos, mas não nos oferece acesso direto ao funcionamento de seu inconsciente. Da mesma forma, a demonstração de emoções sinceras não comprova a veracidade de todas as suas declarações.

Existe uma diferença entre mentir deliberadamente, distorcer lembranças, racionalizar comportamentos e acreditar numa interpretação conveniente da própria história. São processos distintos, que podem se aproximar em determinadas circunstâncias, mas que não devem ser confundidos. A psicanálise, especialmente a partir de Freud, nos convida a considerar que o sujeito não possui conhecimento completo de suas próprias motivações e que nem tudo aquilo que afirma sobre si corresponde necessariamente à totalidade de sua experiência psíquica.

Isso não significa que toda mentira seja inconsciente, nem que a existência do inconsciente elimine a responsabilidade individual. Significa apenas que a relação entre o que dizemos, aquilo em que acreditamos e o que nos move pode ser muito menos transparente do que gostaríamos.

Há ainda outra questão: por que sentimos tanta necessidade de descobrir a verdade sobre alguém?

O desejo de encontrar a pessoa verdadeira

O fascínio exercido por histórias como a de Holmes não depende apenas da gravidade dos acontecimentos. Também está relacionado à nossa dificuldade de aceitar que uma pessoa possa apresentar comportamentos contraditórios sem que uma única característica explique todas as outras.

Queremos saber se a mulher que demonstra afeto pelos filhos é a mesma que enganou investidores, como se uma dimensão necessariamente anulasse a outra. Procuramos sinais de sinceridade ou manipulação porque desejamos organizar aquilo que vemos numa identidade coerente e reconhecível. Quando não conseguimos, a incerteza parece exigir uma resposta definitiva.

Essa necessidade dialoga com a dimensão imaginária descrita por Lacan. Procuramos reconhecer no outro uma imagem relativamente estável, capaz de oferecer alguma unidade àquilo que observamos. Mas o sujeito não se reduz a essa imagem, assim como nossa percepção dele nunca é independente de nossas próprias identificações, expectativas e fantasias.

Podemos idealizar alguém e posteriormente sentir que fomos enganados quando descobrimos características incompatíveis com a imagem que construímos. Também podemos fazer o movimento inverso, reduzindo uma pessoa a seus piores atos e encontrando dificuldade para reconhecer qualquer outra dimensão de sua existência. Em ambos os casos, o problema está na tentativa de transformar a complexidade de um sujeito numa representação única.

É interessante observar que o próprio documentário participa desse processo. Ao oferecer acesso à intimidade de Holmes, ele parece prometer uma aproximação da verdade, mas também produz uma nova representação dela. A escolha das imagens, a montagem, as perguntas e o ponto de vista dos realizadores participam da construção da personagem que chega ao espectador. A câmera não elimina a mediação entre a pessoa filmada e o público.

A ironia é que, ao tentar descobrir quem Holmes realmente é, também assistimos à construção de mais uma imagem de Elizabeth Holmes. E o espectador, convencido de que está procurando a verdade, participa dessa construção ao interpretar cada gesto a partir daquilo que já sabe ou acredita saber sobre ela.

Existe alguém por trás de todas as máscaras?

Costumamos imaginar que, se conseguíssemos retirar as diferentes máscaras sociais, encontraríamos uma identidade inteiramente autêntica, preservada em algum lugar de nossa vida interior. Mas Jung e Lacan, por caminhos muito diferentes, tornam essa ideia mais complexa.

Para Jung, reconhecer a persona como uma parte da personalidade, e não como sua totalidade, é importante para ampliar a consciência sobre aspectos de nós mesmos que foram deixados de lado durante o processo de adaptação social. Lacan, por sua vez, questiona a existência de um eu completamente separado das identificações pelas quais ele se constituiu.

Não existe, portanto, uma operação simples de retirar a máscara para encontrar uma essência livre de qualquer influência externa. Nossa história, nossas relações e as imagens com as quais nos identificamos participam da maneira como nos percebemos. Isso não significa que estejamos condenados a representar eternamente os mesmos papéis, mas que compreender a própria identidade exige reconhecer também as circunstâncias de sua construção.

Talvez seja justamente por isso que a história de Elizabeth Holmes desperte tanto interesse. Ao tentar descobrir se estamos diante de uma mulher arrependida, de uma pessoa que acredita na própria inocência ou de alguém que continua manipulando os outros, confrontamos uma dificuldade que também faz parte de nossas relações cotidianas: não temos acesso completo à verdade psíquica de ninguém, nem mesmo à nossa.

Todos somos, em alguma medida, personagens nas relações sociais. Construímos imagens para sermos aceitos, admirados, respeitados ou amados, e essas imagens podem mudar conforme nossas necessidades e circunstâncias. Mas, enquanto procuramos identificar a verdadeira Elizabeth Holmes por trás das diferentes versões apresentadas ao público, talvez estejamos repetindo o mesmo movimento que fazemos diante de nós mesmos: acreditar que, em algum momento, encontraremos uma imagem definitiva capaz de explicar tudo aquilo que somos.

A grande questão não é apenas saber qual personagem Holmes criou, qual personagem os outros construíram ou qual ela deseja apresentar agora. É compreender por que precisamos tanto acreditar que, por trás de todas essas representações, existe uma versão única, inteiramente coerente e finalmente verdadeira de alguém.

E o que acontece quando descobrimos que talvez nem nós mesmos sejamos capazes de responder a essa pergunta?


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