The Gilded Age: os spoilers, as teorias e as surpresas da 4ª temporada

Faltam poucos dias para a estreia da quarta temporada de The Gilded Age, no domingo, 1º de novembro, e há uma situação particularmente frustrante para quem acompanha a série: enquanto alguns críticos já assistiram aos oito episódios, nós, simples mortais, precisamos nos contentar com trailers, entrevistas, fotografias e as pistas que escapam nas primeiras avaliações. E, desta vez, escaparam muitas. Algumas confirmam teorias que os fãs vêm defendendo há semanas, outras contrariam expectativas e pelo menos duas revelações prometem transformar completamente a dinâmica das famílias Russell e Van Rhijn.

As primeiras críticas são extraordinariamente positivas, com elogios à ambição da temporada, ao elenco e à maneira como Julian Fellowes e Sonja Warfield conseguiram movimentar tantas histórias simultaneamente. Mas o que realmente chama a atenção é que quase todas apontam para uma quarta temporada mais dramática, com situações que podem colocar em risco não apenas casamentos e reputações, mas a vida de personagens importantes.

Eu estava entre os que duvidavam de algumas das teorias mais populares, especialmente uma envolvendo George Russell. Pelo visto, os fãs podem ter acertado, e não será a primeira vez que uma especulação aparentemente exagerada se mostra muito mais próxima da verdade do que esperávamos.

George Russell: os fãs acertaram sobre o láudano?

Comecemos pela teoria que mais resisti em aceitar. Desde que os trailers mostraram George Russell (Morgan Spector) abatido, irritadiço e aparentemente descontrolado, muitos fãs passaram a especular que ele desenvolveria uma dependência de láudano, medicamento à base de ópio amplamente utilizado no século 19. Eu considerava a hipótese possível, mas achava que o trauma da tentativa de assassinato, somado aos conflitos com Bertha (Carrie Coon) e aos problemas financeiros, já oferecia material suficiente para explicar seu comportamento.

Agora, porém, as críticas apontam insistentemente para uma deterioração muito mais profunda. O The Wall Street Journal menciona expressamente a facilidade com que alguém poderia desenvolver uma dependência de láudano em 1886, enquanto outras avaliações descrevem George como um homem progressivamente errático, física e emocionalmente fragilizado, incapaz de exercer o controle que sempre definiu sua personalidade.

Nada disso confirma oficialmente que ele se tornará dependente da substância, mas seria muita coincidência que o láudano aparecesse justamente em uma crítica dedicada a uma temporada na qual George perde o equilíbrio. Se a teoria estiver correta, os fãs enxergaram antes de mim o caminho escolhido pelos roteiristas.

E o problema não será apenas doméstico. George encontrará em John D. Rockefeller (Neal Huff) um adversário muito diferente daqueles que enfrentou até agora. O magnata do petróleo é descrito como uma presença ameaçadora, um homem que não se impressiona com a fortuna, a autoridade ou a voz imponente de Russell. Pela primeira vez, George pode descobrir que há alguém mais poderoso do que ele, justamente quando está menos preparado para enfrentar uma disputa.

O que torna essa história ainda mais interessante é a relação com Bertha. Os dois começam a temporada separados, depois que ela praticamente sacrificou a felicidade de Gladys para conseguir um título aristocrático para a família. Entretanto, uma das críticas revela uma conversa íntima entre o casal, já perto do final, sugerindo uma reaproximação. George admite que estaria perdido sem Bertha, e ela responde que, enquanto estiver ao lado dele, isso nunca acontecerá.

A reconciliação, portanto, parece encaminhada. Mas a grande questão será descobrir o que os dois precisarão enfrentar até chegar a esse momento.

Gladys corre perigo de morte, e Bertha pode perder muito mais

Outro spoiler importante envolve Gladys (Taissa Farmiga). A jovem duquesa está grávida e terá um parto extremamente complicado na Inglaterra, com o bebê em posição pélvica, uma condição que representava riscos consideráveis para mãe e filho naquele período.

A revelação aparece em uma crítica do The Wall Street Journal, que descreve Gladys à beira da morte e Bertha tentando lidar com uma situação sobre a qual, pela primeira vez, não tem absolutamente nenhum controle. Não estamos mais falando apenas das consequências emocionais de um casamento arranjado, mas da possibilidade de uma tragédia familiar.

É interessante lembrar que a terceira temporada terminou com George responsabilizando Bertha pelo sofrimento da filha. Se Gladys realmente correr risco de morte, o conflito entre os pais poderá atingir proporções ainda maiores. Não há confirmação de que ela ou o bebê morram, mas agora sabemos que o casamento com o duque de Buckingham continuará cobrando um preço muito alto.

Marian finalmente deixa de ser a moça comportada

Marian Brook (Louisa Jacobson) talvez seja a personagem que mais surpreenderá os fãs. Desde os vídeos promocionais, já sabíamos que ela estaria mais ousada, frequentaria lugares que Agnes consideraria absolutamente impróprios e começaria a descobrir uma Nova York muito diferente daquela dos salões da Quinta Avenida.

As críticas confirmam essa transformação e acrescentam um detalhe intrigante: Marian enfrentará uma situação potencialmente escandalosa, envolvendo segredos que precisa esconder da família. Nos dois primeiros episódios, seu comportamento já será bastante diferente daquele que conhecemos nas três temporadas anteriores.

O romance com Larry Russell (Harry Richardson) continua, embora uma das críticas considere que a relação ainda passa tempo demais entre aproximações e hesitações. Sabemos que os dois voltam a se encontrar e que a atração permanece, mas parece que Fellowes pretende complicar uma reconciliação que muitos imaginavam inevitável.

E aqui começam as especulações. Marian terá um envolvimento amoroso que ultrapassa os limites considerados aceitáveis para uma mulher solteira em 1886? O escândalo estará relacionado ao trabalho voluntário que ela passa a desenvolver em uma instituição de assistência social no Lower East Side? Ou ela acabará protegendo alguém e colocando a própria reputação em risco?

Nenhuma das críticas esclarece exatamente o que acontece, embora todas insistam que Marian ganha uma dimensão inédita. Para uma personagem que passou boa parte da série sendo observadora dos conflitos alheios, já será uma mudança considerável.

Larry, por sua vez, enfrentará problemas profissionais e uma relação cada vez mais difícil com George, que parece disposto a descontar no filho parte de suas frustrações. Portanto, mesmo que o casal finalmente consiga superar os obstáculos românticos, a família Russell continuará oferecendo novos motivos para separá-los.

Oscar e Enid: o casamento de conveniência que pode roubar a temporada

Oscar e Enid: o casamento de conveniência que pode roubar a temporada

Se havia uma aposta que parecia cada vez mais segura, era a aliança entre Oscar Van Rhijn (Blake Ritson) e Enid Turner-Winterton (Kelley Curran). Agora sabemos que o casamento realmente acontecerá e que os dois formarão uma das duplas mais divertidas da quarta temporada.

Oscar precisa recuperar a posição social e financeira depois de perder a fortuna da família. Enid, que conseguiu ascender socialmente ao se casar com um milionário muito mais velho, precisa de um sobrenome que a aproxime definitivamente da aristocracia nova-iorquina. O acordo é perfeito, ao menos no papel: ela oferece dinheiro, ele oferece o nome Van Rhijn, e ambos conseguem aquilo que desejam sem precisar fingir um amor que não existe.

As críticas elogiam especialmente a química entre os atores e descrevem o casal como responsável por alguns dos momentos mais engraçados da temporada. Mas há uma revelação adicional: os dois parecem desenvolver planos para enfrentar os Russell.

Enid nunca perdoou Bertha pelas humilhações do passado e continua determinada a ocupar um lugar que sua antiga patroa não possa desprezar. Oscar, entretanto, tem razões menos evidentes para participar dessa rivalidade, especialmente considerando que Larry foi um dos poucos a ajudá-lo depois de sua ruína financeira.

Será que o ressentimento de Enid acabará contaminando Oscar? Ou os dois estarão interessados principalmente em estabelecer uma nova ordem social, na qual o dinheiro e a tradição possam ser usados de maneira ainda mais conveniente?

Depois de acompanhar a trajetória de Enid como uma espécie de Cinderela às avessas, fico particularmente curiosa para descobrir o que acontecerá quando ela finalmente conseguir tudo aquilo que sempre desejou. Afinal, o problema de Enid nunca foi apenas querer pertencer à alta sociedade. Foi querer vencer Bertha Russell.

Ada pode viver o romance mais surpreendente da temporada

E quem imaginaria que Ada (Cynthia Nixon), depois de tantos anos vivendo à sombra de Agnes, poderia protagonizar uma das histórias mais ousadas de The Gilded Age?

Dennis Haysbert interpreta um médico negro que, segundo uma das primeiras críticas, desperta o interesse romântico de Ada, aparentemente correspondido. Ainda não sabemos como essa relação se desenvolverá, mas o simples fato de os dois demonstrarem atração já representa um desafio às convenções raciais e sociais da época.

É uma possibilidade fascinante, sobretudo porque Ada, agora responsável pela fortuna da família, está conquistando uma independência que Agnes nunca precisou reconhecer anteriormente. A irmã mais velha continua tentando comandar a casa e os acontecimentos, mas depende financeiramente daquela que passou a vida inteira considerando incapaz de tomar decisões importantes.

As críticas reservam elogios especiais a Cynthia Nixon e sugerem que Ada terá uma participação central nesta temporada. Talvez seu maior desafio não seja administrar o dinheiro, mas finalmente decidir como deseja viver.

Agnes recebe o presidente, mas Bertha não pretende ficar de fora

Enquanto os mais jovens enfrentam problemas amorosos e os Russell atravessam uma crise familiar, Agnes Van Rhijn (Christine Baranski) terá uma missão à altura de suas ambições: receber o presidente Grover Cleveland para jantar.

A visita promete movimentar toda a elite de Nova York, especialmente porque Bertha também quer conquistar a atenção presidencial. A rivalidade atravessa literalmente a rua que separa as duas casas, agora em circunstâncias bem diferentes daquelas apresentadas na primeira temporada.

Agnes continua representando o dinheiro antigo e a tradição, embora sua fortuna tenha desaparecido. Bertha possui riqueza suficiente para comprar praticamente qualquer coisa, mas ainda precisa disputar determinados privilégios sociais.

O detalhe mais divertido revelado pelas críticas é que Bertha pretende impressionar Cleveland com um cardápio sofisticado, enquanto Agnes sabe que o presidente prefere cerveja e comida simples. Talvez seja uma demonstração de que dinheiro pode comprar praticamente tudo, menos o conhecimento adquirido por gerações de convivência social.

E, para tornar a situação ainda mais constrangedora, Agnes precisa convencer Ada a financiar o evento. Imaginem Christine Baranski tentando manter a autoridade enquanto pede dinheiro à irmã.

Peggy descobre que o amor também pode limitar a liberdade

Peggy Scott (Denée Benton) terá seu primeiro romance publicado e começará a conquistar reconhecimento como escritora, recebendo inclusive um convite de Frederick Douglass para discursar durante a inauguração da Estátua da Liberdade, em 1886.

O problema é que seu relacionamento com o médico William Kirkland (Jordan Donica) enfrentará um conflito bastante moderno: os dois têm carreiras promissoras, mas os projetos profissionais podem levá-los a cidades diferentes.

Enquanto Peggy se prepara para divulgar seu livro, William recebe uma oportunidade em Washington. Como conciliar as ambições dos dois em uma época na qual se esperava que a esposa acompanhasse o marido, independentemente de seus próprios desejos?

Curiosamente, Elizabeth Kirkland (Phylicia Rashad), que anteriormente demonstrava tantas reservas em relação à futura nora, parece começar a respeitar sua determinação. Talvez descubra que Peggy não representa uma ameaça ao filho, mas uma mulher que se recusa a desaparecer dentro do casamento.

É um contraponto interessante à história de Bertha, que sempre lutou para conquistar poder e reconhecimento, mas agora precisa enfrentar as consequências de ter subordinado a felicidade da filha às próprias ambições.

Jack tem dinheiro, mas ainda precisa aprender a ser rico

Jack Trotter (Ben Ahlers) também voltará com uma história que promete explorar uma das contradições centrais da série. Sua invenção o tornou rico, mas dinheiro não significa automaticamente aceitação social.

Agora, os antigos colegas de trabalho precisam ensinar-lhe etiqueta, enquanto ele tenta transformar uma nova invenção em sucesso comercial. Pelas imagens de bastidores, já havíamos identificado uma batedeira entre seus projetos, e as críticas confirmam que sua carreira como inventor continuará.

A ironia é deliciosa: aqueles que passaram a vida servindo os ricos agora precisam ensinar a um ex-criado como se comportar entre eles.

Será que a quinta temporada será a última?

Há ainda uma observação que merece atenção. Uma das críticas, escrita por Wayne Broadway, destaca que o final da quarta temporada transmite uma sensação inesperada de conclusão, como se Julian Fellowes estivesse preparando o caminho para um epílogo.

Isso não significa que a série esteja terminando, tampouco existe confirmação de que a quinta temporada será a última. Mas a impressão de alguém que assistiu aos oito episódios chama a atenção, principalmente porque estamos falando de uma história que começou com famílias tentando conquistar posições sociais e agora parece interessada em mostrar o que acontece depois da conquista.

George conseguiu erguer um império, mas pode perder a saúde e o casamento. Bertha conquistou a posição que desejava, mas colocou a própria família em risco. Agnes preservou seu prestígio, embora tenha perdido o controle financeiro. Oscar e Enid terão finalmente aquilo que lhes faltava, mas talvez continuem prisioneiros de suas ambições. Marian quer liberdade, porém descobrirá que a independência feminina ainda tem consequências muito diferentes das enfrentadas pelos homens.

Há uma ligação entre todas essas histórias que considero particularmente interessante: conseguir aquilo que se deseja não significa necessariamente encontrar a felicidade.

E talvez esteja aí a grande mudança da quarta temporada. The Gilded Age sempre foi uma série sobre ascensão social, rivalidade e poder. Agora parece disposta a investigar quanto custa manter tudo aquilo que foi conquistado.

Até domingo, restam as especulações. Os fãs aparentemente acertaram uma das teorias mais importantes sobre George, as críticas praticamente confirmam a reconciliação com Bertha, o casamento de Oscar e Enid promete ser uma festa, e Ada pode surpreender tanto quanto Marian. Mas ainda existem perguntas muito maiores do que as respostas disponíveis.

Entre todas, uma continua me intrigando especialmente: o que Marian fará de tão escandaloso para que os críticos, que já revelaram até o perigo de morte de Gladys, prefiram guardar justamente esse segredo?

Pelo visto, os oito episódios ainda reservam surpresas suficientes para nos fazer mudar de opinião várias vezes. E a ansiedade para domingo, que já não era pequena, ficou consideravelmente pior.


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