Callum Turner ainda não é oficialmente o novo James Bond, mas nunca esteve tão perto de conquistar o papel mais cobiçado do cinema britânico. Aos 36 anos, o ator que ganhou projeção internacional em Animais Fantásticos e se destacou em Mestres do Ar voltou ao centro das especulações depois que o jornalista Roger Friedman, do Showbiz411, afirmou na segunda-feira (2) que seu nome circula nos bastidores como o escolhido para substituir Daniel Craig. Friedman tem um histórico importante: foi um dos primeiros a antecipar a escalação de Craig para o papel de James Bond em Cassino Royale, em 2005.
A notícia ganhou força porque Turner estaria entre os atores submetidos aos testes finais nos estúdios Bray, na Inglaterra, no fim de outubro. Segundo a Variety, a seleção está sob responsabilidade de Nina Gold, diretora de elenco que trabalhou em Game of Thrones, e do diretor Denis Villeneuve, responsável pelo próximo filme da franquia. Jack Lowden, de Slow Horses, e Josh O’Connor, de The Crown, também figuram entre os concorrentes.
Mas quem é Callum Turner e por que Hollywood acredita que ele pode vestir o smoking de 007?

Nascido em Londres, em 15 de fevereiro de 1990, Callum Robilliard Turner cresceu no conjunto habitacional World’s End, em Chelsea, criado pela mãe, Rosemary. Antes de pensar seriamente em atuar, sonhava em ser jogador de futebol. Chegou a disputar competições juvenis e, quando percebeu que o esporte não seria seu futuro, começou a trabalhar como modelo. Sua carreira de ator teve início em pequenos projetos de cinema e televisão, sem que tivesse passado por uma escola tradicional de interpretação.
Sua primeira grande oportunidade veio com Rainha e País (Queen and Country, 2014), de John Boorman, no qual interpretou um jovem soldado britânico nos anos 1950. O papel chamou atenção para sua capacidade de combinar uma aparência de galã clássico com uma vulnerabilidade pouco convencional.
Nos anos seguintes, participou de produções como Victor Frankenstein, Assassin’s Creed e Apenas um Garoto em Nova York (The Only Living Boy in New York, 2017), no qual interpretou o filho do personagem de Pierce Brosnan. A experiência ganharia importância inesperada quase uma década depois.
Em 2018, Turner entrou numa grande franquia ao interpretar Teseu Scamander, irmão de Newt Scamander, vivido por Eddie Redmayne, em Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald. Repetiu o papel em Os Segredos de Dumbledore, em 2022, demonstrando que conseguia funcionar dentro de uma superprodução sem desaparecer entre efeitos visuais e personagens consagrados.
Foi, porém, na televisão que encontrou uma de suas melhores oportunidades. Em The Capture (2019), interpretou Shaun Emery, um ex-soldado envolvido numa investigação que questiona a confiabilidade das imagens e dos sistemas de vigilância. A atuação lhe rendeu uma indicação ao BAFTA de melhor ator, comprovando que sua presença dramática ia além da aparência.
Depois vieram Remando para o Ouro (The Boys in the Boat, 2023), dirigido por George Clooney, e Mestres do Ar (Masters of the Air, 2024), produção de Steven Spielberg e Tom Hanks para a Apple TV. Na série sobre os pilotos americanos durante a Segunda Guerra Mundial, Turner interpretou o major John Egan, conhecido como Bucky, ao lado de Austin Butler. Seu personagem reunia coragem, autoconfiança, impulsividade e um carisma que ajudava a esconder as consequências psicológicas da guerra.

É justamente nessa combinação que se pode identificar parte de seu potencial para James Bond. Turner tem presença física, elegância natural e capacidade de interpretar homens aparentemente seguros que escondem conflitos internos. Também pertence a uma geração de atores que cresceu admirando o cinema de Robert De Niro e Leonardo DiCaprio, mas demonstra afinidade com a tradição de astros como Montgomery Clift e Gary Cooper.
Mais recentemente, dividiu a cena com Elizabeth Olsen e Miles Teller na comédia romântica Eternidade (Eternity, 2025), ampliando seu repertório para um gênero no qual ainda não havia se aventurado. Em 2026, participou de Rosebush Pruning, do brasileiro Karim Aïnouz, apresentado no Festival de Berlim, ao lado de Elle Fanning, Jamie Bell e Pamela Anderson.
Quando Callum Turner começou a ser associado a James Bond?
Seu nome já circulava entre os possíveis sucessores de Daniel Craig havia algum tempo, mas ganhou força durante 2025, especialmente nas casas de apostas britânicas. Em novembro daquele ano, a Coral o colocou à frente de candidatos mais conhecidos, como Aaron Taylor-Johnson e Henry Cavill, depois de uma movimentação expressiva nas apostas.
A especulação ganhou novo impulso em fevereiro de 2026, quando Turner participou do Festival de Berlim para divulgar Rosebush Pruning. Questionado sobre James Bond, evitou responder diretamente, dizendo que ainda era cedo para falar sobre o assunto.
Em junho, admitiu ao The Hollywood Reporter que até pessoas com quem não conversava havia dez anos entravam em contato para perguntar se seria o próximo 007. A curiosidade já havia ultrapassado os círculos especializados e chegado à sua vida cotidiana.
O passo mais significativo ocorreu em outubro. Segundo a imprensa americana, Turner, Jack Lowden, Josh O’Connor e um quarto candidato não identificado receberam convites para a rodada final de testes. A realização dessas audições foi noticiada por veículos como Variety, The Hollywood Reporter e TheWrap. Sua eventual participação, porém, não constitui confirmação de que tenha conquistado o papel.

No dia 2 de novembro, Roger Friedman reforçou os rumores ao apontá-lo como provável escolhido. Outra pista alimentou a especulação: Turner deixou a direção da Twentytwo Films, produtora fundada com Dua Lipa. A saída passou a ser interpretada como uma forma de liberar sua agenda para a franquia, embora os registros empresariais mostrem que a mudança ocorreu em dezembro de 2025, muito antes dos testes finais.
O que Pierce Brosnan acha de Callum Turner?
A possível escolha recebeu um comentário especialmente interessante nesta terça-feira (3). Em entrevista à Vanity Fair, Pierce Brosnan, que interpretou James Bond em quatro filmes entre 1995 e 2002, elogiou Turner, com quem trabalhou em Apenas um Garoto em Nova York.
Brosnan destacou a força do ator e observou que os candidatos atualmente associados ao papel possuem presença cinematográfica, voz, características físicas e carreiras promissoras. Também demonstrou entusiasmo com Denis Villeneuve, afirmando esperar que o diretor surpreenda o público com sua visão para a franquia.
O elogio não significa que Brosnan saiba quem foi escolhido, mas acrescenta um endosso importante à candidatura de Turner. Afinal, ele conhece tanto as exigências de interpretar James Bond quanto o trabalho do ator apontado como favorito.
A opinião, entretanto, não é unânime. Debbie McWilliams, diretora de elenco que participou da escolha de Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig, declarou em junho que preferiria um ator menos conhecido para assumir o personagem. Segundo ela, James Bond deve conservar uma aura de mistério, algo que pode se perder quando a vida pessoal de um intérprete já está excessivamente exposta.
E esse talvez seja um dos pontos delicados da candidatura de Turner. Seu relacionamento com Dua Lipa o tornou conhecido de um público muito maior do que aquele que acompanha seus filmes. Por outro lado, a associação também alimenta uma possibilidade irresistível para os fãs: a cantora poderia interpretar o tema musical do próximo 007, algo que Friedman chegou a sugerir em seu comentário sobre a escolha.

Um James Bond diferente de Daniel Craig?
A principal força de Callum Turner talvez esteja justamente no fato de não ser uma escolha óbvia. Com 1,87 m de altura, aparência que remete aos galãs clássicos e experiência em ação, drama e romance, ele reúne características que poderiam funcionar numa nova interpretação do personagem.
Mas seria um erro imaginar que o próximo Bond precisa simplesmente reproduzir o modelo estabelecido por Daniel Craig. Entre Cassino Royale e 007 — Sem Tempo para Morrer, Craig transformou o agente secreto em um homem fisicamente brutal, emocionalmente vulnerável e cada vez mais marcado pelas consequências de suas próprias escolhas.
Turner poderia oferecer outra combinação: uma elegância menos ostensiva, um humor mais discreto e uma masculinidade capaz de oscilar entre confiança e fragilidade. Sua atuação em Mestres do Ar sugere que possui os recursos necessários para interpretar alguém que mantém uma aparência de controle mesmo quando tudo ao redor começa a desmoronar.
A grande incógnita, naturalmente, é a visão de Denis Villeneuve. O cineasta de A Chegada, Blade Runner 2049 e Duna dificilmente será contratado apenas para repetir as fórmulas anteriores. Com Steven Knight, criador de Peaky Blinders, responsável pelo roteiro, há expectativa de uma reformulação que respeite a identidade de James Bond sem ignorar as mudanças do cinema e do público.
O próximo filme será o primeiro produzido sob o controle criativo da Amazon MGM, depois que Barbara Broccoli e Michael G. Wilson deixaram a condução artística da franquia. É uma mudança histórica para uma série que passou mais de seis décadas ligada à mesma família de produtores.
Se Callum Turner for realmente escolhido, será o sétimo ator a interpretar James Bond na série oficial de filmes, sucedendo Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig.
Por enquanto, o anúncio não aconteceu. Mas Turner deixou de ser apenas mais um nome entre os muitos candidatos e se tornou uma das figuras centrais da disputa. Aos 36 anos, com uma carreira em ascensão e experiência suficiente para sustentar uma grande produção, ele pode estar diante do papel que transformará definitivamente sua trajetória.
E, se Dua Lipa acabar cantando a próxima canção-tema, o novo James Bond poderá estrear com um privilégio que nenhum de seus antecessores teve: a trilha sonora praticamente dentro de casa.

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