West Side Story: clássico revisitado por um gênio

Ao longo de sua carreira, Steven Spielberg sempre quis fazer um musical, porém não encontrava o material certo. Quando foi anunciado que refilmaria um dos maiores clássicos de todos os tempos, Amor, Sublime Amor, mesmo com sua credibilidade, encontrou muita suspeita sobre a escolha. Afinal, um filme vencedor de 10 Oscars, incluindo Filme, Direção, Ator e atriz coadjuvantes, fotografia, Set design, música, edição e roteiro, entre outros, dificilmente tinha espaço para uma nova versão. Filme é diferente de teatro, onde cada produção tem suas características e as performances ao vivo mudam a dinâmica. Na película, a performance é única, definitiva e eternizada.

Se tinha alguém que poderia ter essa ousadia seria Spielberg e as filmagens acabaram em 2019 (o lançamento de 2020 foi adiado em um ano, para poder esperar a abertura dos cinemas). E valeu a pena.

Nas minhas colunas em CLAUDIA falei das curiosidades e bastidores do filme original, do brilhantismo dos três gênios reunidos no auge de seus talentos: Leonard Bernstein, Jerome Robbins e Stephen Sondheim. A história, uma atualização de Romeu e Julieta levou a guerra das gangues de Upper West Side para os palcos. São tantos os clássicos que é quase impossível listá-los: de Somewhere a Tonight ou Something’s Coming, Maria e I Feel Pretty, a atualidade de América, é um desafio não virar um Sing-along.

Spielberg chama a refilmagem de revisitação e isso é coerente. Há mais diálogos, um elenco com idade mais adequada aos papéis e arranjos sensacionais de Gustavo Dudamel. É, o que chamava, um filmaço. Há ritmo, há sensibilidade, há contextualização e as pequenas adaptações ficaram perfeitas. Uma delas foi a de trazer Rita Moreno de volta à produção. Agora ela é Valentina, a viúva do Doc, o farmacêutico original e é ela, não mais Maria, que canta a importante Somewhere.

O elenco está afinado e perfeito. Ansel Elgort como Tony e a novata Rachel Zegler como Maria tem química (e voz!), assim como Ariana deBose como Anita e David Alvarez como Bernardo. Riff também ganhou maior dimensão na pele de Mike Faist. O racismo e intolerância, que na história de amor ficavam como pano de fundo, ganham maior peso na versão atual e é essencial para criar a emoção de um amor impossível. Há uma falha, que seria quase um desafio, que é a legendagem e tradução, os mais puristas se queixaram das expressões atuais que “assassinam” a poesia de Sondheim, mas ainda assim não fere.

Amor, Sublime Amor vem com tudo para fazer história no Oscar, com novas indicações de Filme, Direção, Fotografia e Roteiro, 60 anos depois. Tem chance e a minha torcida. É o filmão clássico de Oscar, uma obra prima que ficou ainda mais linda nas lentes de Spielberg. Amei!

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