Adeus à Marilyn Bergman, que nos fez sonhar com suas letras

Poucos conseguiram escrever sobre o amor como o casal Alan e Marilyn Bergman. Suas composições – vencedoras de Oscar, Grammy, e muitos prêmios – são, sem exagero, perfeitas. E, poucas semanas depois que seus amigos Joan Didion e Stephen Sondheim nos deixaram, Marilyn também se foi.

Marilyn tinha 93 anos e sua causa de morte foi “falha respiratória”.

Difícil é listar as melhores canções escritas por Marilyn e seu marido, Alan. The Way We Were rendeu o primeiro Oscar, em 1974. The Windmills of your Mind, The Summer Knows, It Might Be You (outro Oscar), The Way he Makes me Feel, You Don’t Bring Me Flowers, How do You Keep The Music Playing, Nice ‘n Easy, So Many Stars, I Was Born In Love With You, a lista facilmente tomaria dias para criar. Não era à toa que eram um dos favoritos de estrelas como Barbra Streisand ou Frank Sinatra. A simplicidade de suas letras era poéticas. Eu digo: eu amei o cinema via as músicas e letras desse casal, roteiristas de bastidores, colocando nas canções os pensamentos de personagens e nos ajudando a compreendê-los, amá-los para sempre. Eu que escrevo a tenho, os tenho, no meu pedestal junto a autores literários e roteiristas.

Marilyn foi, por muitos anos, uma das poucas letristas mulheres no mundo do Entretenimento, de igual com seu marido.Em 2007, lembrou que em reuniões, as mulheres que estavam presentes era apenas porque representavam algum homem, ela era a rara a estar ali por seu trabalho. Inclusive, foi a primeira mulher a presidir a ASCAP (American Society of Composers, Authors and Publishers), entre 1994 e 2009.

Nascida como Marilyn Katz, em Nova York, em 1928, descobriu a música ainda adolescente, quando um colega de escola a apresentou ao tio, Bob Russell, compositor que tocava com Duke Ellington e autor de Don’t Get Around Here Much Anymore. Depois das aulas, Marilyn tocava piano para Bob enquanto escrevia as letras. Porém, devido ao machismo do meio, Marilyn não vislumbrou uma carreira nas Artes, indo estudar e se formar em Psicologia. O destino, então, interveio.

Após um queda séria nas escadas, onde quebrou o ombro, Marilyn foi se recuperar na casa dos pais, que a essa altura tinham deixado Nova York por Los Angeles. Bob Russell, que também estava na California, sugeriu que ela tentasse compor algo enquanto estava convalescendo. Por conta da dor do ombro, que impedia tocar piano, Marilyn optou por escrever as letras. Nada de seguir os passos de Freud, agora seria letrista.

Com o nome artístico de Marilyn Keith, conseguiu um emprego com o compositor Lew Spence. Ela a apresentou ao jovem Alan Bergman. A parceria foi imediata, o casamento? Dois anos depois, em 1958.

Uma de suas primeiras canções, escritas para Frank Sinatra, reflete muito a parceria do casal: Nice ‘n Easy, um dos clássicos da música americana.

A carreira no cinema de Alan e Marilyn Bergman, cujos nomes viraram uma marca de qualidade única, começou em 1961, com o filme The Right Approach, mas foi em 1967, na trilha sonora do filme estrelado por Sidney Poitier e assinada por Quincy Jones, In the Heat of the Night, que chamaram a atenção. O casal fez uma parceria histórica com o compositor francês, Michel Legrand, incluindo The Windmills of Your Mind, em 1968, para o filme com Steve McQueen, The Thomas Crown Affair. Foi o primeiro Oscar do trio.

A canção dos três que mais amo, de 1969, foi indicada, mas não ganhou: What Are You Doing The Rest Of Your Life, do filme The Happy Ending. Rapidamente passaram a ser os letristas mais disputados e respeitados da Indústria. The Way We Were, escrita com Marvin Hamlisch para o filme de Barbra Streisand e Robert Redford, é como um hino para a atriz, que passou a ser amiga dos dois dois e entergou a Alan, Marilyn e Michel o trabalho de fazer a trilha sonora de seu filme de estreia como diretora, o musical Yentl, em 1983.

Nos anos 1980s, chegaram a bater o recorde assinando três das cinco canções indicadas ao Oscar: It Might Be You, de Tootsie, If We Were in Love, de Yes, Giorgio e How Do You Keep The Music Playing, de Best Friends. Fora do cinema, escreveram para TV, Broadway e até o megahit de Neil Diamond, You Don’t Bring Me Flowers. Sim, eles escreviam sobre encontros e desencontros amorosos como ninguém.


A solidez da parceria era o reflexo de um casamento feliz. Sua frase famosa quando indagada sobre o segredo do sucesso da união dos dois era: “Fazemos amor como porcos-espinhos: com muito cuidado”, ela disse. Sobre o trabalho de letrista, Marilyn creditava à coragem e entendimento de reescrever, reescrever e reescrever. “Ter a habilidade de reescrever e não se apaixonar tanto pelo que escreveu que não possa considerar uma maneira ainda melhor”, ensinou.

Barbra Streisand lamentou a morte da amiga, que considerava parte de sua família.

Marilyn nunca escondeu que ela e Alan preferiam escrever para o cinema. Para ela, a razão era simples. “Filmes falam mais com nosso subconsciente, a parte do cérebro que nos faz sonhar”, disse.

E assim eram as palavras que Marilyn, com Alan, imortalizou no cinema. Nos fazendo sonhar e nos oresentando com poesias e inspiração.

Preparei uma playlist com apenas das 10 canções mais conhecidas. Obrigada, Marilyn Bergman.

1 comentário Adicione o seu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s