A talentosa e bela Denée Benton e a misteriosa Peggy Scott

Tenho que começar esse post com um sincero pedido de desculpas aos fãs da personagem Peggy Scott (Denée Benton) de The Gilded Age, como eu mesma sou. Desenvolvi uma teoria sobre as maldades de Tom Raikes (Thomas Cocquerel) onde a doce Peggy parece – pela promo – poder estar envolvida.

Não fosse a importância da entrada de diversidade dentro do universo de Julian Fellowes, que espetramente está trazendo as questões do racismo estrutural, do preconceito e de problemas da sociedade que ainda são pertinentes, até poderia ser interessante que Peggy tivesse um lado sombrio e desconhecido, mas não será o caso. É muito improvável. Como uma pessoa postou, ela pode estar sofrendo nas mãos de Tom Raikes e por chantagem estar participando do golpe, o que me parece ser mais plausível. Vamos provavelmente descobrir no episódio de hoje.

Através da narrativa de Peggy, The Gilded Age está endereçando estereótipos errados perpetuados em filmes e séries anteriores e mostrando uma classe de elite do século 19, formada por negros bem sucedidos e que o time criativo da série trabalhou para reportar com apuro e dignidade, liderado pela consultura história, Erica Armstrong Dunbar. A família de Peggy é de um pai farmacêutico e dono de seu próprio negócio, sua mãe é pianista clássica e Peggy mesmo é uma moça educada em uma escola particular. Ela tem melhor condições – tecnicamente – do que Marian Brook (Louisa Jacobson). Brooklyn, nesse período, era uma cidade à parte, não um dos cinco condados que fazem a Nova York de hoje e era ali que estavam estabelecidos.

Para interpretar Peggy, a produção trouxe uma das atrizes mais respeitadas da Broadway no momento, Denée Benton, que estrelou The Book of Mormon, Natasha, Pierre and The Great Comet of 1812 e Hamilton, entre outros espetáculos. Natural da Florida, Denée estudou na Pennsylvania e começou o circuito de musicais até chegar à Broadway, já com uma indicação ao Tony de Melhor Atriz. Como Peggy, Denée está ganhando reconhecimento mundial.

A atriz sempre teve preocupação de como Peggy seria apresentada e percebida, pois é uma personagem mais complexa do que se apresenta, porém não queria cair em armadilhas estruturais típicas. Por exemplo, Peggy não é uma empregada na casa dos Van Rhijn. É uma secretária particular pois tem preparo superior ao resto da equipe. No original, Peggy se passaria como serviçal de Marian para poder ficar na casa, mas Denée não aceitou a proposta e a mudança foi feita.

“O que foi realmente emocionante sobre esse papel foi que imediatamente senti uma afinidade com Peggy. É tão raro para mim conseguir um papel em que eu sinta uma relação tão específica com sua práxis identitária, não apenas como uma mulher negra, mas como uma mulher negra criada com seu nível de educação – com pais profissionais que trabalham e o nível médio-alto específico -classe, história da mulher negra, que é muito a minha história”, ela disse em uma enrevista à Glamour. “Não era a história de “eu fui a primeira geração disso”. Meus pais sendo a primeira geração fora das leis de Jim Crow, e então os pais de Peggy sendo a primeira geração fora da escravidão, e o que eles fizeram com essa oportunidade. E eu sendo a primeira geração disso. Não é realmente uma perspectiva da vida negra que o mainstream parece estar muito interessado. Passei muito da minha educação me sentindo isolado dentro dessa história. Ver que eu realmente venho de uma linhagem muito longa de Peggy Scotts foi realmente curativo para mim e emocionante e senti como se fosse um sentimento de pertencimento”, explicou.

A atriz também elaborou como quer que vejamos Peggy Scott.

“Sinto que estou dando o presente de dar vida a esses ancestrais que foram amplamente empurrados para as margens. Para chegar a ver que houve pessoas negras em todos os níveis da sociedade por todos os tempos. Qualquer coisa que nos diga que não estávamos nos movendo por todos os espaços é apenas uma ilusão da supremacia branca e da imaginação branca que controlou a narrativa por tanto tempo”, disse ela. “Me senti realmente dedicada a esse tipo de dignidade e a essa responsabilidade”, completou.

Outra mudança defendida pela equipe de historiadores que Denée celebra foi a que possibilitou a entrada de mais atores negros no elenco: a de mostrar a história do jornal The New York Globe, para o qual Peggy tem escrito, e a entrada de T. Thomas Fortune (Sullivan Jones), que parece tre potencial romântico com Peggy. Será? Primeiro temos que descobrir o destino de Elias Finn, o namorado que os pais da escritora não aprovaram e que providenciou a ela a vivência necessária para salvar Marian de uma situação constrangedora com Raikes. A amizade das duas jovens também teve adaptações para refletir uma relação mais antenada e equilibrada entre uma jovem branca e outra negra, passando por problemas semelhantes.

“Eu também defendi muitas das nuances que aparecem no relacionamento de Peggy e Marian. Eu queria ter certeza de que, se fôssemos construir uma amizade entre essas duas mulheres, não construíssemos uma fantasia e que pudéssemos ver a fragilidade branca de Marian. Temos que ver Peggy estabelecer esses limites, como uma mulher negra e branca realmente constrói confiança neste momento e em 2022?”, a atriz falou na mesma entrevista. “Quais são esses atritos que acontecem para passar de um colega para uma amizade e que segurança precisa ser estabelecida? Realmente defendendo que Marian não seja apenas uma heroína branca e que Peggy não seja um símbolo ou uma negra mágica ou qualquer um dos tropos, e deixando Marian cair de cara no chão e ver como eles se recuperam disso”, argumentou.

Portanto, a promo do episódio de hoje pode ter sido maldosa. O mistério de Peggy continua, mas o talento de Denée vai nos presentear com uma personagem interessante e extremamente relevante para a trama. Mal posso esperar!

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