A sorte de Barry com dias contados?

A temporada 3 de Barry está espetacular. Como bem diz a tag, não há como enterrar o passado, mas quase todas personagens (Sally (Sarah Goldberg) e Fuches (Stephen Root), de alguma forma, são exceção e já falarei deles) estão lidando com os fantasmas de anos atrás.

Fora o protagonista Barry (Bill Hader), que tem o que os fãs chamam de plot armor (proteção de roteiro), portanto é sempre salvo por pequenas coincidências, erros crassos não têm como serem apagados e estamos vendo as tentativas de todos de reescreverem seus presentes, sem sucesso.

NoHo Hank (Anthony Carrigan), que em parte foi responsável pela dor de cabeça de Barry por ter indiretamente ajudado a identificá-lo, ainda na 1ª temporada, é realmente amigo do assassino e conseguiu se colocar como líder da máfia chechena em Los Angeles. Mais ainda, descobriu o amor verdadeiro com Cristobal Sifuentes (Michael Irby), a quem Barry ajudou a salvar da máfia boliviana. Ou assim acharam.

Batendo na tecla do passado te persegue, Cristobal e Noho Hank tiverem um fulgaz e trágico amor, condenado pelas culturas machistas de seus países e com uma única possibilidade, ainda que em segredo, na ensolarada Califórnia. Embora o checheno tenha conseguido manipular o seu lado, Cristobal não teve tanta sorte. Primeiro seu sogro chegou ameaçando tudo e Barry o salva espetacularmente da morte no episódio passado. Porém certamente nos despedimos dele agora que sua esposa veio “resgatá-lo”, massacrando os chechenos (uma cena violenta, mas cômica) e descobrindo que o marido é homossexual. Noho Hank, literalmente de volta a um armário para sobreviver, chora o fato de que não importa o que faça no presente, o passado dele e de Cristobal foi escrito com sangue e drogas, dificilmente terá um final feliz.

Depois de ganhar uma segunda chance pelas mãos de Barry, Gene Cousineau (Henry Wrinkler) está empenhado em consertar seu passado. Se aproximando do filho, pedindo desculpas às pessoas que magoou quando ainda agia como uma estrela irascível, mas também descobriu, como uma ex-namorada coloca: não há como reescrever o que aconteceu. Ele pode e tem que se desculpar, mas não necessariamente vem com o perdão garantido. Ao prejudicar a carreira da ex, por exemplo, ele tirou dela a oportunidade de trabalho que não volta mais, a vida dela é diferente e impactada pela maldade dele, não importa o que faça ou sinta agora. Mais uma vez, ressaltando o tema das consequências como o foco da temporada.

Sally, ainda narcisista ao inimaginável, é a voz da crítica dos artistas à indústria do entretenimento, vou dissertar mais sobre ela em breve. Escrita para incomodar, Sally lida com o presente: seu conteúdo pode ter agradado aos críticos, outrora os grandes vilões, mas como não teve um acesso significativo em 24h, foi massacrado pelo antagonista da hora: os algoritmos.

Sally é insensível e manipuladora, não temos empatia com ela porque ela é a menos empática de todas personagens, mas está tentando de todas as formas se afastar do seu passado de relacionamento com homens violentos, por isso Barry – se esforçando para apagar o passado dele- não se encaixa mais nos planos da atriz. Sorte dele, na verdade, mas é o que o está afligindo pois as três pessoas com quem tem uma ligação afetiva o querem longe (ou, no caso de Fuches, morto).

Aliás, como previsto, Barry é o Forrest Gump dos criminosos, o destino sempre o salva de formas bizarras. Amarrando a primeira cena da série, o homem que vemos Barry matar em um hotel, a viúva e seu filho receberam a dica de Fuches como localizar o ex-soldado e de fato, por um segundo, quase que Sally pagou por isso. Mas os dois, claramente inexperientes, decidem que vão matar Barry em um local menos visado e com isso, bum, um acidente a la Pulp Fiction dá mais tempo para o protagonista, ainda ignorante do exército de vítimas que Fuches colocou em seu encalço.

A entrada do ex-companheiro do exército, que Barry salvou no Afeganistão e que agora está com o FBI, pode significar mais perigo para ele do que qualquer plano de seu ex-amigo/sócio. Fuches é odiável e o único de todos que ganhou um futuro e presente limpos, mas que se jogou na mágoa do passado por ressentimento de que Barry está tentando fazer o mesmo.

A série está se encaminhando para uma conclusão, e nada pode ser dito que seja “esperado” a essa nova altura. Torcer por Barry ou Noho Hank é o máximo de uma manipulação de uma história bem desenhada, mérito do criador da série, Bill Hader. A parceria dos dois, que foi sendo construída com humor e sensibilidade, é uma das grandes qualidades de Barry. A série já venceu vários Emmys, honestamente? Ainda vencerá muitos outros.

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