Os 145 anos de O Lago dos Cisnes

Em março de 2022, sem que tenhamos ressaltado, completaram 145 anos da estreia de O Lago dos Cisnes. A obra da qual o compositor Pyotr Ilyich Tchaikovsky teve total envolvimento para criar, mas que foi um fracasso inicialmente, hoje passou a ser um dos balés mais populares de todos os tempos.

Inspirado em contos folclóricos russos e alemães sobre a princesa transformada em cisne pela maldição de um malvado feiticeiro, O Lago dos Cisnes é uma obra romântica e emocionante e foi um projeto encomendado pelo Bolshoi Ballet, na época liderado pelo coreógrafo Julius Reisinger. Foi o primeiro ballet escrito por Tchaikovsky, que venceu seu preconceito inicial, mesmo sendo fã dos trabalhos de Léo Delibes em Sylvia e Adolphe Adam em Giselle, ambos usando a técnica Leitmotif, que é associar certos temas a certos personagens ou clima. O compositor usou leitmotifs tanto em O Lago dos Cisnes e, mais tarde, O Quebra Nozes e A Bela Adormecida. O famoso tema do cisne, que abre o segundo ato, é um leitmotif, por exemplo.

Nem toda música foi escrita diretamente para obra. Tchaikovsky também usou peças antigas e inacabadas para criar sua partitura de O Lago dos Cisnes, incluindo sua versão para história que tinha sido encenada em sua casa, com seus sobrinho e que já incluía o tema dos cisnes. Também usou material de óperas inacabadas, como The Voyevoda e Undina.

Porém a beleza e riqueza da música não foi suficiente para o coreógrafo original, que a achou difícil a partitura complicada para ser usada em passos. Vaias, críticas unânimes traumatizaram o compositor e engavetaram essa obra-prima por anos. Foi após a morte de Tchaikovsky que Marius Petipa e Lev Ivanov montaram sua versão, para o Ballet Imperial (hoje Mariinsky) e é essa produção que serviu de base para todas as versões até hoje. A versão “definitiva” estreou em 15 de janeiro de 1895, e Tchaikovsky, que inicialmente tinha um apego maior à música desse balé, jamais soube o quanto estava certo. Mesmo que, após ter escutado a música de Sylvia, tenha sugerido que jamais conseguiria chegar aos pés do trabalho de Léo Delibes. Nós apaixonados pelo “Lago”, discordamos, claro.

Dançar os papéis de Odette-Odile em O Lago dos Cisnes completa o processo de transformar bailarinas em primeira-bailarinas, e são várias as interpretações renomadas no papel. Assunto para outro post!


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