“A” entrevista e seu contexto em The Crown

Com a aproximação da 5ª temporada de The Crown, que vai abordar a virada da Princesa Diana contra o sistema opressor da Família Real, assim como sua trágica morte, que completará 25 anos em pouco mais de um mês, as tensões aumentam sobre um ponto crucial: a entrevista concedida à BBC, em 1995. A confirmação de que a série vai incluir um dos momentos mais delicados para os Windsors gera reações de todos os lados, cada dia mais.

A entrevista foi tema de posts aqui mais de uma vez. Quando em 2020 ressaltei a relevância do fato, depois, em 2021 confirmei a decisão dos showrunners de incluí-la, e outros posts sobre quando foi reconhecido e divulgado que o repórter Martin Bashir mentiu e forjou documentos para convencer Diana a falar publicamente sobre seu divórcio. A pedido dos príncipes William e Harry, assim como o irmão de Diana, Conde Charles Spencer, a entrevista jamais será reexibida na íntegra, mas não há como apagá-la da História.


Em sua declaração sobre a BBC, William, considera que a entrevista não tem legitimidade, uma vez que só aconteceu em cima de calúnias e mentiras, estabelecendo “uma narrativa falsa” na qual, ao seu ver, passou a ser tratada como produto comercial. É verdade, o que, em termos de conteúdo para The Crown, só reforça a relevância de incluir o fato na série. Porque Diana estava pronta para chutar o balde e teve a oportunidade perfeita para fazer história com a entrevista.

Outra entrevista estará na 5ª temporada e é ligada à da Panorama, na qual Príncipe Charles deu “sua versão dos fatos” em uma longa conversa com o jornalista Jonathan Dimbleby, também na BBC. Nessa conversa, Charles admite seu amor por Camilla Parker Bowles. Na mesma noite, Diana foi a um evento com o “vestido da vingança”, que sabemos já ter sido visto nas gravações.



E o que mudou em relação a entrevista de Diana em termos históricos? A principal motivação da princesa, que não era apenas ciúmes de Camilla, mas da ex-babá de Harry, Alexandra Pettifer, mais conhecida como Tiggy Legge-Bourke. Segundo chegava até a mãe do futuro Rei, Charles e Tiggy estariam vivendo uma tórrida história de amor, com a então jovem optando por um aborto para evitar escândalos. Um dos documentos que teria convencido Diana era uma falsificação de exames médicos que comprovariam a fofoca.



A Justiça britânica decidiu essa semana que Tiggy será indenizada por difamação pela BBC,
justamente porque alegações ‘falsas e maliciosas’ sobre ela foram a base para Martin Bashir conseguir a entrevista, em 1995.

A vidente de Diana, Simone Simmons, lamentou em uma entrevista ao The Sun que Diana tenha morrido acreditando nas mentiras que chegavam até ela. “Diana ficou muito zangada com Charles e disse aos meninos que não falassem com Tiggy”, ela lembrou. “Diana morreu acreditando que era verdade. Se ela estivesse por perto agora, ela se desculparia terrivelmente. Mas Bashir a deixou paranóica sobre tudo e todos. Foi um dos maiores truques já jogados”, completou ecoando o que William considera, que os últimos momentos de Diana foram de estresse, paranóia e muita insegurança.



Esses elementos foram usados nos filmes Spencer e Diana, e ainda são alimentados como verdades pelo que percebemos pelas declarações do Príncipe Harry quando as compara com Meghan Markle. A verdade aparente entre as duas histórias é a Família Real é manipulada e afetada por terceiros, que sabem encontrar as feridas para provocar dramas que vendem jornais e alimentam algoritmos. Nem mesmo 25 anos depois da morte de Diana a fábrica de notícias mudou. Esse sim é o principal drama a ser abordado em The Crown.

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