Decifrando Alicent Hightower

Um disclaimer para quem não curte House of the Dragon, o MiscelAna vai ficar meio monotemático até outubro… mas prometo tentar o melhor para diversificar!

Caminhando para o terceiro episódio, estamos vendo as diferenças e respeito para personagens do livro Fogo e Sangue, que é a base da série. Antes da produção ir ao ar, tínhamos apenas a narrativa nada imparcial da obra, que nem sempre era correta ou carinhosa com algumas personagens. Nas páginas, o mistério em torno de Alicent Hightower faz dela uma das personagens mais curiosas dessa primeira temporada, inclusive porque sua dubiedade ainda não nos dá muito material para um julgamento de sua personalidade ou intenções, mas já vale a discussão.

Alicent, filha do Mão do Rei, Otto Hightower, vem de uma das famílias mais ricas e influentes em Westeros. Foi trazida pelo pai para a Corte ainda muito nova, circulando com tranquilidade entre os mais importantes nomes do reino.

Na série não mencionam o papel que teve tão próximo a Jaeherys I, mas confirmam que sua amizade com Rhaenyra era profunda e relevante para a princesa. Sem muitas jovens de sua idade em King’s Landing, Rhaenyra tinha em Alicent a irmã que não teve, confiando seus segredos mais íntimos. As duas eram inseparáveis, torcendo sempre uma pela outra.

Ainda não vimos Olivia Cooke no papel, mas, Emily Carey trouxe uma vulnerabilidade que humaniza a futura inimiga de Rhaenyra. Quieta e observadora, vemos que o exterior de Alicent não condiz com seus sentimentos, com feridas em suas mãos mostrando que há uma dor incrível, assim como angústia de seu papel no reino. Isso se deve, sobretudo, ao medo e reverência que tem pelo pai, o enigmmático e pragmático Otto HightTower (Rhys Ifans).

No Reddit, há uma teoria para a estranha relação de Alicent e Otto, a que sugere que a jovem possa ter sido abusada sexualmente por ele, gerando sua autoflagelação arrancando as peles ao redor de suas unhas até sangrarem. Ela claramente tem medo do pai, mas o obedece sem questionamentos. Assim que Viserys I (Paddy Coinsidine) fica viúvo, Otto comanda que a filha “dê conforto” ao rei. Sem que possa restar alguma dúvida, a manda usar “um dos vestidos de sua mãe”, ou seja, a ordem foi a de que seduzisse Viserys assim que possível.

As roupas de Alicent, em tons verdes (de sua casa) ou azuis, são, em geral, recatados, mas, aos poucos vão ganhando nunaces reveladoras, com mais decotes e cortes que revelam mais sua pele.

Leitora ávida, amante de História e tímida, Alicent não desperta preocupação em Rhaenyra. Na verdade, com uma atitude quase serviçal, passou desapercebida por todos. Tanto com Rhaenyra como com Viserys, deixou claro que a morte de sua mãe foi repentina e traumática para a menina, que ficou sem carinho ou referência feminina para guiá-la. No livro – e na série – ela admira a relação de Rhaenyra com os pais, guardando para si se também tem ciúme e inveja.

Até que Otto passasse a usar Alicent para seu plano de poder, a amizade entre a princesa e a jovem nobre era genuína e amorosa. No entanto, mesmo sem que precisasse ressaltar, Alicent entendeu o segredo do comando de seu pai. e- diferentemente de Rhaenyra – não abre o jogo de nada com a amiga.

Viserys, em sua insegurança de querer ser popular e pacifista, não teve a menor chance com Otto. O Mão conseguiu manipulá-lo de tirar Daemon Targaryen (Matt Smith) da linha sucessória, mas, a única que não percebeu que era uma “promoção” temporária foi Rhaenyra. Nenhum homem jamais levou a sério de que Viserys I, ainda relativamente jovem, não voltaria a se casar e gerar finalmente um herdeiro homem. O que Otto fez foi ganhar tempo e, ao perceber que não teria controle sobre a princesa, acelerou o passo. Quando todos sugeriram a união com a criança Laena Velaryon, Viserys já estava nas mãos de Alicent e seu pai completamente. E, não vimos, mas Otto mandou que a filha passasse a noite com o Rei, sem surpresa no dia seguinte ela foi a eleita para sua esposa.

A partir do próximo episódio, Alicent e Rhaenyra começarão a luta pela atenção de Viserys e a posição feminina de maior influência no reino. Para deixar a ex-amiga ainda mais ressentida, Alicent logo gera um filho homem para a calma do patriarcado e angústia de Rhaenyra, sendo que já estará grávida novamente.

Nos primeiros anos, no livro, a relação das duas ainda era cordial, porém quando Otto e Alicent passam a pressionar Viserys I a rever alinha sucessória, tudo vai por água abaixo. Incapaz de magoar sua primogênita, o rei que protela decisões e odeia confronto, passa a ter que lidar com a antipatia mútua entre as mulheres que mais ama.

No livro, Rhaenyra começa a ser pressionada a se casar e Alicent quer que ela se case com seu meio-irmão, Aegon II, ainda menino. Dessa forma, os Hightowers assegurariam que seria o homem que mandaria, uma vez que estaria de igual com a esposa. Em outras palavras, Alicent começa a ficar obcecada em garantir que sus filhos tenham os privilégios de príncipes, com prioridade por serem homens. A negativa de seu marido só piora sua relação com a enteada.

Pelo que sugerem os episódios e os trailers, a 1ª temporada vai avançar no drama a partir do 4ª episódio, com o casamento de Rhaenyra com Laenor Velaryon. É que os filhos do casal não vão se parecer com os dois, mas sim com o Guarda pessoal da princesa, aludindo para uma relação aberta entre ela e o marido. Algo que Alicent, claro, quer usar contra Rhaenyra.

Os filhos de Rhaenyra, ou seja, sobrinhos dos filhos de Alicent, odeiam os Hightowers e sempre que se juntam tem briga. Briga quero dizer luta armada. Um dos filhos da herdeira oficial do trono vai arrancar um dos olhos de seu tio (Aemond), levando a Alicent a perder a linha e atacar Rhaenyra com um punhal. Para apaziguar os ânimos, Rhaenyra se muda para Dragonstone, mas é tarde para remediar alguma coisa.

Para piorar, Viserys tem confiança na nova esposa e compartilha com ela alguma dúvida sobre Rhaenyra como Rainha depois de ter um sonho premonitório. Usando uma informação truncada emal interpretada, Alicent se baseia nessa conversa para seu golpe de estado, quando Viserys morre. Com o apoio de Ser Criston Cole, eles farão uma proposta que ninguém poderá recusar de coroar Aegon II no lugar de Rhaenyra.

A princesa, que está em Dragonstone sem saber de nada, recebe todas as notícias de uma vez só: seu pai morreu e seu meio-irmão ursupou a Coroa. Para ser justa com Rhaenyra, ela não parte para guerra aberta de cara, mas tenta argumentar. É apenas quando seu outro meio-irmão, Aemond mata o primogênito de Rhaenyra, Lucaerys, que a guerra está declarada. Assim deve terminar a 1ª temporada.

A ver como será Alicent com a Coroa. Até o momento, parece ser difícil torcer pelos verdes…

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