Qual é a melhor batalha de Westeros? Um ranking de Game of Thrones e House of the Dragon

Os dois primeiros episódios da terceira temporada de House of the Dragon provavelmente serão recebidos por muitos fãs como a conclusão que a segunda temporada parecia prometer. A grande Batalha da Goela, enfim, chegará às telas. Com suas consequências devastadoras para Rhaenyra e seus apoiadores, ela representa um dos momentos mais marcantes de toda a história dos Targaryen. É ali que não apenas um príncipe herdeiro perde a vida, mas outro desaparece da linha sucessória. A ver como a série escolherá adaptar tudo isso.

Naturalmente, a expectativa em torno das batalhas divide os fãs. Há quem conte os dias para cada confronto, antecipe os dragões que estarão em ação e discuta os detalhes militares de cada episódio. Eu, pessoalmente, sempre me interessei mais pelas intrigas políticas, pelas traições e pelas relações entre os personagens. Mas isso pouco importa. O verdadeiro problema é outro.

Hoje existe uma comparação quase impossível de ser superada: a Batalha dos Bastardos. Nem a própria Game of Thrones conseguiu repetir aquele fenômeno com as duas grandes batalhas de sua temporada final. O episódio dirigido por Miguel Sapochnik tornou-se uma espécie de padrão absoluto, uma referência que parece pairar sobre toda a franquia. Mas, se ele é tão excepcional e lendário, por que todas as outras batalhas precisam ser julgadas pelo mesmo critério?

A verdade é que George R. R. Martin jamais escreveu uma única fórmula para a guerra em Westeros. Blackwater é uma batalha sobre estratégia. Hardhome é terror puro. A Longa Noite é sobrevivência. Rook’s Rest é uma tragédia. A Goela promete ser devastadora. Algumas das batalhas mais importantes da saga sequer tentam provocar as mesmas emoções.

Por isso, talvez seja mais interessante revisitar os principais confrontos da franquia e entender o que cada um faz de melhor.

As batalhas lendárias

Batalha dos Bastardos (Game of Thrones)

É a régua pela qual todas as outras passaram a ser medidas. A luta entre Jon Snow e Ramsay Bolton continua sendo um feito técnico impressionante, capaz de transmitir o caos, a claustrofobia e a brutalidade de uma guerra medieval. Talvez justamente por isso seja impossível reproduzi-la. Ela foi o resultado de anos de construção e de um conjunto de circunstâncias muito específicas.

Blackwater (Game of Thrones)

A primeira grande batalha da franquia continua entre as melhores. O episódio é menos sobre ação e mais sobre estratégia, tensão e personagens. Tyrion Lannister jamais foi tão brilhante, e a explosão do fogo-vivo continua sendo uma das imagens mais inesquecíveis da série.

Hardhome (Game of Thrones)

Mais filme de terror do que batalha tradicional. O confronto contra os mortos transforma os Caminhantes Brancos em uma ameaça verdadeiramente aterrorizante e termina com uma das cenas mais icônicas de toda a televisão: o Rei da Noite erguendo seu exército.

Rook’s Rest (House of the Dragon)

A série derivada encontrou sua primeira grande tragédia aérea. Mais do que um espetáculo de dragões, o episódio mostra que essas criaturas nunca foram armas precisas, mas forças destrutivas capazes de escapar ao controle de seus próprios cavaleiros.

Tudo que precisa saber de House of the Dragon

As grandes batalhas que servem à história

Castle Black (Game of Thrones)

Uma batalha mais íntima, em que os destinos de Jon Snow, Samwell Tarly e Ygritte importam tanto quanto o conflito em si.

O ataque ao comboio Lannister (Game of Thrones)

Também conhecido como Loot Train Attack, o episódio em que Daenerys usa os dragões contra os exércitos dos Lannister é uma demonstração de poder impressionante. Ao mesmo tempo, marca uma mudança importante na guerra e antecipa os dilemas morais da personagem.

A guerra dos Degraus (House of the Dragon)

O conflito nas Stepstones funciona sobretudo como uma apresentação de Daemon Targaryen. É ali que a série deixa claro que ele é tão brilhante quanto imprevisível.

A Batalha da Goela (House of the Dragon)

Ainda resta saber como ela será adaptada, mas o material de George R. R. Martin a coloca entre os acontecimentos mais devastadores da Dança dos Dragões. Sua importância não está apenas na escala, mas nas perdas que mudam para sempre o rumo da guerra.

As importantes, mas menos memoráveis

A Longa Noite (Game of Thrones)

Nenhuma batalha carregou expectativas tão altas. Apesar de seus méritos, jamais conseguiu escapar da sombra da Batalha dos Bastardos e continua sendo uma das decisões mais divisivas da série.

Whispering Wood (Game of Thrones)

Curiosamente, uma das vitórias mais importantes de Robb Stark acontece praticamente fora de cena. Uma lembrança de que as primeiras temporadas de Game of Thrones eram muito mais interessadas em política do que em espetáculo.

A Batalha dos Sinos (Game of Thrones)

Não é uma batalha particularmente amada pelos fãs, mas possui imagens inesquecíveis e marca a transformação definitiva de Daenerys.

As futuras tragédias

Se House of the Dragon continuar adaptando toda a Dança dos Dragões, ainda veremos acontecimentos capazes de rivalizar em importância dramática com qualquer episódio de Game of Thrones. Tumbleton promete ser um retrato do caos absoluto. God’s Eye tem tudo para se transformar em lenda. E a Queda de Porto Real talvez seja um dos capítulos mais dolorosos da história da franquia.

Mas talvez a principal lição seja outra. Nem toda batalha precisa ser a nova Batalha dos Bastardos. Na verdade, as melhores guerras de Westeros sempre foram aquelas que entenderam exatamente o que queriam ser.

Blackwater nunca tentou ser Hardhome. Hardhome nunca tentou ser a Batalha dos Bastardos. E talvez a Goela não precise ser nada além daquilo que George R. R. Martin escreveu: uma tragédia.


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