Ormund Hightower: o verdadeiro estrategista por trás dos Verdes?

Durante três temporadas de House of the Dragon, fomos levados a acreditar que Otto Hightower era o grande arquiteto da guerra civil Targaryen. Afinal, foi ele quem aproximou Alicent de Viserys, quem trabalhou para afastar Daemon da sucessão e quem construiu as bases políticas que permitiram a coroação de Aegon II. Mas a chegada de Ormund Hightower sugere algo ainda mais perturbador: talvez Otto nunca tenha sido o membro mais perigoso de sua própria família.

A estreia de Ormund, interpretado por James Norton, finalmente amplia uma dimensão dos Hightower que a série vinha apenas insinuando desde a primeira temporada. Até agora, conhecíamos a família quase exclusivamente através de Otto e Alicent. Aos poucos, porém, House of the Dragon começa a revelar que ambos eram apenas representantes de uma estrutura familiar muito maior, mais antiga e talvez muito mais ambiciosa do que imaginávamos.

Quem é Ormund Hightower em House of the Dragon?

Nos livros de George R. R. Martin, Ormund Hightower é o Lorde de Vilavelha (Oldtown), chefe da Casa Hightower durante a Dança dos Dragões e sobrinho de Otto Hightower. Filho de Lord Hobert Hightower, irmão mais velho de Otto, Ormund herda não apenas o controle político da família, mas também o comando do maior exército mobilizado pelos Verdes durante a guerra civil. Ele empunha a espada valiriana Vigilância e se torna uma das figuras militares mais importantes de todo o conflito.

Mas House of the Dragon parece interessada em transformar Ormund em algo ainda mais relevante: a prova definitiva de que Otto talvez jamais tenha controlado completamente os próprios Hightower.

Essa possibilidade já havia sido sugerida, embora quase ninguém tenha percebido, na primeira temporada. Em uma breve cena, vemos Lord Hobert Hightower pressionando Otto e praticamente cobrando resultados concretos após o casamento de Alicent com Viserys. Na época, a cena parecia apenas reforçar a ambição da família. Hoje, ela ganha um significado completamente diferente: Otto não estava apenas tentando controlar os Targaryen. Ele também precisava provar seu valor dentro da própria Casa Hightower.

Tudo sobre House of the Dragon

Otto Hightower nunca foi o verdadeiro senhor dos Hightower

Essa releitura torna Otto um personagem ainda mais interessante.

Ele continua sendo um dos principais responsáveis pela guerra. Continua manipulador, ambicioso e disposto a sacrificar a própria filha em nome do poder. Mas começamos a perceber que sua obsessão pelo Trono de Ferro talvez também fosse alimentada por outra disputa: a disputa por relevância dentro da própria família.

Otto nunca foi o senhor de Vilavelha. Nunca foi o chefe da Casa Hightower. Era o segundo filho, enviado para a corte, obrigado a produzir resultados políticos enquanto o irmão mais velho mantinha o poder tradicional da família. Colocar Alicent ao lado de Viserys e seus descendentes no Trono de Ferro não significava apenas fortalecer os Hightower. Significava também elevar o próprio Otto acima da posição subordinada que sempre ocupou dentro da própria casa.

A ironia é extraordinária. Otto conseguiu exatamente aquilo que pretendia. Alicent deu a Viserys não apenas um filho homem, mas três filhos homens e uma filha. Pela lógica tradicional de Westeros, sua missão estava completa. O problema é que Viserys se recusou a seguir as regras que todos esperavam que ele seguisse.

O caso de Daeron revela o maior erro de Alicent

A história de Daeron Targaryen ajuda a revelar outro aspecto fascinante dos Hightower.

Durante anos, House of the Dragon praticamente ignorou a existência do quarto filho de Alicent e Viserys. Quando finalmente ouvimos falar dele, através da conversa entre Alicent e Gwayne Hightower, a rainha-mãe demonstra um alívio genuíno. Seu filho mais novo, criado longe da capital, teria permanecido íntegro, distante das disputas políticas, da influência destrutiva de King’s Landing e, talvez, até da própria manipulação de Otto.

Mas Alicent, como tantas vezes acontece ao longo da série, está profundamente enganada.

Gwayne, irmão de Alicent e filho de Otto, também passou a maior parte da vida em Vilavelha. Ele próprio representa uma espécie de versão mais tradicional da cavalaria de Westeros: religioso, leal, orgulhoso e relativamente íntegro, sobretudo quando comparado a figuras como Criston Cole. Ao elogiar Daeron, ele parece acreditar sinceramente que o sobrinho foi protegido das piores características da corte.

A tragédia é que Daeron nunca esteve longe da política, mas apenas esteve submetido a outra.

Enquanto Alicent acreditava ter protegido o filho caçula, os Hightower de Vilavelha tiveram algo muito mais valioso: tempo. Tempo para educá-lo. Tempo para moldá-lo. Tempo para transformá-lo não em um príncipe criado pelos Targaryen, mas em um príncipe criado pelos Hightower.

E talvez seja exatamente esse o maior golpe de toda a história.

Otto produziu os herdeiros. Mas quem acabou controlando um dos herdeiros mais importantes foi justamente o ramo da família que ele jamais conseguiu dominar.

O plano de Ormund para Daeron pode mudar toda a guerra

A situação torna-se ainda mais perigosa quando analisamos a posição sucessória atual de Daeron.

Aegon desapareceu. O príncipe perdeu o filho homem que garantiria sua sucessão direta. Aemond continua sem descendentes. E Daeron, justamente o filho que Alicent acreditava ter mantido protegido da guerra, torna-se um dos candidatos mais fortes à continuidade da linhagem verde.

É nesse contexto que a frase de Ormund sobre colocar o “verdadeiro herdeiro” no trono ganha um significado potencialmente devastador porque Ormund não luta verdadeiramente por Aegon, nem mesmo por Aemond. Ormund sempre considerou Daeron o candidato ideal: jovem, popular, disciplinado e, sobretudo, moldado integralmente pela influência dos Hightower.

Como Ormund Hightower humilha Daemon e Rhaenyra

O episódio desta semana demonstra exatamente por que Ormund pode se tornar um dos personagens mais perigosos da série.

Até este momento, Rhaenyra já havia sido traída, sabotada e humilhada diversas vezes. Mas há algo particularmente cruel em ser enganada justamente quando acredita finalmente ter conquistado o poder.

A chegada de Daemon, montado em Caraxes e respaldado pelo prestígio militar dos Targaryen, representa o tipo de intimidação que sempre funcionou em Westeros. Daemon acredita que sua reputação, seu dragão e sua violência são suficientes para obrigar qualquer lorde a obedecer.

Ormund entende imediatamente a fraqueza dessa lógica.

Ele sabe que Daemon jamais conheceu Daeron. Sabe que a arrogância do príncipe pode ser explorada. E transforma essa arrogância numa armadilha política extraordinária ao entregar uma criança loira para ocupar o lugar do verdadeiro príncipe.

Durante boa parte do episódio, Daemon, Rhaenyra e os próprios espectadores acreditam que o plano funcionou. O verdadeiro Daeron permanece escondido, enquanto os Targaryen comemoram uma vitória que jamais conquistaram.

A humilhação torna-se ainda maior quando Alicent, tentando se despedir do filho, descobre diante de Rhaenyra que ambos foram enganados.

O momento destrói mais uma vez a autoridade política da rainha. Ela já havia herdado um reino sem dinheiro, sem estabilidade e sem apoio popular. Agora, descobre também que não consegue sequer identificar os próprios adversários.

Mais impressionante ainda é o fato de que Ormund não apenas enganou Rhaenyra. Ele enganou Daemon Targaryen e essa é a demonstração definitiva de que o poder dos Hightower nunca esteve apenas na riqueza, na religião ou nos exércitos, mas na capacidade de compreender as fraquezas dos outros.

Como Ormund Hightower morre em Fire & Blood?

Nos livros de George R. R. Martin, Ormund Hightower se torna um dos principais comandantes dos Verdes durante a guerra. Sua maior vitória ocorre na Batalha de Honeywine, quando recebe o apoio decisivo de Daeron Targaryen e de seu dragão Tessarion. Mais tarde, Ormund lidera as forças verdes durante a Primeira Batalha de Tumbleton, um dos confrontos mais sangrentos de toda a Dança dos Dragões.

Sua morte acontece justamente em Tumbleton, quando é morto em combate por Lorde Roderick Dustin, o lendário “Roddy the Ruin”, líder dos Winter Wolves enviados pelo Norte. A morte de Ormund provoca o colapso da liderança verde e abre caminho para uma das maiores atrocidades da guerra: o saque e a destruição de Tumbleton pelos próprios vencedores.

Mas House of the Dragon parece interessada em dar a Ormund um papel muito maior do que aquele descrito em Fire & Blood, e faz sentido.

Porque, enquanto os Targaryen continuam destruindo uns aos outros, Ormund Hightower parece compreender algo que quase nenhum deles jamais entendeu: para vencer uma guerra, nem sempre é preciso derrotar dragões.

Às vezes, basta convencê-los a destruir a si mesmos.


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