A história do La Nouvelle Eve, agora famoso por causa de Emily in Paris

Mindy Chen (Ashley Park) é a melhor amiga de Emily Cooper (Lilly Collins), uma emigrante chinesa baseada em Paris que se revela não apenas uma moça de origem milionária – mas cortada financeiramente de sua família – mas também é uma cantora talentosa que aspira a alcançar sua segunda chance em Paris, depois de ter fracassado no The Voice chinês. Sua maior chance vem na 3ª temporada quando se apresenta no palco do La Nouvelle Ève, um cabaret onde ninguém menos que Edith Piaf costumava se apresentar. Ela tem uma crise de ansiedade por causa disso. A melhor parte é que, se Mindy é uma personagem fictícia, nem o local nem a história de Piaf são mentira e com isso os fãs ficaram mais curiosos para saber mais.

Para começar, a cultura francesa do século 19, a Belle Epoque, eternizou as casas noturnas conhecidas como Cabarés, tanto em música, quadros, fotos, livros, filmes e poemas. A palavra cabaré pode ter originado no espanhol (casa de diversões), mas foi incorporada pelo francês (Cabaret) para se referir à tabernas, restaurantes ou salões, casas comerciais que
serviam alcoolicas. Somente depois de 1881, com a abertura do Le Chat Noir, em Montmartre, que os cabarés ganharam nova dimensão.

O Le Chat Noir, eternizado pelos traços de Toulouse Lautrec, ficou conhecido pela informalidade e a clientela de artistas e gente do povo, e também por ser um lugar barulhento e “feliz”. Além de comida e bebida, oferecia espetáculos de música e dança. Lançou moda. Ainda hoje em Paris há mais de 10 cabarés em atividade, sendo os mais famosos Crazy Horse, Moulin RougeLido, Folies Bergère e Paradis Latin. Graças à Emily in Paris, o pequeno La Nouvele Ève, com lotação para 250 pessoas, está mais popular.

Assim como Sex and The City antes de Emily in Paris, parte do atrativo da série é que as locações e lugares frequentados pelas personagens existem, criando uma agenda cultural curiosa. E glamurosa, claro.

No caso de La Nouvele Eve, o pequeno salão foi inaugurado em 24 de dezembro de 1897 (isso mesmo, há 125 anos!) com o nome de Champ-de-Foire. Fez parte do movimento conhecido como boulevard du crime ou “a avenida do crime” por reunir teatros e casas de show. O Nouvele Eve também foi chamado de teatro Sans-Gêne, depois Comédie-Parisienne, até que reabriu em 1903 sob o nome de Fantaisies-Parisiennes, ganhando notoriedade em Paris. Na programação havia espaço para dança, operetas e shows eróticos. A decoração seguia a tradição dos cabarés: ambiente escuro, com luz tênue e um ambiente íntimo que alimentava o mistério.

A sequência de novos nomes seguiu no endereço. Depois Fantaisies-Parisiennes, em 1911 passou para Nouveau-Théâtre assim como em seguida, passou para Nouvelle-Comédie. Passando a ser palco favorito de cantores, virou Teatro Balzac antes de passar para Théâtre Fontaine, em 1923 e seguiu mudando até 1930, quando passou por uma reforma e foi rebatizado rapidamente como Théâtre Varia para conconrrer com o vizinho Moulin Rouge. Com o fracassso, voltou a ser “Fontaine” em 1931 e resgatou o teatro tradicional até que dois anos depois, Paula Maxa, ex-musa do Grand-Guignol, tentou em vão impor ali um Teatro do Vício e da Virtude (théâtre du Vice et de la Vertu), substituído um mês depois pelo Teatro do Sex Appeal, depois Teatro Balieff e Deux-Masques, mudando a prpgramação para as antigas peças de suspense. Apesar do sucesso, o teatro fechou em 1º de agosto de 1938, reabrindo brevemente durante a Ocupação alemã na 2ª Guerra Mundial com o nome de Folies-Montmartre. Não é para ficar tonto?

Então, com o fim da Guerra, o local passou a ser de René Bardy, dono de outro cabaré chamado de Ève place Pigalle, que que rebatizou o estabelecimento como La Nouvelle Ève. Foi Bardy que redecorou o ambiente com estilo da Belle Époque, com mesas que acomodam 250 convidados e deixando a programação fixa com jantares espectáculos. Desde então, com ambiente mais intimista que seus concorrentes, passou a ser um dos teatros de cabaré mais populares de Paris, com apresentações emocionantes, contemporâneas e sim, ocasionalmente eróticas. Favorita dos fashionistas como Jean-Paul Gaultier e Vivienne Westwood, La Nouvele Ève é um local famoso para festas na capital francesa. Por isso sua relevância no universo de Emily Cooper de Emily in Paris.

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