Lizzie Borden: se ela foi absolvida, quem matou os Borden?

O mundo conhece alguma versão da história de Lizzie Borden. Nos Estados Unidos, seu nome praticamente pertence ao folclore; fora de lá, talvez o caso não tenha a mesma força, mas cinema, televisão, livros, teatro e até ballet fizeram com que a imagem da filha que teria assassinado o pai e a madrasta a machadadas sobrevivesse por mais de um século. Só há um problema nessa frase: Lizzie Borden nunca foi condenada por matar ninguém.

Ela foi julgada e absolvida. Andrew e Abby Borden continuaram mortos. Nenhuma outra pessoa foi processada pelos assassinatos. E, 134 anos depois, apesar de a cultura popular ter praticamente dado o caso como encerrado, ele continua, em essência, um cold case.

Com a estreia de Monster: The Lizzie Borden StoryMonstro: A História de Lizzie Borden no Brasil — na Netflix em 17 de setembro, poderia voltar às teorias ou tentar antecipar qual delas Ryan Murphy e Ian Brennan escolherão. Prefiro esperar para ver o que realmente fizeram. A própria plataforma já deixa claro que sua versão abraça uma Lizzie ficcionalizada e culpada, o que torna ainda mais interessante voltar à história real antes que a ficção entregue sua resposta.

Então fui aos autos. Passei pelos depoimentos policiais colhidos a partir do próprio 4 de agosto de 1892, pela audiência preliminar e pelos dois enormes volumes da transcrição do julgamento de 1893, todos hoje acessíveis para pesquisa. É uma leitura fascinante porque, livre das décadas de filmes, livros, cantigas e teorias, devolve ao caso aquilo que a lenda tirou dele: a dúvida. Os documentos preservam buscas, suspeitos, depoimentos contraditórios, pistas abandonadas e as batalhas jurídicas que acabariam levando à absolvição de Lizzie. E quanto mais se lê, mais incômoda fica a pergunta: se não foi Lizzie Borden, quem matou Andrew e Abby?

Um crime que a cultura resolveu antes da Justiça

A força do caso Lizzie Borden está numa aparente impossibilidade. Abby Borden foi assassinada primeiro, no quarto de hóspedes do andar superior da casa em Fall River, Massachusetts. Andrew voltou para casa depois, deitou-se no sofá da sala e também foi morto. Os exames dos conteúdos estomacais das duas vítimas apontavam para uma diferença significativa no estágio da digestão, reforçando que as mortes ocorreram separadamente.

Isso cria o primeiro grande problema para qualquer teoria. O assassino precisou matar Abby e permanecer nas proximidades por algum tempo — ou sair e conseguir voltar sem ser percebido — antes de matar Andrew. E aquela não era exatamente uma casa de livre circulação.

Os registros policiais mostram a atenção dada às portas e aos acessos. Um policial que posteriormente permaneceu treze dias de guarda na residência afirmou que a porta da frente se trancava ao fechar e que nunca viu alguém entrar sem que uma pessoa do interior da casa abrisse.

Na manhã dos crimes, além das vítimas, estavam na propriedade Lizzie e a empregada Bridget Sullivan, chamada pela família de Maggie. Emma, irmã mais velha de Lizzie, estava fora. O tio materno, John Vinnicum Morse, havia dormido na casa na noite anterior, mas saíra pela manhã.

Não havia testemunha ocular. Não havia confissão. A arma nunca foi identificada de maneira conclusiva. Nenhuma roupa ensanguentada foi definitivamente ligada a Lizzie.

O processo contra ela foi construído essencialmente por evidências circunstanciais. Na orientação final, o tribunal lembrou aos jurados que ninguém a vira praticar os assassinatos e que o Estado dependia de uma cadeia de circunstâncias capaz de provar sua culpa além de dúvida razoável. É exatamente aí que começa o mistério que nenhuma cantiga sobre machados conseguiu resolver.

Por que Lizzie Borden foi considerada suspeita?

Porque, francamente, havia razões para desconfiar dela. Lizzie estava na propriedade. Tinha uma relação difícil com Abby. Existiam tensões familiares envolvendo dinheiro e propriedades. Nos próprios documentos da investigação aparecem relatos de que Lizzie não gostava da madrasta e de que as filhas haviam se ressentido quando Andrew realizou negócios que beneficiavam parentes de Abby.

Depois surgiu uma informação potencialmente devastadora. Eli Bence, funcionário de uma farmácia, declarou que, na manhã anterior aos assassinatos, Lizzie entrara no estabelecimento e pedira dez centavos de ácido prússico, substância altamente tóxica. Ele a identificou de forma categórica.

Só que Andrew e Abby não haviam sido envenenados. O professor Edward Wood, de Harvard, analisou os conteúdos dos dois estômagos e não encontrou ácido prússico nem evidências de um veneno irritante.

Havia também a história do misterioso bilhete. Segundo Lizzie, Abby recebera naquela manhã uma mensagem chamando-a para visitar uma pessoa doente. O bilhete nunca apareceu. Seu suposto autor também não.

A circunstância era especialmente estranha porque, depois que Andrew foi encontrado morto, Lizzie falou como se Abby estivesse fora de casa, quando seu corpo já estava no andar superior. A acusação acabaria tratando a história do bilhete como invenção e lembraria aos jurados que ninguém jamais se apresentou para confirmar que o havia enviado.

Há ainda o famoso celeiro. Lizzie disse que saíra de casa e permanecera algum tempo no andar superior do celeiro procurando chumbo para fabricar pesos para linhas de pesca. Um dos policiais que examinou o local registrou que não encontrou na poeira pegadas além das próprias.

E então existe o vestido. Três dias depois dos assassinatos, Alice Russell, amiga de Lizzie, a viu diante do fogão com uma saia nas mãos. Emma perguntou o que ela estava fazendo. Segundo Russell, Lizzie respondeu que iria queimar aquilo porque estava coberto de tinta. Russell também declarou que não viu sangue no vestido.

Se fosse ficção, seria quase evidência demais. Na Justiça, acabou sendo evidência de menos.

Quem poderia ter matado Andrew e Abby Borden?

Uma das maiores surpresas que tive lendo os documentos foi perceber o quanto a investigação inicial realmente procurou outras pessoas. Há páginas e páginas sobre homens desconhecidos, pessoas vistas nas ruas, indivíduos que teriam discutido com Andrew, estrangeiros considerados suspeitos, denúncias recebidas pela polícia e viagens feitas pelos investigadores para verificar pistas.

Na própria manhã dos crimes, Lizzie contou que semanas antes um homem tivera uma discussão intensa com seu pai sobre um imóvel e que outro homem aparecera naquela manhã querendo falar sobre uma loja. A hipótese de um intruso, portanto, não nasceu cem anos depois entre aficionados por true crime. Ela já existia na investigação de 1892. O problema é que nunca se transformou numa alternativa convincente.

Um homem visto agindo de maneira suspeita depois dos assassinatos tentou conseguir transporte para New Bedford, oferecendo dinheiro e insistindo para que partissem rapidamente. Várias pessoas deram descrições semelhantes dele. A história foi registrada e investigada, mas jamais ligada diretamente aos Borden.

Outras pistas eram tão frágeis que hoje parecem quase caricatas. Em certo momento, policiais vasculharam um lago procurando uma possível machadinha e encontraram um saco de papel contendo uma velha casca de banana. O relatório registra aquilo como particularmente suspeito.

Também há uma face menos divertida da investigação. Homens portugueses e outros imigrantes aparecem repetidamente como suspeitos. Um português foi levado à delegacia simplesmente depois de ser encontrado retirando suas economias de um banco e por falar pouco inglês. Depois que conseguiu explicar satisfatoriamente sua situação, foi liberado.

Ou seja: a polícia procurou um assassino fora da casa. Nunca encontrou um.

John Morse poderia ter matado os Borden?

John Vinnicum Morse é quase suspeito demais para uma história de Agatha Christie.

Irmão da primeira mulher de Andrew, ele chegou inesperadamente à casa dos Borden na véspera dos assassinatos e dormiu justamente no quarto onde Abby seria encontrada morta no dia seguinte. Na manhã seguinte, saiu. Naturalmente, a polícia foi atrás dele.

Só que seu álibi resistiu muito bem. Morse disse que passara a manhã visitando parentes em Weybosset Street. Um investigador foi verificar e Mrs. Emery confirmou que ele chegara aproximadamente às 9h40 e permanecera lá até cerca de 11h20. Ele só retornaria à casa dos Borden depois dos assassinatos.

Morse continua excelente para teorias de conspiração, especialmente aquelas que imaginam um planejamento ou um assassino contratado.

Mas aí deixamos os documentos. Não existe prova de que tenha participado dos crimes.

Bridget Sullivan era suspeita do crime?

Bridget Sullivan é ainda mais intrigante porque estava na propriedade. Ela passara parte daquela manhã lavando janelas. Depois que Andrew voltou, abriu a porta para ele e, algum tempo depois, subiu para seu quarto. Segundo seu depoimento, estava lá havia apenas alguns minutos quando ouviu Lizzie chamá-la: alguém havia matado seu pai.

Bridget afirmou não ter visto nenhum estranho naquele período e não ter ouvido a porta ser aberta enquanto estava em cima. É possível imaginar cumplicidade. É possível supor que soubesse mais do que contou. É possível construir uma relação secreta com Lizzie, algo que a ficção já explorou e que a nova temporada de Monster volta a colocar no centro da narrativa.

Mas este é justamente o ponto: possibilidade não é prova. Não existe contra Bridget um conjunto de evidências comparável ao que se acumulou contra Lizzie. E essa é talvez a grande dificuldade de sustentar a inocência de Lizzie como solução do crime: não há um segundo suspeito sobre quem recaia uma combinação semelhante de presença, oportunidade, conflitos familiares, contradições e comportamento posterior.

Isso não prova que Lizzie matou. Explica por que o caso nunca consegue se libertar dela.

Por que Lizzie Borden foi absolvida?

A resposta mais simples também é a mais importante: porque a acusação não conseguiu provar além de dúvida razoável que Lizzie matou Andrew e Abby Borden. Mas existe uma história jurídica fascinante por trás dessa frase.

Uma das maiores armas da promotoria era o próprio depoimento de Lizzie no inquérito. Suas respostas tinham lapsos, contradições e mudanças. Ela demonstrava dificuldade para explicar precisamente onde estava, quando vira determinadas pessoas e quanto tempo permanecera no celeiro. O júri, porém, não pôde ouvir esse depoimento.

Os três juízes decidiram que, quando Lizzie foi interrogada no inquérito, ela já estava, na prática, sob custódia e sendo tratada como suspeita dos assassinatos. Portanto, suas declarações não poderiam ser consideradas voluntárias e foram excluídas do julgamento. O tribunal registrou que, para aquele efeito jurídico, ela estava tão sob controle das autoridades quanto estaria depois de uma prisão formal.

Foi uma enorme vitória da defesa. Depois veio outra.

A acusação tentou apresentar ao júri a história da compra do ácido prússico. Seguiu-se uma longa discussão jurídica. A defesa lembrou que nenhuma venda fora realizada e que os exames nos corpos não revelaram o veneno. O episódio acabou excluído.

Duas das circunstâncias mais prejudiciais à imagem de Lizzie haviam desaparecido diante do júri. Restavam o possível motivo financeiro, a relação ruim com Abby, o estranho álibi do celeiro, o vestido queimado, o bilhete inexistente e a enorme dificuldade de imaginar outra pessoa executando dois assassinatos dentro daquela casa sem ser vista.

Era suficiente para suspeitar, mas não necessariamente para condenar alguém à morte. A defesa soube explorar exatamente essa distância entre aquilo que parece provável e aquilo que pode ser provado.

A misoginia ajudou Lizzie Borden a ser absolvida?

É impossível separar o julgamento de 1893 da forma como aquela sociedade compreendia as mulheres. O júri era inteiramente masculino. E aqueles homens não estavam sendo convidados apenas a decidir se determinada pessoa cometera dois assassinatos. Precisavam imaginar uma mulher branca, de família rica, religiosa, solteira e conhecida por atividades na igreja executando uma violência física extrema.

A defesa entendeu perfeitamente esse conflito. Em suas alegações finais, George Robinson pediu aos jurados que considerassem Lizzie como uma mulher entre eles e repetiu a responsabilidade daqueles homens diante de uma “jovem mulher” cuja vida estava em suas mãos.

É aí que o sexismo da época se torna contraditório. O mesmo ideal feminino que restringia uma mulher socialmente podia funcionar em sua defesa quando a acusação exigia reconhecer nela a capacidade de uma violência considerada masculina.

E nem a promotoria escapou da armadilha. Ao descrever a morte de Abby, o promotor Hosea Knowlton falou em golpes que não teriam vindo da “strong hand of man”, mas de golpes mais fracos de uma mulher. Até para sustentar que uma mulher havia cometido o crime, era necessário explicar como uma mulher mataria de maneira diferente de um homem.

Isso não significa que Lizzie tenha sido absolvida simplesmente porque os jurados eram machistas. O caso contra ela tinha problemas jurídicos reais, dependia de circunstâncias e perdera provas importantes.

Mas é igualmente difícil acreditar que gênero não tenha interferido na maneira como aquelas evidências foram interpretadas.

E classe talvez tenha sido tão importante quanto gênero

Há uma passagem das alegações finais que talvez seja uma das mais reveladoras de todo o julgamento. Curiosamente, ela veio da acusação. Knowlton pediu aos jurados que imaginassem que tudo aquilo que parecia incriminar Lizzie tivesse acontecido com Bridget Sullivan.

Bridget era pobre, uma empregada doméstica, uma imigrante irlandesa, sem os recursos de Lizzie. O promotor contrapôs essa posição à de uma mulher protegida por dinheiro, posição social, amigos e excelentes advogados. E perguntou, em essência: se fosse Bridget quem tivesse contado histórias contraditórias, apresentado um álibi duvidoso e queimado um vestido depois dos assassinatos, o que vocês pensariam dela?

Haveria uma lei para Bridget e outra para Lizzie? Talvez essa pergunta seja tão importante quanto descobrir quem segurou o machado. Porque o caso Borden nunca foi apenas sobre gênero. Foi sobre gênero, classe, religião, respeitabilidade e origem étnica.

O imigrante pobre podia ser levado à delegacia por retirar o próprio dinheiro do banco. Bridget podia ser vista através da suspeita que acompanha quem não possui posição social. E Lizzie podia ser simultaneamente transformada em monstro pela imprensa e protegida pelo ideal de feminilidade que aquela sociedade havia criado.

Há até um pequeno episódio nos autos que parece encapsular perfeitamente esse mundo.

Policiais encontraram no porão panos cobertos de sangue. Num assassinato em que roupas ensanguentadas não haviam sido encontradas, aquilo poderia ser explosivo. A defesa registrou que se tratava de peças usadas por Lizzie durante sua menstruação, descrita pelo eufemismo “monthly sickness”, e imediatamente informou que não desejava entrar em detalhes.

O assunto praticamente morreu ali.

Um pouco de Suzane Richthofen, um pouco de Elize Matsunaga

Para um brasileiro, é difícil mergulhar no caso sem encontrar ecos familiares. Não juridicamente. Suzane von Richthofen e Elize Matsunaga foram condenadas. Lizzie Borden foi absolvida. Essa diferença é fundamental. Culturalmente, porém, Lizzie parece reunir elementos das duas.

De Suzane, existem a filha de família abastada, a violência dentro do próprio universo doméstico, as discussões sobre dinheiro e herança e, acima de tudo, o fascínio coletivo em tentar conciliar a imagem social de uma filha bem-educada com um crime aparentemente incompatível com aquela persona. De Elize, vem o choque provocado pela brutalidade física associada a uma mulher e pela velocidade com que o julgamento público deixa de se concentrar apenas no crime para invadir personalidade, sexualidade, relacionamentos, aparência e comportamento.

São mulheres muito diferentes, em crimes e contextos completamente distintos. O ponto de contato está no mecanismo cultural. Quando uma mulher pratica — ou é acusada de praticar — uma violência extrema, frequentemente parece ter cometido duas transgressões: contra a lei e contra a ideia do que uma mulher deveria ser.

Lizzie Borden descobriu isso em 1892.

O júri respondeu uma pergunta. A História ficou com outra

Em 20 de junho de 1893, os jurados se retiraram para deliberar. Quando voltaram, Lizzie se levantou. O escrivão iniciou a fórmula para perguntar o veredicto ao presidente do júri. Ele nem esperou o fim. “Not guilty.”

Houve aplausos na sala. Lizzie caiu novamente em sua cadeira. Pouco depois, o tribunal ordenou que fosse libertada.

É importante entender exatamente o que aquela decisão significava.

O júri não solucionou os assassinatos. Não encontrou outro culpado. Não declarou que seria impossível Lizzie ter cometido os crimes. Concluiu que o Estado não havia demonstrado além de dúvida razoável que ela os cometera. E talvez seja justamente por isso que Lizzie Borden nunca desapareceu.

Se amanhã surgisse uma prova incontestável de que outra pessoa entrou naquela casa, se aparecesse uma confissão verificável ou uma evidência capaz de identificar definitivamente o assassino, perderíamos uma parte essencial do fascínio.

O que transformou Lizzie em mito não foi apenas o machado. Foi a ausência de uma resposta. A cultura popular resolveu o caso há muito tempo. Colocou a arma na mão de Lizzie e terminou a história. A Netflix já anuncia Monstro: A História de Lizzie Borden a partir de uma versão que assume sua culpa. Os documentos de 1892 e 1893 não oferecem esse conforto. Depois de centenas de páginas de testemunhos, interrogatórios, suspeitos, veneno, vestidos, machadinhas, homens estranhos, álibis e contradições, continuo chegando à mesma conclusão que faz esse crime sobreviver há mais de um século: há muitas razões para acreditar que Lizzie Borden matou Andrew e Abby. Só nunca conseguiram provar.

Afinal, o que sabemos sobre o caso Lizzie Borden?

Lizzie Borden matou o pai e a madrasta? Não sabemos. Ela foi acusada pelos assassinatos de Andrew e Abby Borden, julgada em 1893 e absolvida. Nenhuma outra pessoa foi condenada pelo crime.

Por que Lizzie Borden foi absolvida? Porque a acusação dependia essencialmente de evidências circunstanciais, algumas provas importantes foram excluídas e o júri não considerou demonstrada sua culpa além de dúvida razoável.

Quem matou Andrew e Abby Borden? O assassino nunca foi identificado. A polícia investigou diferentes pistas e pessoas, mas ninguém além de Lizzie foi levado a julgamento.

O caso Lizzie Borden continua sem solução? Sim. Apesar de sua culpa ter se tornado quase um fato na cultura popular, os assassinatos de Andrew e Abby Borden nunca foram solucionados judicialmente.


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