Os 180 anos de um clássico: Giselle

Em junho de 1841, Carlotta Grisi e Lucien Petipa estrearam um ballet feito especialmente para ela: Giselle.

Em dois atos, acompanhamos a história da camponesa enganada por um nobre, que morre, mas volta como uma Willi, um espírito vingativo de noivas rancorosas. Porém, o amor vence.

Um resumo muito amplo de um ballet que, ao lado de O Lago dos Cisnes, é há mais de um século um dos mais populares da dança clássica.

Carlotta já era uma estrela antes de Giselle, mas, depois do balé, virou uma lenda. A obra prima romântica nasceu de um projeto de criar “um balé branco”, cujo objetivo era rivalizar com La Sylphide. Portanto, sabiam o que queriam visualmente, mas precisavam chegar lá.

Os libretistas Jules-Henri Saint-Georges e Théophile Gautier (esse, apaixonado pela bailarina) encontraram o argumento perfeito em um poema alemão, de Heinrich Heine e outro francês, escrito por Victor Hugo. Giselle, um balé pós revolução francesa, já trazia os camponeses nos papéis principais e os nobres como antagonistas. Histórias “sobrenaturais” também estavam com força, por isso reuniram todos os elementos importantes na trama. A lenda alemã as Willis caía como uma luva e o poema de Victor Hugo, sobre a jovem que morre em um baile, também. Porém faltava a ‘liga” dramática, que foi sugerida por Saint-Georges. Com música de Adolphe Adam, e passos de Jean Coralli e Jules Perrot, Giselle foi um estupendo sucesso desde sua primeira apresentação.

Porém, depois de oito anos no repertório, Giselle deixou de ser dançado e praticamente desapareceu do ocidente. Não fosse por Jules Perrot e Marius Petipa, que levaram a obra para a Rússia, talvez não tivéssemos preservado sua memória. É a versão de Petipa, com alguns ajustes, que conhecemos hoje. O balé só voltou a ser dançado fora da Rússia nos anos 1930s.

Fora as dificuldades técnicas da coreografia, Giselle é considerado o Hamlet do balé, onde se julga a habilidade de interpretação e mímica dos bailarinos. Isso porque Giselle começa inocente, enlouquece e volta como um espírito maduro. Em poucas horas, a bailarina precisa passar todas essas emoções.

Das várias intérpretes, algumas se destacaram ao longo da história: Alicia Alonso, Natalia Makarova, Margot Fonteyn, Carla Fracci e Galina Ulanova são algumas das bailarinas que imortalizaram o papel nos palcos.

Curiosamente, Maya Plissetskaya jamais dançou Giselle nos palcos. Diz a lenda que ela sofreu uma decepção amorosa tão profunda antes de estrear que – supersticiosa – jamais quis interpretar a camponesa por essa razão. Oficialmente a bailarina disse que seu temperamento forte era inadequado para o papel, preferindo o da Rainha das Willis, Myrtha.

Uma pena!

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